02/05/2020 às 9:32

Sell in May and Go Away funciona no Brasil?

TC School TC School

Será que vale a pena investir todos os meses? Será que não existem meses onde os retornos são baixos? Se eles existirem, será que eu não poderia vender tudo, proteger meu capital e só voltar quando as coisas voltarem a subir? Muita gente pensa nisso quando escuta o famoso Sell in May and Go Away.

Provavelmente, você já se fez essas perguntas. São perguntas que emergem naturalmente, visto que os ativos nos mercados de renda variável sobem e descem todo o tempo.

Sendo assim, talvez seja uma boa ideia procurar padrões de retorno que evitem a exposição nos mercados de baixa – para evirar os retornos negativos – e aumente a exposição em mercados de alta – para obter os retornos positivos.

Sell in May and Go Away

Entenda tudo sobre Mercado de Ações:

  1. Follow-On: Como funciona a oferta de novas ações
  2. Investimento em ações: uma poderosa ferramenta de geração de riqueza
  3. As formas de se ganhar investindo em ações: valorização do preço e dividendos

Introdução ao Sell in May and Go Away

Sabendo disto, neste texto vamos falar sobre um dos padrões mais conhecidos nos mercados: o Sell in May & Go Away.

Em resumo, o Sell in May and Go Away é um padrão observado nos retornos do mercado de ações dos EUA, que tende a apresentar um baixo rendimento entre os meses de maio até outubro.

Durante este período, o investidor poderia vender todas as suas ações, colocar o dinheiro em títulos de curto prazo, e depois recomprar tudo em agosto. Ao fazer isso, ele teria um retorno maior que o mercado de ações no geral.

Mas será que isso serve para o Brasil? Neste artigo, vamos nos debruçar sobre essas questões para tentar obter uma resposta. O sumário do trabalho está exposto abaixo.

  1. Introdução às Anomalias de Mercado
  2. Sell in May and Go Away
  3. Sell in May funciona no Brasil?
  4. Conclusão

O Primeiro tópico é mais teórico, enquanto os tópicos 2 e 3 são aplicados. Caso o leitor queira ler apenas a aplicação (o que eu não recomendo), ele poderá pular diretamente para o tópico 2.

Boa leitura!

Entenda a Ideia das Anomalias de Mercado

As anomalias do mercado são padrões de retorno que não podem ser explicados pela hipótese dos mercados eficientes (HME).

Ou seja, uma anomalia de mercado acontece quando uma ação, ou carteira de ações, apresenta um retorno diferente do que era previsto pelo seu nível de risco assumido. Segundo a teoria, os preços estão na maior parte do tempo certos e representam as expectativas dos investidores quanto aos retornos esperados das ações.

Então, no geral, é esperado que uma ação muito arriscada tenha retornos esperados maiores que os retornos esperados de uma ação pouco arriscada. Quando isso não ocorre, temos uma evidência que vai contra a teoria.

Quer um exemplo prático de anomalia de mercado? Vamos lá!

Imagine que estejamos em 2019 e você decida montar uma carteira com ações cujo código de negociação contenha a letra Z (Isso é um exercício hipotético, já que não temos uma quantidade aceitável de ações com a letra Z para montar uma carteira diversificada).

Assim, após comprar 100 ações para tal carteira, você foi viver a sua vida e, após um ano, você foi olhar o rendimento dela. Os resultados são expostos abaixo na Figura 1. Simulamos um investimento de R$ 10.000,00.

 

Certamente, qualquer pessoa que visse o desempenho desta carteira, tomaria um susto! A carteira montada com letras Z apresentou um retorno anual de 133,42%. Já o IBrX 100, apresentou um retorno de 34,79%.

Porém, isso não quer dizer muito, já que a carteira Z pode ser mais arriscada. Ou seja, poderíamos ter escolhido ações que são mais arriscadas que o mercado e, em um mercado de alta, elas subiram mais por apresentarem mais risco.

Igualmente, para saber se a carteira é mais arriscada que o mercado, vamos olhar os desvios padrão da Carteira Z e do IBrX 100. Essa é uma medida de risco total. Em adição, vamos calcular uma medida de exposição ao risco sistemático, o Beta.

Neste caso, com o Beta, estamos mensurando a sensibilidade dos retornos da Carteira Z com os retornos no mercado de ações, representado pelo IBrX 100.

Veja mais sobre a relação entre risco e retorno no nosso artigo “Teoria das Carteiras e Análise de Investimentos: Alpha, Sharpe e Sortino”.

Retornos da carteira simulada contra o IBrX 100

Os resultados são expostos na Tabela 1 e, conforme observado, temos um padrão muito estranho aqui! Os retornos da carteira Z foramquase 3,85x maiores!

