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Preço importa? Alguns insights sobre o Dollar-Cost Averaging

13/07/2020 às 12:00

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Neste artigo nós tratamos de um tema bastante debatido entre os investidores passivos: o Dollar-Cost Averaging. Após a leitura do texto, você entenderá o que isso significa, de onde surgiu a ideia e se ele faz sentido:

  • O que é o Dollar-Cost Averaging?
  • Afinal, preço importa? algumas reflexões sobre risco financeiro, market timing e stock picking no mercado de ações
  • Estratégias de investimento: o Dollar-Cost Averaging faz sentido?

Boa leitura!

Preço importa? Dollar-Cost Averaging

Leia mais sobre o mercado de ações e estratégias de investimento:

Os investidores e suas estratégias de investimentos

Antes de tudo, alguns investidores aplicam seus recursos após uma longa análise fundamentalista, comparando múltiplos e indicadores contábeis para avaliar a saúde financeira e a rentabilidade das companhias. Além disso, outros investidores, estimam os fluxos de caixa futuros das empresas, aplicam uma taxa de desconto e tentam estimar o valor intrínseco das ações para compará-lo com o preço atual que a ação está sendo negociada no mercado.

O processo de análise citado no parágrafo anterior é feito na esperança de encontrar ações cujos preços atuais estejam em divergência com as estimativas do analista ou investidor – é bom comprar ações baratas não é mesmo?

Por outro lado, muitos outros investidores não usam nada disso e aplicam análise técnica e diversos indicadores para tentar prever os movimentos futuros dos preços das ações. Por último, nos últimos anos, um número cada vez maior de investidores passou a usar robôs e técnicas quantitativas para realizar operações, tentando deixar de lado o fator psicológico nas operações.

Todos estes investidores possuem uma característica em comum: eles são investidores ativos. Um investidor ativo busca explorar o market timing e a seleção de ações que estejam – segundo a análise adotada por eles – fora da faixa de preço para dado nível de risco. Chamamos isso de buscar falhas de precificação (mispricing).

O objetivo do investidor ativo é bater o mercado, tentando obter retornos anormais. Vamos considerar como retorno anormal, o retorno que não pode ser explicado pelo nível de risco assumido. Se o investidor obteve alto retorno, mas teve que assumir alto risco, isso não é retorno anormal.

Para saber mais sobre retorno anormal e como mensurá-lo, veja o nosso artigo “Teoria das Carteiras e Análise de Investimentos: Alpha, Sharpe e Sortino”.

Investimento passivo

Por outro lado, também cresceu nos últimos anos, o que podemos chamar de investimento passivo: investidores que não querem se preocupar com o vai e vem do mercado (#TôRico #TôPobre) e desejam apenas investir periodicamente e obter retornos com a exposição ao risco do mercado de ações. Para esses investidores, o preço não importa. Entretanto, existem algumas inconsistências e fatores que não são executados de forma ótima pelos investidores da filosofia do “preço não importa” e isso pode ser muito prejudicial para eles. Para explorar melhor esses conceitos, vamos explicar o Dollar-Cost Averaging que tem sido, frequentemente, distorcido por alguns investidores mais iniciantes que querem seguir a filosofia do preço não não importa.

O que é o Dollar-Cost Averaging?

O Dollar-Cost Averaging (DCA) é uma estratégia de investimento na qual um investidor divide o valor total a ser investido em compras periódicas, sendo este um esforço para reduzir o impacto da volatilidade do investimento. Os aportes ocorrem independentemente do preço do ativo e em intervalos regulares, geralmente, uma vez por mês. Por isso, diversos investidores que adotam o dollar-cost averaging assumem que o preço não importa. De fato, a estratégia remove grande parte do trabalho de tentar realizar o market timing, ou seja, o ato de esperar que os preços das ações caiam para realizar os aportes.

Todavia, por realizar o espaçamento entre os aportes e eliminar parte da volatilidade, o pressuposto é que a estratégia funcione em períodos onde o mercado apresenta subida (bull market), principalmente quando é realizado em conjunto com um investimento diversificado. Usar essa estratégia em uma ação individual ou em um conjunto reduzido de ações, sem conhecer os detalhes da empresa, pode ser perigoso. Isso porque a estratégia pode incentivar um investidor a continuar comprando mais ações quando deve simplesmente sair da posição para não perder mais dinheiro. E muita gente perde dinheiro com isso, na estratégia de reduzir o preço médio a qualquer custo.

