19/02/2020 às 5:00

Economia e Política: o mercado de trabalho um ano depois

Felipe Pontes Felipe Pontes

Por Wilson F. Menezes, Professor de Economia na UFBA

 

Uma desvalorização do Real face ao dólar torna os produtos brasileiros relativamente mais baratos para o resto do mundo. Significa dizer que uma desvalorização cambial provoca um incentivo às nossas exportações. Isso é muito bom, notadamente quando se sabe que a economia brasileira vem padecendo, nos últimos anos, de fraco crescimento ou mesmo crescimento negativo de seu PIB. 

Para tanto, tem-se toda nossa produção de commodities e uma elevada capacidade ociosa que podem ser exploradas por um crescimento das exportações, sem risco de elevar os preços internos. Isso porque, grosso modo, essa ociosidade pode ser acionada no curtíssimo prazo, sem a necessidade imediata de investimentos. O preço da carne, por exemplo, aumentou face a uma maior demanda externa, mas foi automaticamente regulado no curto prazo, de sorte que ninguém fala mais desse problema.

Outro efeito da desvalorização do Real frente ao dólar aparece no encarecimento das importações. Ora, no âmbito da produção, com capacidade ociosa, não há necessidade imediata de importação de máquinas e equipamentos; por outro lado, no que diz respeito aos bens de consumo, a desvalorização do Real também provoca uma diminuição da respectiva importação. 

Exportações em alta e importações em baixa, claro que aciona uma melhoria na nossa balança comercial, com notórios benefícios à economia brasileira.

Daí a dica de Paulo Guedes: vamos explorar nosso turismo interno ao invés de perdermos divisas no mercado internacional. Mas, enquanto o sábio aponta o Sol, o idiota apenas vê o dedo. E a idiotia viu o dedo da discriminação. Paciência tem limite. Muitas coisas interessantes e importantes têm acontecido no país, mas a extrema-imprensa só vê as próximas eleições, atropelando a tudo e a todos com jargões raciais e de gênero, ou mesmo atribuindo ações inexistentes aos ministros e mesmo ao Presidente. 

É incrível, o atual governo tem apenas um ano, mas o futuro fica mais “importante” que o presente, sem perceber que um depende do outro. 

Além do mais, a ignorância funcional de nossos jornalistas e repórteres impede a percepção de que todos são iguais diante do consumo. Afinal, o preço que uma firma recebe por qualquer produto ou serviço é o mesmo, seja o comprador mais rico ou mais pobre. 

Uma passagem de avião para Miami tem o mesmo preço para uma doméstica ou para o Príncipe (não o moderno), logo nesse momento os dois são iguais para a companhia de aviação. Assim, encontrar discriminação em uma expressão menor dentro de todo um raciocínio é tirar leite de pedra ou má fé, não fosse a funcionalidade analfabética desses interlocutores.

O fato é que a economia brasileira vem dando fortes sinais de recuperação, fato esse já perceptível no mercado de trabalho.

Em 24 de janeiro do ano passado, publiquei um artigo sobre a conjuntura desse mercado no Brasil. Naquele momento, apresentamos as principais informações sobre as condições de funcionamento do mercado de trabalho a serem enfrentadas pelo atual governo, ao tempo em que fixei uma espécie de encontro marcado para que se pudesse fazer uma avaliação após um ano de governo. É chegada a hora.

Nesse artigo, foram considerados três indicadores básicos de avaliação do mercado de trabalho: 

1) a taxa de participação, medida do grau de pressão da força ativa de trabalho sobre o mercado de trabalho, estimada pela relação entre a população economicamente ativa (ocupados e desempregados) e a população em idade ativa (16 anos e mais); 

2) a taxa de desemprego, que mensura a relação entre os desempregados e a população economicamente ativa; e 

3) os rendimentos médios dos ocupados.

A taxa de participação brasileira, conforme dados da PNAD Contínua, foi estimada em 61,7% para o terceiro trimestre de 2019 (tendo sido de 62,9% em novembro de 2018). Esse indicador flutua ao sabor da economia, mas também em decorrência das variações e condições demográficas. 

As dificuldades econômicas ainda são muito grandes para se enfrentar questões relativas à empregabilidade e à demografia. Isso porque muitas pessoas continuam a sair do mercado de trabalho, além dos problemas relativos ao envelhecimento populacional e à inatividade econômica em plena idade ativa. O número de pessoas desalentadas diminuiu, mesmo assim ainda se tem 4,6 milhões de pessoas nessa condição.

A taxa de desemprego, que em novembro de 2018 foi estimada, ainda pela PNAD Contínua, em 11,7%, representando uma população de 12,4 milhões de desempregados. Essa taxa ficou em uma média de 11,9% para todo o ano de 2019, tendo alcançado 11,0% no último trimestre desse mesmo ano. 

Uma melhora, portanto, ainda que tênue quando se sabe que ainda temos 11,6 milhões de pessoas desempregadas. Mesmo assim, tem-se que o emprego formal, aquele com carteira de trabalho assinada, correspondia a 33,7 milhões de pessoas no último trimestre de 2019. 

Em relação ao último trimestre de 2018, esse número significou um acréscimo de 726 mil pessoas a mais no mercado, ou seja, 2,2% a mais. No último trimestre de 2019, sempre em relação ao trimestre julho-setembro, destacam-se os setores de atividades econômicas que tiveram aumentos em seus contingentes de ocupados: 

  • Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (2,1%, que corresponde a mais 376 mil pessoas); 
  • Alojamento e alimentação (3,3%, ou mais 179 mil pessoas); e 
  • Outros serviços (3,0%, ou mais 151 mil pessoas).

A informalidade continua bastante elevada, isso porque ainda se tem mais de 38 milhões de pessoas na condição de ocupação informal, ou seja, sem carteira de trabalho assinada ou pequenos empregadores sem a formalização de seus negócios, além de trabalhadores por conta própria e trabalhadores familiares que auxiliam a atividade econômica da família. Isso representa 41,1% de toda a força de trabalho do país, sem dúvida um percentual expressivo.

Dados fornecidos pela PNAD Contínua permitem informar que, no trimestre findo em outubro de 2018, o rendimento médio mensal estimado foi de R$ 2.149. Esse rendimento médio ficou em R$ 2.317,00 no trimestre de agosto a outubro de 2019, um aumento de 7,8%. Um resultado muito positivo

Podemos dizer que o ano de 2019 foi bom para o emprego no Brasil? 

Considerando o contexto dos últimos anos, certamente a resposta é sim, o mercado de trabalho melhorou ao longo de 2019, embora muito ainda tenha que ser feito. Mas as demissões diminuíram e as contratações aumentaram um pouco. 2019 pode, portanto, ser considerado como o ano do início da recuperação econômica, mesmo porque esse foi o primeiro ano, desde 2014, em que consistentemente geramos mais empregos.

Felipe Pontes

Felipe Pontes

Diretor Educacional do TradersClub

Doutor em Contabilidade com foco em informações contábeis para o mercado de capitais pelo Programa UnB/UFPB/UFRN.
Professor de Contabilidade e Valuation.
Gestor de Clube de Investimento.

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