Isso seria normal, caso o risco da carteira também fosse muito alto. Porém, podemos ver que esse não é o caso. O Desvio Padrão da Carteira Z é ligeiramente maior, mas não é o triplo do mercado.

Já o beta, que presenta o risco explicado pelas variações do mercado, é bem menor!

Assim, ao dividirmos os retornos pelas medidas de risco, temos uma visão do quanto a Carteira Z performou melhor que o mercado. Isso é um indicativo de retorno anormal.

Tabela 1 – Retornos e Medidas de Risco

análise do desempenho de uma carteira

E eu com isso?

Acontece que ao longo dos anos, diversas pessoas decidiram procurar padrões similares ao da nossa carteira simulada: alto retorno e baixo risco.

No geral, quando eles são encontrados, é provável que desapareçam, já que todo mundo vai querer investir em um carteira que tenha alto retorno e pouco risco, fazendo com que os preços se ajustem.

Por outro lado, alguns padrões continuam a surgir e desafiam o entendimento de quem estuda os mercados.

É aí que chegamos na “estratégia” do Sell in May and Go Away. A estratégia apresentada abaixo, foi amplamente discutida no mercado americano. Vamos dar uma olhada nela.

Sell in May and Go Away

O mercado de ações dos EUA é um dos mercados mais antigos do mundo. Devido à alta quantidade de dados, diversos investidores procuraram padrões nos preços das ações naquele mercado.

Setembro e outubro são meses que historicamente tiveram baixos retornos no mercado de ações americano, com muitos declínios ou quedas graves ocorrendo em outubro.

Os meses de novembro a fevereiro também tiveram historicamente retornos acima da média. Isso sugere que estratégias que evitam os meses ruins, vendendo as ações e migrando para o caixa, poderia ser uma estratégia viável.

Desta maneira, Sell in May and Go Away é uma das muitas estratégias que buscam realizar esse market timing e evitar os meses ruins do mercado de ações.

A estratégia do Sell in May and Go Away consiste em quatro passos:

  1. Vender as ações no 1º dia útil de Maio de cada ano;
  2. Alocar o capital em Caixa ou em Títulos de curto prazo, rendendo juros;
  3. Recomprar as ações no 6º dia de negociação antes do final de Outubro (Obs: em alguns casos, podemos simplificar iniciando a recompra em novembro);
  4. Repetir isso anualmente.

Resultados da estratégia Sell in May x Buy and Hold no S&P 500

A Figura 2 apresenta a comparação dos retornos Buy and Hold e da estratégia Sell in May and Go Away, ambas aplicadas no índice S&P 500. Os dados foram extraídos do livro de anomalias de Leonard Zacks.

Figura 2 – Sell in May & Go Away vs. Buy & Hold no S&P 500

sell in may and go away versus buy and hold sp500

Já a Figura 3 apresenta a mesma comparação, porém usando o índice Russell 2000, o qual agrega as 2000 maiores ações do mercado dos EUA.

Figura 3 – Sell in May & Go Away vs. Buy & Hold no Russell 2000

Sell in May and Go Away vs Buy and Hold no Russell 2000

Qual é a explicação para os resultados da estratégia Sell in May and Go Away versus Buy and Hold?

Existem três possíveis explicações. Mas ambas são fracas:

Férias

Essa explicação afirma que o período de férias é uma causa potencial do efeito Sell in May and Go Away, sugerindo que o período de férias de verão pode causar variação temporal no apetite por risco nos países do hemisfério norte.

No entanto, o efeito sell-in-may também foi observado em países do hemisfério sul, que apresentam período de férias diferente dos países do hemisfério norte (Bouman & Jacobsen, 2002).

Transtorno Afetivo Sazonal (Seasonal Affective Disorder – SAD)

Outra explicação da existência do Sell in May está entre uma associação com relação aos baixos retornos e o Transtorno Afetivo Sazonal.

A SAD é um distúrbio no qual os dias mais curtos e relativamente sem sol do outono e inverno causam depressão, o que algumas pesquisas recentes apontam para uma falta de vontade de correr riscos.

Porém, assim como na hipótese do período de férias, a SAD é insuficiente para explicar o Sell in May, porque a SAD geralmente começa em setembro.

Portanto, os retornos historicamente altos de novembro não podem ser explicados por este motivo (Kamstra, Kramer, & Levi, 2003).

Otimismo Exagerado

Uma explicação mais recente afirma que, no quarto trimestre de cada ano, os investidores estão excessivamente otimistas em relação ao próximo ano.

