07/03/2019 às 10:38

6 – O que faz a bolsa subir no tempo?

Guillermo Parra-Bernal Guillermo Parra-Bernal

Para qualquer bolsa, o principal vetor de valorização no longo prazo é o crescimento dos lucros das empresas. Este se torna mais importante que o estado da economia, ou a atratividade das ações dada pelos chamados múltiplos, ou um noticiário positivo.

Veja o gráfico que colocamos neste artigo. É o índice Bovespa diário entre fevereiro de 2017 e março de 2019. Basicamente o período em que a economia saiu da sua pior recessão em quase oito décadas e o começo de uma estabilização após anos de gasto público exagerado, políticas econômicas erráticas e uma fadiga do modelo de crescimento baseado em crédito –em vez de investimento. É a partir dessa época que começa a ser observada uma expansão dos lucros das empresas: com taxas de juros se aproximando das mínimas históricas, a inflação sob controle e uma redução na intervenção estatal nos negócios do setor privado, as companhias conseguiram reduzir endividamento e inadimplência, além renegociar contratos e cortar custos de forma mais efetiva. A leve recuperação econômica pode ter se transformado, para algumas delas, em uma alta na receita ou uma queda no peso dos encargos não recorrentes.

Lucro é a diferença entre a receita aferida e os custos e despesas envolvidos na atividade empresarial, após impostos. Ou seja, maiores receitas e menores custos em um ambiente de impostos baixos podem se traduzir em ciclos longos de lucratividade. Mas, as coisas boas não duram para sempre. Se adicionarmos às despesas o custo de financiamento, por exemplo, em um ambiente de taxas de juros altas, os lucros sofrem. Alíquotas de impostos também impactam negativamente os ganhos das companhias. Custos maiores, por conta de um problema de oferta de um insumo ou a falta de mão de obra qualificada, são outros fatores que afetam os lucros. Uma leitura afiada dessas situações pode permitir a você, investidor, identificar se um ciclo de lucros será positivo ou negativo para a companhia que você segue.

É essa dinâmica que permite que o investidor se antecipe à melhora nos lucros e compre ações – com o intuito de que um balanço e demonstrativo de resultados mais favoráveis se traduzam em uma valorização dos papéis das companhias. Quando os investidores têm a percepção de que o cenário para lucros futuros será desfavorável, a bolsa tende a recuar. Assim, temores com a situação econômica global ou um declínio nos preços das commodities, assim como eventos inesperados – como a delação premiada dos donos da J&F, que impactou a aprovação do pacote de ajuste fiscal, em maio de 2018, – ou a greve dos caminhoneiros em maio de 2019, afetaram a percepção de lucratividade futura. No entanto, o fato que as empresas mantiveram boas perspectivas de lucro permitiram que o índice se recuperasse de forma consistente ao longo dos meses seguintes.

Assim, para que os lucros cresçam é importante que algumas condições básicas se concretizem. Por isso, o investidor deve ficar sempre atento ao noticiário sobre os seguintes aspectos:

1) Situação das economias local e mundial: processos de expansão da atividade e o investimento, que é a forma como as empresas se preparam para a demanda futura por seus bens e serviços, geralmente alimentam um maior volume de consumo na economia, aumentando a compra dos produtos produzidos pelas empresas. Mundo afora, aspectos como a definição das taxas de juros, comércio e tensão geopolítica podem definir qual o caminho do crescimento. O mesmo vale para o cenário local.

2) Crédito: A política de crédito é fundamental para o crescimento econômico. Quando a economia está rodando com juros baixos, o crédito se torna mais acessível – fomentando a compra de bens e serviços. Caso contrário, a economia tende a andar mais devagar.

3) Políticas de estímulo: Um governo que opera com orçamentos equilibrados e pode cortar impostos ou reduzir o peso da burocracia no setor privado, geralmente se traduz em maior rentabilidade empresarial, menos encargos para consumidores e companhias mais competitivas. Os lucros das empresas geralmente reagem bem a esses tipos de situações.

4) Choque de produtividade: Tecnologias mais modernas permitem às empresas produzir mais com menos recursos envolvidos, o que impacta diretamente o custo de produção. E menores custos se traduzem em maiores lucros.

Guillermo Parra-Bernal

Guillermo Parra-Bernal

Guillermo é economista e MA em economia pela Universidad de los Andes na Colômbia. Trabalhou na Bloomberg LP por dez anos, e na Thomson Reuters por oito, sempre nas áreas de notícias, pesquisa e dados. Sua área de contribuição na plataforma será companhias e finanças, com foco forte em instituições financeiras e investment banking.

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