17/04/2020 às 9:57

Covid-19 e a pós-economia

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Em mais um texto de opinião, o Professor Paulo Amilton Maia Leite Filho, do Departamento de Economia da UFPB, fala sobre as mudanças que o Covid-19 trará para a economia, dado que o comportamento das pessoas deverá mudar.

A “Escolha de Sofia” com o Covid-19

Existe um debate entre alguns economistas que estou denominando de escolha de Sofia.

Como já falei aqui no TradersClub, este termo foi cunhado por conta de um filme estrelado por Meryl Streep cujo título era justamente “A Escolha de Sofia”.

Neste filme, o personagem Sofia enfrenta um dilema ao ter que fazer uma escolha difícil. Mas, um oficial nazista coloca as seguintes alternativas:

  1. Escolher entre a morte de um dos dois filhos
  2. Ou, se não fizer a escolha, o oficial mataria os dois

Portanto, muitos afirmam que a escolha entre o isolamento social e a abertura da economia seria um tipo de escolha de Sofia.

Hoje eu não quero falar mais sobre isto, mas no que eu acho que será a economia se o isolamento for da maneira que o atual presidente da república imagina que deva ser.

A Profecia de Bill Gates e as mudanças da economia

No meu entendimento, se a profecia de Bill Gates estiver correta, que previu que a humanidade irá morrer de uma pandemia provocada por um vírus letal, este Covid-19 será apenas mais um vírus com capacidade de criar uma pandemia e teremos outros cada vez piores.

Basta observar a sequência de poucos anos atrás:

  • Ebola
  • Gripe Aviária
  • H1N1
  • entre outros

Neste ambiente de incertezas, em que os agentes econômicos não têm a menor ideia de qual é a probabilidade de escapar ou não de uma doença, a economia nunca mais será a mesma.

Portanto, vamos imaginar as seguintes atividades bem simplórias para evidenciar minha opinião:

  • Grandes eventos como jogos de futebol
  • Consultas médicas em consultórios com sala de espera pequena

Mudanças na economia com o Covid-19

O Covid-19 deverá afetar os grandes eventos esportivos?

Daqui em diante será que muitos terão coragem de ir a um jogo de futebol, ou qualquer outro jogo de qualquer atividade esportiva, e ficar numa arquibancada com pessoas bem coladas e esperar que elas gritem gol, cesta, ou o que for, e veem jogar a saliva no ar? Mesmo com o que passamos com o Covid-19?

Além disso, será que as pessoas voltarão a ter coragem de ir a um restaurante, como aqueles que ficam nos mercados públicos, em que as mesas ficam tão coladas umas nas outras que quase dá para uma pessoa pegar o prato da mesa vizinha e levar para sua mesa?

E as escolas? Será que haverá coragem de colocar um filho numa escola que tem mais de 40 alunos em salas pequenas e as bancas de estudos ficam bem perto uma das outras? Ou iremos num bar beber sem saber como os copos são limpos? Ou ir para um parque de diversão em Orlando e enfrentar uma fila enorme com todos uns colocados nos outros?

Ele vai afetar o atendimento em consultórios médicos?

Frequentemente vamos a um consultório médico que fica num prédio construído para exatamente abrigar consultórios e que as salas de espera sejam minúsculas e apinhadas de gente por que as consultas pagas pelos planos de saúde só permitem que os consultórios sejam viáveis se atenderem por dia um quantitativo enorme de pacientes?

Ou frequentar um shopping Center num domingo que terá muita gente e sem possuir janelas? Ambiente bem propício para disseminação de vírus como o Covid-19.

Esses são exemplos comezinhos, do dia a dia de um cidadão comum. Mas, vamos para situações maiores: a China é a única culpa por tudo isso que passamos na economia com o Covid-19?

 A China e a fábrica do mundo

Muitos afirmam que o Covid-19 é um vírus chinês e que a culpa é toda da China.

Mas pensem bem: a China não se tornou a fábrica do mundo porque pediu, mas porque tem custos de produção menores.

A economia chinesa concentra 93% da produção de todos os respiradores usados em um UTI no mundo. Na produção de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) detém quase 95%.

Se um governador, prefeito ou secretários de saúde tivessem a atitude de comprar um EPI ou respirador nacional com a justificativa de promover a indústria nacional teria na porta de sua casa às 5:00 a Polícia Federal porque o ministério público de todo tipo estaria acusando-o de malversação de verbas públicas

Ou seja, o tomador de decisão teria sua reputação como gestor público arruinada por acusações de corrupção porque comprou um equipamento a custos maiores.

 E as empresas que têm fábricas na China?

A concentração de enormes blocos de produção na China não foi uma obra do acaso.

Várias grandes empresas do mundo todo têm na China um elo importantíssimo de suas cadeias de produção, notadamente a eletrônica e a automotiva. O futuro do carro elétrico estava na China antes da pandemia.

Tudo isto será contestado a partir de agora. O nacionalismo econômico ficará em voga!

Após o Covid-19, o nacionalismo na economia imporá ao consumidor interno um preço maior. Por quê?

  • Estruturas de custos serão maiores
  • Produtos serão tecnologicamente piores

Conclusão sobre o Covid-19 e a Pós-Economia

Sabendo que provavelmente seremos tecnologicamente prejudicados com um aumento do nacionalismo na economia, após o Covid-19… poderemos ter algumas alternativas.

Os centros de pesquisa e desenvolvimento serão obrigatoriamente internalizados nas economia nacional, os institutos de pesquisa, que no Brasil se concentram muito nas Universidades Federais, terão que ser apoiados para trazer resultados de pesquisa e desenvolvimento.

Sendo assim, o símbolo de nossos equipamentos eletrônicos não serão mais maçãs, como nos equipamentos da americana Apple,  mas uma jabuticaba, que é genuinamente brasileira.

Dessa forma, em resumo, teremos custos de produção maiores, produtos piores com preços maiores.

Por Fim, a pós-economia do Covid-19 não será a mesma. Espero que esteja vivo para ver.

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