Esse otimismo excessivo leva a retornos iniciais atraentes, seguidos por um realismo renovado que reajusta as expectativas, gerando um período onde o mercado anda de lado.

Segundo os defensores desta explicação, o fenômeno é baseado em um aspecto da psicologia humana e faz com que os investidores repitam tal processo a cada ano (Doeswijk, 2005).

O Sell in May and Go Away Funciona no Brasil?

Para responder a esta pergunta, nós precisamos testar. Estamos longe de montar um artigo científico aqui, mas tentaremos dividir a análise em duas etapas.

Primeiro, vamos observar os retornos mensais ao longo dos anos, desde 1994 até 2020. Buscaremos observar se os retornos são de fato menores nos meses de maio até outubro.

Em seguida, vamos aplicar essa estratégia no Ibovespa e observar os retornos de uma estratégia com Sell in May and Go Away e outra estratégia de Buy and Hold no Índice.

Analisando os retornos mensais do Ibovespa, IBrX 100 e IBrA

Vamos analisar os retornos mensais dos três principais índices de ações do mercado Brasileiro, o Ibovespa, o IBrX 100 e o IBrA.

O Ibovespa compreende aproximadamente 60 ações, no IBrX 100, possui 100 ações e o IBrA é o mais amplo com mais de 200 ações. Eles também foram criados em datas diferentes, sendo o Ibovespa o mais antigo.

Falamos mais sobre os índices de ações do mercado brasileiro no nosso artigo “Índices do Mercado de Ações Brasileiro: entenda o Ibovespa, IBrX e IBrA”.

As Tabelas 2, 3 e 4 apresentam, respectivamente, os retornos mensais do IBovespa, IBrx 100 e IBrA. Também apresentamos a média e a mediana dos retornos mensais, assim como o seu desvio padrão.

  • Retornos mensais do Ibovespa de 1995 a 2020

Tabela 2 – Retornos mensais do Ibovespa

retornos mensais do ibovespa

  • Retornos mensais do IBrX 100 de 1996 a 2020

Tabela 3 – Retornos mensais do IBrX 100

  • Retornos mensais do IBrA de 2006 a 2020

Tabela 4 – Retornos mensais do IBrA

retornos mensais do ibra

Note que, por ser mais recente, o IBrA apresenta estatísticas diferentes dos demais, já que compreende um período diferente do mercado nacional.

No geral, podemos ver que o mês de Maio apresentou as menores médias e medianas, mesmo considerando os períodos mais recentes (o caso do IBrA).

Por outro lado, segundo nossa análise, os melhores meses foram novembro e dezembro, para o Ibovespa e o IBrX 100, e Abril, Julho e Dezembro para o IBrA.

 Uma outra visão sobre os retornos mensais das ações no Brasil

Admitimos que as Tabelas da seção anterior dificultam a visualização dos dados relativos a um possível efeito Sell in May and Go Away. Por isso, fizemos a Tabela 5 que compila os melhores e piores meses da nossa amostra de retornos para o Brasil.

Os melhores meses para o Ibovespa foram abril, novembro, dezembro e janeiro. Essa classificação é similar no IBrX 100, já que eles possuem períodos similares e concentram ações em comum.

Por outro lado, as coisas mudam um pouco no caso do IBrA. Em Amarelo estão os meses que são incluídos no Sell in May and Go Away. É possível perceber que os meses que estão no intervalo do Sell in May (Maio até Outubro) estão nos piores rankings.

Tabela 5 – Ranking dos retornos mensais do Ibovespa, IBrX e IBrA

Ranking dos retornos mensais do Ibovespa, IBrX e IBrA

Qual é o retorno acumulado da estratégia Sell in May em relação ao não Sell in May?

Na Tabela 6, nós fizemos a seguinte análise: qual é a média do retorno acumulado nos meses dentro do Sell in May em comparação com os meses fora do Sell in May?

Lembrando que os meses dentro do Sell in May são os meses dentro do intervalo de maio a outubro e os meses fora do período Sell in May estão dentro do intervalo de novembro até abril – ou seja, começa num ano “t” e termina no outro ano “t+1”.

Os resultados indicam que a média dos retornos acumulados é maior no período fora do Sell in May.

Tabela 6 – Comparação dos Retornos Acumulados dentro e fora do Sell in May

estratégia sell in may no brasil

Parece bom né? Então vamos recapitular o que fizemos até agora para analisar os dados de uma possível estratégia relacionada ao famoso ditado Sell in May and Go Away:

  1. Nós mostramos os meses com menores retornos de 1995 até 2020
  2. Fizemos um ranking dos meses e o retorno dentro e fora do Sell in May para o Ibovespa, IBrX e IBrA.