Dollar-Cost Averaging x Risco

Nesse sentido, realizar a estratégia de DCA com poucas ações expõe o investidor ao risco não sistemático de cada uma delas, mitigando os efeitos de uma possível diversificação – por outro lado, você pode comprar dezenas de ações para a sua carteira, de modo a mitigar o risco com a diversificação.

Contudo, ao comprar várias ações (a menos que você seja um apostador no mercado de ações) é pressuposto que você analise as ações que está comprando e também reanalise periodicamente, à medida que novas informações e demonstrações contábeis vão sendo divulgadas. Sendo assim, haverá um grande custo para que você acompanhe 20, 30, 40 empresas na sua carteira. É praticamente impossível uma pessoa comum, que tem um trabalho fora do mercado financeiro, conseguir acompanhar bem essa quantidade de empresas.

Sendo assim, para investidores que desejam realizar investimento passivo e considerar que o preço das ações não importa, a estratégia pode ser aplicada de forma muito menos arriscada em fundos de índice do que em ações individuais. Você pode fazer isso tranquilamente, sem ter que usar o tempo do seu trabalho e descanso, com o uso dos ETFs que agregam índices amplos de ações.

Você diversificará muito melhor o seu risco, não terá o custo de analisar dezenas de empresas e nem terá que ler milhares de relatórios, comunicados e fatos relevantes anualmente.

Sendo assim, o Dollar-Cost Averaging é ruim? Não necessariamente, se bem aplicado. É preciso ter em mente que o investimento passivo tem três pilares:

  1. O investidor não deveria buscar o market timing, ou seja, não deve segurar o investimento esperando as quedas do mercado;
  2. O investidor não deveria tentar selecionar as ações que vão apresentar os melhores ganhos futuros, já que diversos investidores também tentarão fazer isso e nem sempre ele conseguirá acertar;
  3. Ele deve manter uma carteira diversificada.

O Dollar-Cost Averaging funciona no primeiro pilar. Porém, diversos investidores ainda tentam selecionar ações e não usam a diversificação de forma adequada, o que não faz o menor sentido – dado que você estará misturando conceitos distintos, comprando algo provavelmente sem margem de segurança e gastando muito tempo com análise, quando poderia simplesmente comprar um ETF para ter o mesmo resultado.

Logo, a estratégia de Dollar-Cost Averaging pode não ser tão bem empregada, quando usada de forma distorcida, e o investidor vai acabar entrando em uma ação que acabou sendo um investimento ruim. Em adição, por não diversificar, ele acaba se expondo de forma significativa ao risco de uma carteira concentrada. Enfatizando, ainda, sobre a diversificação, alguns investidores que usam a ideia da DCA até diversificam a carteira, com dezenas de ações, porém seria muito mais fácil comprar um ETF ou um conjunto de ETFs já que o seu resultado deverá ser praticamente o mesmo, dado o excesso de diversificação, só que você terá menos dor de cabeça e menos custo de análise.

Nos próximos tópicos, vamos apresentar alguns conceitos e dados sobre market timing e stock picking.

Preço importa?

Antes de iniciar esse papo, precisamos deixar claro três conceitos importantes:

  1. Risco financeiro no mercado de ações
  2. Market Timing
  3. Stock Selection ou Stock Picking

No final, vamos juntar estes conceitos para responder à questão se preço importa ou não.

Risco financeiro no mercado de ações

Em termos gerais, o risco é a chance de que um resultado real seja diferente de um resultado que era esperado. Ou seja, o quanto o resultado de algo pode divergir do que você estava esperando que acontecesse. Todo mundo está exposto a algum tipo de risco:

  • Será que vou ser promovido
  • Ou será que vou ser demitido no ano que vem?
  • Será que comprar ações vai me fazer ganhar dinheiro ou perder dinheiro?
  • Sobre a minha empresa, será que ela vai superar ou não as expectativas de lucro?

No geral, à medida que os riscos aumentam, é esperado um retorno maior para compensá-los.

Da forma que apresentamos, parece um termo subjetivo, mas em economia financeira, o desvio padrão é uma métrica comum associada ao risco. O desvio padrão fornece uma medida da volatilidade dos preços dos ativos em comparação com suas médias históricas em um determinado período. Um desvio padrão alto indica muita volatilidade no resultado esperado, portanto, muito risco. Mas essa não é a história toda…

Existem diversos tipos de risco no mercado de ações. Por serem “pedaços” do patrimônio líquido da empresa, podemos pensar que existem diversas informações que afetam os preços das ações. Do micro para o macro, temos que, no nível das empresas, as informações contábeis, como a divulgação do lucro líquido, afetam os preços de uma ação em específico. Ainda sobre o risco mais fundamentalista, podemos estimar o risco de uma empresa da nossa carteira se tornar insolvente ou mesmo de quebrar – toda empresa tem esse risco, por isso precisamos exigir margem de segurança antes de investir, caso faça stock picking.

