17/06/2020 às 16:00

Números do setor de aviação no Brasil

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Por Jevuks Araújo e Ana K. Acris Melo

Nesse texto, comentamos sobre os números do setor de aviação no Brasil, e como a crise gerada pelo Covid-19 impactou a atividade no setor:

  • Setor de aviação – como a atual crise influenciou os números do setor
  • Impactos nas empresas do setor de aviação

Boa leitura!

setor de aviação no Brasil

Setor de aviação

As medidas restritivas adotadas em todas as regiões do globo afetaram fortemente o setor de aviação. O relatório semestral divulgado pela IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), reporta que “o ano de 2020 será o pior ano da história para as companhias aéreas”. De acordo com o relatório, as perdas devem ficar em torno de US$ 84,3 bilhões.

No Brasil, o impacto da Covid-19 na economia nacional será forte. Um estudo de conjuntura do Ipea publicado no último dia 09, prevê uma redução de 6% do PIB para o ano de 2020. As empresas aéreas como a Gol e Azul registram no 1º trimestre desse ano uma deterioração de patrimônio líquido de R$ 3,3 bilhões e R$ 6,13 bilhões, respectivamente.

Como a atual crise afetou o setor de aviação no Brasil e no mundo?

Provavelmente, as perdas do setor de aviação devem ser maiores no segundo trimestre. No mês de abril foram suspensos os voos internacionais e o mercado presenciou uma queda de 93% na demanda por voos domésticos. Com as restrições de mobilidade sendo prolongadas em todas as regiões do país, qualquer expectativa de recuperação do setor será adiada para o segundo semestre de 2020. Entretanto, os baixos índices de confiança direcionam para uma recuperação lenta e gradual das atividades econômicas. Na comparação entre meses de abril/20 e abril/19 o setor de aviação no Brasil registrou:

  • Redução de 90,9% no número de decolagens;
  • Diminuição de 94,5% no número de passageiros;
  • Queda de 16,3% na taxa de ocupação das aeronaves;
  • As ações da GOL (GOLL4) perda 45,6%, da Azul (AZUL4) perda de 48,8%.

Dados do setor

No primeiro quadrimestre de 2020 o número de decolagens no Brasil foi de 234.189, o que representa uma redução de 88.763 voos. O número de passageiros também reduziu em 11,6 milhões, em relação ao mesmo período de 2019. Apesar da redução ser bastante expressiva, os dados agregados para o quadrimestre não dimensionam corretamente os efeitos da Covid-19 no setor de aviação no Brasil. O início das medidas restritivas de distanciamento social, isolamento e quarentena começaram apenas na segunda quinzena de março, dessa forma, os impactos no setor são mais evidentes no mês de abril. As fortes reduções são sentidas em todas regiões do país, conforme os dados abaixo:

aviação no Brasil

aviação no Brasil

No Nordeste, na comparação entre meses de abril/20 e abril/19, as decolagens caíram 90,8% e o número de passageiros reduziu em 94,4%. Os efeitos no setor de aviação no Brasil, fornecem uma sugestão do impacto econômico da Covid-19 na região Nordeste. Por exemplo, em 2019 só os estados da Bahia, Pernambuco e Ceará receberam mais de 350 mil turistas por vias aéreas, o que representa aproximadamente 93% do fluxo de turismo para esses estados. Na paraíba, as reduções foram de 93,3% e 92,5% nos números de decolagens e passageiros, respectivamente. Vejamos esses números através dos gráficos abaixo.

aviação

Impactos nas empresas do setor de aviação

As empresas aéreas foram igualmente atingidas. As reduções no número de decolagens caíram significativamente nas três principais empresas que atuam no mercado de voos domésticos brasileiro, Gol, Latam e Azul. Na região Nordeste, as três empresas reduziram em 92% o número de decolagens no mês de abril de 2020. Na Paraíba, ressaltamos que a empresa Azul suspendeu todas as suas decolagens.

Mesmo com um menor de número de voos, o que reduziu a oferta de assentos em 91,4%, a taxa de ocupação das aeronaves (razão entre oferta de assentos e assentos ocupados) caiu 16,3% na comparação entre abril/20 e abril/19. Ou seja, a redução da demanda foi maior do que redução na oferta. Além disso, no mesmo período, a redução na taxa de ocupação no Nordeste foi 24,74% e na Paraíba foi 6,32%.

Essa elevada contração no mercado provocou uma quebra nos preços das ações das três companhias aéreas que dominam o mercado de voos domésticos no país. Destacamos que a redução nos preços começa no mesmo dia que o Brasil registrou oficialmente seu primeiro caso de Covid-19, ou seja, no dia 26 de fevereiro de 2020, como destacado na linha perpendicular ao eixo x no gráfico abaixo. A Latam S/A, empresa que transportou 35,6% dos passageiros dos voos domésticos no primeiro quadrimestre de 2020 viu o preço de suas ações caírem de US$ 9,82 (em 31 de abril de 2019) para US$ 3,80 (em 31 de abril de 2020).

Recuperação do setor de aviação

A reabertura das atividades econômicas e o fim das medidas mais drásticas de contenção da Covid-19 podem reaquecer a demanda e melhorar o desempenho do setor. Entretanto, a expectativa de recuperação da economia não é a mais animadora e a recessão no setor pode demorar mais do que as empresas possam suportar. Para além da esperada recuperação econômica, as empresas aéreas negociam com o governo empréstimos, políticas de subsídios e suspensão de cobranças de tarifas aeroportuárias.

Por fim, esta análise é de finalidade apenas quantitativa e tenta contribuir para as discussões acerca dos números recentes do setor de aviação no Brasil, dado o efeito da COVID-19. Esses dados foram retirados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC); da Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE) e Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Os valores das ações da LATAM Airlines Group obtidos a partir dos dados da NYSE foram devidamente convertidos em reais, a fim de deixar o valor de todas as ações na mesma moeda.

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