Mas como seria caso investíssemos nessa estratégia? Vamos ver isso no próximo tópico.

Simulando a estratégia Sell in May and Go Away para o Ibovespa

Abaixo, simulamos um investimento na estratégia do Sell in May and Go Away no índice Ibovespa. Usamos um índice para evitar o viés de seleção:

  • Poderíamos escolher empresas que desempenharam melhor que o mercado e isso não seria uma análise justa.
  • Usamos o IBovespa por ser o índice mais antigo e com maior quantidade de dados.

A ideia da análise está resumida nos próximos tópicos, para que você possa tentar replicá-la de outras maneiras (compartilha conosco!).

A Estratégia do Sell in May para Ibovespa

  • Começando em Janeiro de 1995, o investidor compra uma carteira de ações que representa o Ibovespa por R$ 100,00;
  • No primeiro dia de Maio de 1995, ele vende a carteira de ações, pega o capital e aloca na Selic (Tesouro LFT). Ele permanecerá com o capital investido na Selic até o final de outubro.
  • Em Novembro de 1995, o investidor compra o índice novamente e permanece até Abril do ano seguinte.
  • Esse processo é repetido todo ano (o investidor vende as ações em Maio, aloca na Selic, recompra com Novembro).

Algumas premissas usadas na análise

  • O Investidor não realiza novos aportes. Fizemos isso para simular apenas o crescimento da estratégia e para não precisar ajustar os aportes com a inflação;
  • Não consideramos a tributação, para simplificação e melhor entendimento da análise;
  • Não contamos custos de corretagem, também por simplificação para melhor entendimento da análise. Fizemos isso para evitar o calculo médio de cada corretora.

Resultados da Estratégia Sell in May and Go Away no Brasil

Os resultados da análise estão expostos no gráfico abaixo (Figura 4). Percebe-se que a estratégia foi muito bem sucedida no horizonte de tempo analisado e dadas as premissas adotadas.

Usamos a escala log e a escala aritmética para mostrar os resultados. SMGA quer dizer Sell in May and Go Away.

Figura 4.1 – Resultado da Estratégia Sell in May em Log

resultado estratégia sell in may em log

Figura 4.2 – Resultado da Estratégia Sell in May em Escala Aritmética

resultado estratégia sell in may em artimética

A Tabela 7 apresenta o resumo do retorno total, o retorno médio e o desvio padrão anual no período.

Podemos ver que a estratégia desempenhou bem no Brasil, dadas as premissas adotadas neste estudo. Por fim, para os mais detalhes, terminamos a análise apresentando um comparativo anual das duas estratégias, na última coluna da tabela abaixo.

Tabela 7 – Comparação Geral e Anual do B&H Ibovespa vs SMGA

comparação da estratégia buy and hold com sell in may and go away

Testes de sensibilidade da estratégia Sell in May

Nesta seção nós acrescentamos as seguintes análises adicionais:

  1. Efeito da tributação, novos aportes e corretagem
  2. Efeito da diversificação

Tributação, novos aportes e corretagem

Algumas pessoas podem questionar os resultados apresentados até agora e isso é justo, já que não consideramos novos aportes, nem a tributação e as taxas de corretagem. Para contornar tais limitações, refizemos a análise, considerando, primeiramente, duas premissas adicionais (1 e 2). Em seguida, realizamos outra analise mostrando o que aconteceria se o investidor aplicasse R$ 100,00 toda vez que realiza a rotação da sua carteira (premissa 3):

  • Corretagem: toda vez que o investidor realiza uma operação de compra ou venda, ele deve pagar 1% do valor em taxa de corretagem, para a nossa análise. Isso vale para a compra e para a venda. Admitimos que essa taxa está bastante alta, mas faz parte do conservadorismo da análise.

  • Tributação: assumimos uma tributação de ganho de capital de 15%, que sempre ocorre quando existe a venda dos títulos ou do índice com lucro.
  • Novos aportes: novos aportes são feitos sempre que existe rotação. Ou seja, tanto aumentando a parcela em ações, quanto a parcela em títulos. O mesmo foi feito no Índice Bovespa.

A Figura 5, abaixo, apresenta o que aconteceria se seguíssemos as duas primeiras premissas. A estratégia do Sell in May sofreria bastante com a tributação e a taxa de corretagem. Porém, mesmo considerando uma alta taxa de corretagem – que, no nosso exemplo, é variável e, consequentemente, bem acima do real – e mesmo considerando a tributação de 15% sobre o ganho de capital, temos um retorno maior da estratégia do Sell in May (SMGA).

sell in may ibovespa

sell in may ibovespa considerando custos de transação log

O montante final foi de R$ 2.454,16 para a estratégia do Sell in May, contra R$ 1.891,16 do Ibovespa. Novamente, decidimos apresentar os resultados em escala aritmética e escala log (Figura 5.1 e 5.2).