Risco sistemático e não sistemático

Por exemplo, se a Via Varejo S.A (VVAR3) apresentar queda no seu lucro líquido e essa queda estiver relacionada com decisões estratégicas e financeiras erradas, é provável que o preço das ações VVAR3 caiam. Porém, como essas informações não têm relação com a Magazine Luíza S.A (MGLU3), dificilmente o preço das ações da MGLU3 vai cair. A notícia/informação é específica da Via Varejo S.A.

Por outro lado, imagine a informação de que um vírus grave apareceu no Brasil e cuja cura ainda é, até então, desconhecida e exige internação dos casos mais graves. Esse vírus é transmitido de forma similar a gripe e fez com que as pessoas ficassem em casa para evitar o contágio. É muito provável que essa informação afete não só o setor de varejo, mas toda a bolsa de valores brasileira. Logo, essa notícia/informação é ampla e impacta diversos setores de forma diferente.

Em geral, a teoria financeira classifica os riscos que afetam os valores dos ativos em duas categorias: o risco não sistemático e o risco sistemático.

  • O risco não sistemático (também conhecido como risco específico ou risco idiossincrático) é análogo à informação que afeta apenas a Via Varejo S.A. É o risco de perder um investimento devido a um risco específico da empresa ou do setor.
  • O risco sistemático (também conhecidos como risco de mercado), pode afetar todo um mercado ou uma grande porcentagem do mercado total. Risco de mercado é o risco de perda de investimentos devido a fatores como risco político e macroeconômico que afetam o desempenho do mercado em geral.

Podemos mitigar o risco?

Agora você pode estar se perguntando “e daí”? E daí que conhecer estes riscos é fundamental na hora de investir, já que ninguém quer assumir maior risco para receber o mesmo retorno. Logo, como podemos reduzir o risco? Podemos reduzir o risco diversificando o investimento. Mas note que apenas podemos diversificar o risco não sistemático.

Isso é feito da seguinte forma: quando você investe em uma empresa, está assumindo o risco sistemático e não sistemático. Afinal, as notícias sobre a empresa podem ser boas ou ruins. Porém, se você comprar outras ações ou ações de setores diferentes, você dispersará parte do risco não sistemático, já que as notícias específicas de uma empresa, não possuem relação com as notícias específicas de outras. Quando você investe em diversas empresas, ou seja, numa carteira muito grande, você estará mitigando o risco não sistemático (risco específico). Porém, não será possível mitigar o risco sistemático do mercado, visto que ele afeta todas as empresas.

A Figura abaixo, é um clássico e representa a redução do risco não sistemático com a diversificação. Porém, conforme argumentado, o risco sistemático permanece.

Em conclusão, uma forma de reduzir o risco, é diversificando os seus investimentos. O interessante é que isso pode ser feito sem custos!

“Mas eu não acredito nisso! Isso é a sua opinião”.

Ok, então vamos fazer uma análise de dados! Coletamos os retornos de 200 ações do dia 15 de abril de 2015 até 15 de abril de 2020. Para entrar na análise, era preciso que a ação apresentasse no mínimo uma negociação por mês. Em seguida, foram analisados os retornos acumulados de cada uma das 200 ações e criado um ranking do maior para o menor.

Ou seja, os ativos que apresentaram os maiores retornos acumulados no período. A Figura 1 apresenta os retornos de cada uma delas. Os retornos foram ajustados para o pagamento de dividendos, bonificações, splits e inplits de ações. Adotamos a escala logarítmica por ser mais adequada para visualizar as subidas e decidas percentuais. A título de curiosidade, a melhor ação do período foi a MGLU3 e a pior foi a PDGR3.

 

Dollar-Cost Averaging

Fonte: Economatica

Admitimos que o gráfico em escala logarítmica, apesar de captar as variações percentuais do montante investido, não capta o nível geral do patrimônio. Por isso, decidimos apresentar os dados em escala aritmética também, conforme o gráfico abaixo:

Dollar-Cost Averaging

Fonte: Economatica

Construindo carteiras de investimento

Agora, vamos construir 12 carteiras com um investimento de R$ 200.000,00. Montante dividido igualmente entre cada um dos ativos.

