12/11/2019 às 20:11

14 – Saiba como investir de forma fácil e barata em ações com ETFs

Felipe Pontes Felipe Pontes

Um Exchange-Traded Fund (ETF) é um tipo de ativo que envolve uma coleção de outros valores mobiliários – como ações, fundos imobiliários, títulos soberanos, títulos corporativos e commodities – que geralmente acompanha um índice subjacente, embora eles possam investir em vários setores da indústria (como os índices imobiliários, de títulos de curto e longo prazo)  ou usar várias estratégias (como os índices de empresas pequenas ou de empresas pagadoras de dividendos).

Os ETFs são semelhantes aos fundos de investimento comuns (fundos de Investimento em ações, fundos de investimento em renda fixa e fundos multimercado). Porém, diferente daqueles fundos, os ETFs apresentam cotação em bolsa e são negociados da mesma forma que as ações.

Os ETFs existem há mais de duas décadas (o primeiro ETF foi criado em 1993) e o seu uso é cada vez mais difundido entre pessoas físicas e investidores institucionais. Para se ter tem em mente a evolução do mercado de ETFs, a quantidade de capital alocado em ETFs globalmente totalizava US$ 417 bilhões em 2005.

Em setembro de 2017, os valores atingiram US$ 4,4 trilhões. Ou seja, um crescimento cumulativo de 21%. O gráfico abaixo apresenta a quantidade de capital investido em ETFs desde 2008 e as estimativas de 2017 até 2020.


Fonte: EY Global ETF Research 2017

 

Na figura abaixo temos um gráfico do principal índice de ações do mercado brasileiro, o Ibovespa (Ibov) e um dos principais ETFs que seguem o índice. Os índices estão na base 100 (começa com esse valor) desde 2 de janeiro de 2013.

É possível perceber que o ETF apresentou um desempenho abaixo do índice no longo prazo. Isso ocorre por causa das taxas de administração que é cobrada, por isso é muito importante que você pesquise quais são os ETFs disponíveis e quais são os mais baratos em termos de taxas de administração.

Em adição, a escolha de uma corretora que apresente taxas reduzidas de corretagem – mantendo um bom atendimento – é uma escolha importante na hora da alocação.

Além dos ETFs de índices, temos os ETFs temáticos. No Brasil, por exemplo, temos ETFs formados apenas pelas ações que fazem parte do índice small caps, ETFs formados por empresas que são boas pagadoras de dividendos (IDIV), ETFs do setor de materiais básicos (IMAT) e financeiro (IFNC), ETFs das empresas que pertencem ao índice carbono eficiente (ICO2), ETFs de empresas que apresentam os melhores níveis de governança (IGOV) e ETFs de empresas que estão no índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE).

Ainda existem, no Brasil, ETFs que seguem índices de renda fixa, como os índices IMA-B e IMAB+. E aqueles que seguem o índice americano, mas são negociados no Brasil.

 

Vantagens e Motivações: embasamento teórico com justificativa empírica

Imagine que você decide investir em um banco que promete revolucionar o mercado em que atua. Esse banco oferece tudo o que uma pessoa deseja: oferece cartões, crédito fácil e com juros baixos, não tem agência e não tem taxas. Uma beleza! Se você investir todo o seu capital neste banco e ele subir 1000%, você terá uma rentabilidade absurda. Porém, se o banco falir, você acabará com os seus recursos também.

 

Qual é a opção mais inteligente que você pode seguir?

Com certeza não é colocar todo o capital em um só lugar. Uma opção é alocar o seu dinheiro em investimentos diferentes, com baixa associação entre eles. Não adianta colocar todos os ovos em cestas separadas, mas ainda colocar uma cesta em cima da outra certo?

Caso não esteja familiarizado com o conceito de diversificação nos investimentos, veja nosso artigo sobre a Teoria Moderna do Portfólio para saber sobre a importância da diversificação.