Agora vamos olhar o que aconteceria caso o investidor realizasse aportes de R$ 100,00 toda vez que ele realiza a rolagem da carteira. Os resultados são expostos na Figura 6 (6.1 com escala aritmética e 6.2 com escala log). Novamente, ao considerarmos os aportes, a estratégia do Sell in May apresentou um retorno maior do que o Buy & Hold no índice.

ell in may ibovespa considerando custos de transação novos aportes

sell in may ibovespa considerando custos de transação novos aportes log

 Diversificação na estratégia Sell in May 

Conforme apresentado até agora, a estratégia Sell in May apresenta maiores retornos do que o simples buy and hold no índice. Porém, ao considerar os custos de corretagem e impostos, a maior parte dos retornos vai para as corretoras e para o governo em forma de impostos.

Por falar em diversificação, leia mais sobre isso no nosso artigo “Dessa vez é diferente? O poder da diversificação em tempo de crise”.

Talvez, seja lógico fazer a seguinte pergunta:

se eu vou ficar com metade do tempo investindo na renda fixa e outra metade em ações, não seria melhor montar uma carteira com as duas e não ficar rodando a carteira sempre? Para responder a essa pergunta, montamos uma carteira com 50% investido na Selic e 50% investido no índice Ibovespa. Os resultados são expostos na Figura 7 (7.1 em escala aritmética e 7.2 em escala log).

sell in may ibovespa considerando custos de transação novos aportes diversificação

sell in may ibovespa considerando custos de transação novos aportes diversificação log

Percebe-se que na maior parte do tempo, a estratégia diversificada não apresentou os maiores retornos e perdeu para a Sell in May até recentemente. Porém, como 50% do capital estava em títulos, ela não sofreu tanto com a queda das ações nos meses recentes, dada a Crise do Covid-19.

Logo, se você é um investidor que não quer ficar rodando o portfólio e quer uma carteira que não possua tanta oscilação, talvez o melhor seja montar um mix de renda fixa e ações e obter resultados similares com menor risco.

Conclusões e implicações práticas sobre a estratégia Sell in May

Nesse artigo, mostramos um comparativo do Buy and Hold contra um padrão conhecido nos mercados usando o índice Ibovespa.

Admitimos que as premissas feitas para obter os resultados foram severas: sem impostos e sem custos de transação.

Porém, o padrão é evidente e mostra que a estratégia apresentou retorno acima do mercado com um nível de desvio padrão menor. Também mostramos que, até o momento, não existe unanimidade na explicação dos motivos para ela funcionar. Cabe salientar também que estamos num período de crise, bastante conturbado – recomendamos que leia este texto aqui com a opinião de profissionais do mercado sobre o que esperar para o ano.

Esperamos que este artigo sirva como um pontapé inicial para aqueles interessados no estudo do risco, retorno, anomalias e da economia financeira no geral.

Para ler outros textos similares, acompanhe os nosso textos no TC School.

Bons investimentos!

TC School

TC School

Disclaimer: Este material é produzido e distribuído somente com os propósitos de informar e educar, e representa o estado do mercado na data da publicação, sendo que as informações estão sujeitas a mudanças sem aviso prévio. Este material não constitui declaração de fato ou recomendação de investimento ou para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários. O usuário não deve utilizar as informações disponibilizadas como substitutas de suas habilidades, julgamento e experiência ao tomar decisões de investimento ou negócio. Essas informações não devem ser interpretadas como análise ou recomendação de investimentos e não há garantia de que o conteúdo apresentado será uma estratégia efetiva para os seus investimentos e, tampouco, que as informações poderão ser aplicadas em quaisquer condições de mercados. Investidores não devem substituir esses materiais por serviços de aconselhamento, acompanhamento ou recomendação de profissionais certificados e habilitados para tal função. Antes de investir, por favor considere cuidadosamente a sua tolerância ou a sua habilidade para riscos. A administradora não conduz auditoria nem assume qualquer responsabilidade de diligência (due diligence) ou de verificação independente de qualquer informação disponibilizada neste espaço. Administradora: TradersNews Informação & Educação Ltda. Todos os direitos reservados.

TradersClub

O app essencial para investidores do mercado financeiro brasileiro.

Uma comunidade com milhares de investidores, ferramentas e serviços que vão ajudar você a investir melhor!

TradersClub