  • Carteira completa com 200 ativos (R$ 100,00 em cada ativo)
  • 100 ativos, selecionando os 100 melhores ativos (R$ 200,00 em cada ativo)
  • 100 ativos, selecionando os 100 piores ativos (R$ 200,00 em cada ativo)
  • 50 ativos, selecionando os 50 melhores ativos (R$ 400,00 em cada ativo)
  • 50 ativos, selecionando os 50 piores ativos (R$ 400,00 em cada ativo)
  • 25 ativos, selecionando os 25 melhores ativos (R$ 800,00 em cada ativo)
  • 25 ativos, selecionando os 25 piores ativos (R$ 800,00 em cada ativo)
  • 10 ativos, selecionando os 10 melhores ativos (R$ 2000,00 em cada ativo)
  • 10 ativos, selecionando os 10 piores ativos (R$ 2000,00 em cada ativo)
  • 5 ativos, selecionando os 5 melhores ativos (R$ 4000,00 em cada ativo)
  • 5 ativos, selecionando os 5 piores ativos (R$ 4000,00 em cada ativo)
  • Carteira de retorno zero (Deixar o dinheiro embaixo do colchão)

Os resultados são apresentados no gráfico abaixo. Note que estamos supondo que o investidor tivesse perfeita visão em relação aos melhores ativos.

Dollar-Cost Averaging

Fonte: Economatica

O que podemos concluir sobre essa imagem?

Primeiro, podemos ver que o investimento em ações é bastante arriscado. Veja a variação de todas as carteiras. Porém, também podemos concluir que: escolher errado e concentrar investimento também aumenta a chance de obter retornos ruins!

Isso ocorre pela falta de diversificação. A carteira composta pelos 200 ativos, e que agrega tanto os bons, quanto os ruins, apresentou desempenho melhor do que deixar o dinheiro embaixo do colchão certo? Porém, quem concentrou o capital nas ações que vieram a performar de forma ruim, acabou perdendo dinheiro. Note que as carteiras mais concentradas – com 5 até 10 ativos – também apresentaram as maiores variações. Isso acontece devido a exposição ao risco das empresas (não sistemático) e ao risco do mercado no geral (sistemático). A carteira com 200 ativos consegue mitigar parte do risco não sistemático, por isso é menos volátil.

A grande questão é: como você vai saber que as ações que você escolheu vão apresentar retornos positivos no futuro? Para acertar a carteira vencedora, você deve ter boas habilidades de market timing e stock picking, e isso é muito difícil de manter no longo prazo. Caso o investidor tivesse montado uma carteira pouco diversificada, ele poderia acabar em alguma das carteiras com baixa rentabilidade no período, se expondo ao risco de forma desnecessária.

Market Timing

Até agora, vimos que diversificar é um caminho para quem não quer assumir muitos riscos e nem quer analisar as empresas individualmente para realizar investimentos. Já tínhamos mostrado isso no nosso texto sobre crises.

No entanto, existem diversos especialistas que conseguem acertar os momentos de alta e baixa do mercado (novamente, isso não é fácil e nem é perfeito). De forma geral, a ideia é comprar em períodos de baixa acentuada das ações, acertando o momento certo antes da subida ou vendendo no memento certo, antes das quedas.

Abaixo, fizemos uma rápida simulação de um investidor com R$ 1.200,00. Em um dos cenários, o cidadão aporta R$ 100 mensais sem olhar o preço. No segundo, ele aporta R$ 200 em momentos de baixa. Precisamos lembrar que este exemplo é totalmente inverossímil de acontecer, já que o investidor apresenta uma capacidade absurda de prever o mercado e sabia com antecedência da possibilidade de 6 meses de queda durante o ano.

No exemplo da Tabela 1 acima, podemos observar a diferença entre o montante obtido em ambos os cenários. Note que a diferença não é extraordinária, já que a aplicação não é tão alta e o prazo é curto. Porém, isso chama a atenção para o efeito que o market timing apresenta nos retornos acumulados.

Em conclusão: achar o timing do mercado não é fácil! Diversos gestores de portfólio e investidores experientes buscam obter retornos anormais aproveitando as quedas e subidas do mercado. Porém, para que essa estratégia apresente sucesso, é preciso que o investidor escolha bem os ativos e saiba o valor adequado para entrar e sair da operação. Isso não vai ocorrer ao escolher qualquer ativo por qualquer preço.

Stock Picking

Por fim, temos a habilidade de stock picking. O stock picking ou stock selection é a habilidade de selecionar ações que estejam sendo negociadas por preços que não refletem o risco assumido. Para exemplificar isso, olhe novamente o gráfico dos retornos da Figura 1. As ações que apresentaram os maiores e menores retornos estão expostas na Tabela 2, abaixo.