Você pode fazer a sua diversificação por você mesmo, investindo em diversos tipos de ativos, ou delegar a um terceiro. Neste último caso, investir o seu capital em um fundo de investimento em ações ou um fundo multimercado. O gestor do fundo fará o trabalho para você – em troca de uma taxa de administração.

Mas será que o gestor do fundo acerta sempre? Como selecionar um bom fundo de investimentos? Essa é uma pergunta difícil.

Em resumo, quando os retornos são medidos antes dos custos (taxas e outras despesas), os investidores passivos recebem retornos passivos iguais ao índice de mercado, ou seja, eles não apresentam ganho acima ou abaixo do mercado – exceto pelo diferencial do custo que você tem para investir no fundo.

Com relação a isso, veja o nosso artigo sobre Teoria das Carteiras e Análise de investimentos, para aprender que bater o mercado não é apenas ter retorno acima do índice – isso se chama ter retorno acima do índice. Bater o mercado é um conceito um pouco diferente.

Porém, se o investidor desejar um retorno maior, ele deve procurar oportunidades de investimentos que estejam com preços abaixo do valor intrínseco (veja mais sobre isso na nossa série sobre análise fundamentalista) ou, simplesmente, elevar o nível de risco da sua carteira de investimentos. Isso pode ser feito ao alocar mais capital em ativos com maior risco (veja mais no nosso texto sobre Teoria Moderna das Carteiras).

A Tabela abaixo apresenta o percentual de fundos que não conseguiram superar o índice de mercado. Neste ponto, é fácil notar que bater o mercado consistentemente é um trabalho extremamente complicado: mais de 84% dos fundos de ações não superaram o índice de referência.


Fonte: S&P Dow Jones Indices LLC

 

No final, a resposta para a maneira ótima de achar bons fundos é tão difícil de responder que muitas pessoas já não ligam mais para ela! Neste ponto, alguns investidores, ao serem confrontados com a opção de buscar um fundo de investimento, montar uma carteira diversificada ou apenas seguir o índice de mercado, preferem simplesmente seguir o índice de mercado.

Um ETF é uma das melhores opções para isso, mas ainda que você queira investir em fundos ativos, é importante escolher fundos com bons históricos de resultados – e também não custa nada diversificar entre os fundos.

 

Desvantagens e críticas

Vamos dizer que você gosta de estudar a história das empresas, gosta de contabilidade, gosta de ler balanço patrimonial e DRE, gosta de fazer valuations e ficar atualizando cada um deles assim que sai um novo resultado é disponibilizado. Neste caso, sentimos muito em dizer isso, mas um ETF pode não ser para você!

Note que cada ETF segue um índice ou uma carteira montada de acordo com vários critérios. Dentro de um ETF vai ter de tudo! Se você segue um ETF de Small caps, vai ter empresas que não são lá “as mil maravilhas” dentro dele. Ao comprar esse ETF, você não terá como escolher as ações e o quanto deseja alocar em cada uma.

Investir em ETFs é uma decisão que um stockpicker e um investidor fundamentalista tentarão evitar, já que eles buscarão analisar cada uma das empresas da sua carteira, retirando aquelas que não passam nos seus critérios.

Outro ponto importante está nos tributos! Ao negociar ações, você tem, até a publicação deste artigo, isenção ao negociar valores abaixo de R$ 20 mil por mês. Porém, ao negociar ETFs não há isenção e os ganhos de capital na venda dos ETFs são tributados à alíquota de 15% – igual aos fundos de ações. Por fim, para cada operação de venda é retido um imposto no valor de 0,005%.

Lucas Nogueira
Mestre em Finanças pelo PPGA/UFPB
Contribui com textos educativos para o TC SChool

Felipe Pontes

Felipe Pontes

Diretor Educacional do TradersClub

Doutor em Contabilidade com foco em informações contábeis para o mercado de capitais pelo Programa UnB/UFPB/UFRN.
Professor de Contabilidade e Valuation.
Gestor de Clube de Investimento.

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