Socorro! Minha carteira não rende há 3 meses. O que devo fazer? - TC School

14/05/2019 às 14:35

10 – Socorro! Minha carteira não rende há 3 meses. O que devo fazer?

João Pedro Araújo João Pedro Araújo

Muitos investidores questionam sobre a rentabilidade das suas carteiras em 2019. A maioria dos comentários são parecidos: “A rentabilidade não está boa. O que posso mudar?”

Por natureza o instinto animal é avesso a risco. Sempre, ao se deparar com uma situação de risco ele procura por segurança. Animais em situação de perigo se escondem em buracos, tocas ou cavernas. Ao dormir, a maioria dos animais, se encolhe em posição fetal, pois entende estar mais vulnerável e quer se proteger.

No mercado de investimentos não seria diferente. Ao montar uma carteira o investidor possui uma expectativa. Se a realidade for diferente da sua expectativa, o investidor se sente incomodado. A maioria esmagadora das perdas e frustações não são por causa do investimento ser ruim, mas sim possuir uma expectativa diferente da realidade.

Uma situação muito comum é o investidor querer realizar investimentos de alto risco para buscar rentabilidade maior. Só que ao investir se depara com rentabilidade negativa e resgata seu dinheiro. Resultando em uma perda. Nesse caso:

Expectativa do investidor:
Alto risco = alta rentabilidade.

Realidade:
Alto risco = normalmente, alta rentabilidade no longo prazo e oscilações no curto prazo. Este curto prazo as vezes pode durar anos.

Nosso trabalho aqui na Hoa, como gestores de investimentos, é auxiliar os investidores a criar as melhores estratégias de acordo com a expectativa de cada um. Vamos a um exemplo prático: Você investiria nesse fundo?


Figura 1: Fundo de ações – Alaska Black BDR 1

Em 4 anos e 9 meses o fundo obteve uma rentabilidade de -46% enquanto o CDI, referência de mercado, foi de 64%. Ao analisar apenas por esse fator, parece ser um péssimo fundo para se investir. Ocorre que analisar apenas por este fator está errado! Para analisar se o investimento é bom ou ruim, devemos fazer a seguinte pergunta:

Qual as expectativas que eu devo ter com esse investimento? (risco, retorno e prazo)

As respostas podem ser as mais diversas. Se for um fundo de renda fixa de curto prazo, a expectativa é render mais do que o CDI, mês a mês. No exemplo do gráfico, se trata de um fundo de ações. Esses fundos investem em empresas. Empresas possuem longos ciclos e o fundo em questão também possui expectativa de rentabilidade de longo prazo. Observe a continuação da rentabilidade do gráfico abaixo:


Figura 2: Fundo de ações Alaska Black BDR I

Após 7 anos e 4 meses o investidor obteria uma rentabilidade mais do que o dobro da renda fixa. As expetativas para este investimento são: alta rentabilidade, alto risco e longo prazo (maior do que 5 anos). Após responder a pergunta do que esperar do investimento o investidor deve se perguntar:

Minhas expectativas estão alinhadas com as expectativas do investimento?

Por exemplo: minha expectativa é investir para viajar em 6 meses. Minha expectativa é poupar para aposentadoria, atualmente tenho 20 anos. Alinhando suas expectativas com os investimentos adequados. A chance de se frustrar com o investimento é menor.

Mas e aí, agora que caiu. É hora de vender?

Para ganhar dinheiro você precisa comprar barato e vender caro. Simples assim. Muitas vezes nosso instinto nos manda fazer exatamente o oposto. Quando as coisas vão mal, queremos nos livrar o mais rápido possível e quando vão bem queremos entrar com tudo. Exatamente o oposto do que deveríamos fazer. A economia e os investimentos andam em ciclos. Oscilando entre momentos positivos e negativos. Veja o exemplo abaixo. Dois investidores começam com uma carteira de R$10.000 cada. Um deles seguirá seu instinto, sempre que as coisas forem mal ele irá sair da aplicação, e quando forem bem, irá entrar com tudo. Já o outro investidor irá sair do investimento quando as coisas estiverem indo bem e entrará quando a situação estiver feia.

O resultado do investidor que comprou barato e vendeu caro foi 34x maior do que o investidor que seguiu seu instinto. Isto considerando que os dois investidores só compravam e os dois estavam no mesmo ciclo econômico. Até o resultado de se o investidor comprasse e não fizesse mais nada, seria muito melhor do que se seguisse seu instinto.

A realidade é diferente do ideal e este pode ser um dos motivos da maioria dos investidores perderem dinheiro quando investem em renda variável. O gráfico abaixo compara o desempenho do índice Bovespa com as aplicações em fundos de ações. Foram extraídos 3 momentos do ciclo. Dois momentos de alta e um momento de baixa. Repare que os investidores normalmente resgatam suas aplicações em momentos de baixa e aplicam em momentos de alta, exatamente igual ao nosso exemplo.

Conforme pudemos observar, em muitas situações devemos agir contrariamente ao nosso instinto. Uma ferramenta para lhe auxiliar a escolher os melhores momentos de entrar ou sair de um investimento funciona em 2 etapas:

I. Defina suas perspectivas (objetivos): risco, retorno e horizonte de tempo
II. Busque carteiras de investimentos que possuam a mesma perspectiva que a sua:

a. Risco: estou de acordo com os riscos que esta carteira assume?
b. Retorno: esta carteira possui o retorno que eu espero?
c. Horizonte de tempo: o horizonte de tempo do meu objetivo está dentro do horizonte de tempo do investimento?

Como efeito prático vamos a 2 exemplos:

A) Perspectivas: comprar um carro em 1 ano com pouco risco.
Investimento: CDB 115% do CDI
Risco: baixo com garantia do FGC (OK!)
Retorno: baixo (OK!)
Horizonte de tempo: 2 anos (NÃO OK!)

Neste caso o investimento não está de acordo com as perspectivas do investidor.

B) Perspectivas: rendimento alto e para longo prazo para aposentadoria. Nunca investiu em ações.
Investimento: Bolsa de valores
Risco: alto (investidor necessita estudar para entender os riscos)
Retorno: alto (OK!)
Horizonte de tempo: longo prazo (está em linha com o investidor, porém ele necessita estudar o investimento para entender se é isto mesmo que ele quer.)

Muitos investimentos se mostram vantajosos ao longo do tempo e mesmo assim diversas pessoas que entraram neste investimento saíram com prejuízo por causa deste erro. Desta forma você diminui as chances de tomar um prejuízo por escolher erroneamente um investimento.

João Pedro Araújo

João Pedro Araújo

Hoa Asset Management

João Pedro Araujo é gestor de recursos e fundador da Hoa Asset Management. João é engenheiro civil, pós-graduado em Mercado Financeiro e possui certificação de gestores Anbima (CGA). A Hoa atua no planejamento de gestão patrimonial para famílias e indivíduos. Caso queira entrar em contato, envie um e-mail para: joao.araujo@hoaasset.com

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