Uma pessoa com habilidade de stock picking conseguiria montar uma carteira formada pelas melhores ações. Porém, para fazer isso, é preciso realizar diversas análises de avaliação e, geralmente, existem equipes dentro dos fundos para realizar tais projeções. Seria muito complicado apresentar desempenho maior que grandes fundos de investimento, sendo uma pessoa física desinformada, sem condições técnicas e de tempo para fazer boas análises – não é para qualquer um, é para aqueles que estudam e se dedicam.

Conclusão: é difícil fazer stock picking e sempre existirá a chance das suas projeções estarem erradas! Porém, existem fundos e investidores individuais que possuem tal habilidade. Muito embora, existem evidências de que tal habilidade não funciona durante longos períodos, já que nem sempre é possível acertar quais ações terão os melhores desempenhos. Por fim, realizar o DCA não tem sentido para aqueles que possuem alguma vantagem em selecionar ações, já que sempre pode existir a possibilidade de selecionar as ações perdedoras. Neste caso, se o investidor continuar investindo em ações perdedoras, ele vai acabar comprando cada vez mais ações da companhia, ampliando as suas possíveis perdas.

Conclusão: o Dollar-Cost Averaging faz sentido?

Faz, desde que sejam tomadas algumas ressalvas. O Dollar-Cost Averaging faz sentido em investimentos passivos, onde o investidor aporta periodicamente seus recursos em algum índice amplo de ações para aproveitar a diversificação – são os famosos ETFs. Nesse sentido, a pesquisa de Brennan, Li e Torous (2005) reforça a tese de que o investidor individual pode obter retornos superiores usando a estratégia do Dollar-Cost Averaging, se ele não fizer stock picking, mas apenas comprar ETFs de índices amplos e bem diversificados.

É sempre perigoso adotar uma estratégia passiva pela metade, já que ela vai atuar no market timing, comprando mais quando as ações estiverem em baixa e comprando menos quando estiverem em alta. Mas tudo pode ser piorado caso a seleção de ações seja feita de forma equivocada. Em adição, também teremos outras desvantagens que mexem mais com o seu bolso quando cai na armadilha de usar a estratégia passiva pela metade:

  • Altos custos de transação envolvidos ao comprar ação por ação em detrimento de um índice amplo (hoje até que isso foi resolvido com as corretoras que não cobram corretagem)
  • Você precisará de muito tempo disponível para fazer análise de empresas, acompanhar teleconferência de resultados, comunicados ao mercado, fatos relevantes, acompanhar concorrentes etc.
  • Tudo isso pode ser resolvido, caso você queira acreditar que o preço da ação não importa, comprando alguns ETFs disponíveis em nosso mercado de capitais. Clicando aqui você verá como comprar ações de forma fácil e barata, para implementar sua estratégia passiva usando DCA,

Para finalizar, montamos um fluxograma para demonstrar os motivos para aplicar o Dollar-Cost Averaging de forma totalmente passiva e as explicações de cada decisão (Figura 4).

Preço não importa?

 

Até a próxima! Não esqueça de acompanhar este e outros textos no TC School!

Referências adicionais

BRENNAN, Michael J.; LI, Feifei; TOROUS, Walter N. Dollar cost averaging. Review of Finance, v. 9, n. 4, p. 509-535, 2005.

DICHTL, Hubert; DROBETZ, Wolfgang. Dollar-cost averaging and prospect theory investors: An explanation for a popular investment strategy. Journal of Behavioral Finance, v. 12, n. 1, p. 41-52, 2011.

GREENHUT, John G. Mathematical illusion: why dollar-cost averaging does not work. Journal of Financial Planning, v. 19, n. 10, p. 76, 2006.

HSU, Jason. Value investing: smart beta versus style indexes. The Journal of Index Investing, v. 5, n. 1, p. 121-126, 2014.

KNIGHT, John R.; MANDELL, Lewis. Nobody gains from dollar cost averaging analytical, numerical and empirical results. Financial Services Review, v. 2, n. 1, p. 51-61, 1992.

LEGGIO, Karyl B.; LIEN, Donald. Does loss aversion explain dollar-cost averaging?. Financial Services Review, v. 10, n. 1-4, p. 117-127, 2001.

LEGGIO, Karyl B.; LIEN, Donald. An empirical examination of the effectiveness of dollar-cost averaging using downside risk performance measures. Journal of Economics and Finance, v. 27, n. 2, p. 211, 2003.

MEIR, Statman. A behavioral framework for dollar-cost averaging. Journal of Portfolio Management, v. 22, n. 1, 1995.

WILLIAMS, Richard E.; BACON, Peter W. Lump sum beats dollar-cost averaging. Journal of Financial Planning, v. 6, n. 2, 1993.

 

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