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15 – Índices do Mercado de Ações Brasileiro: entenda o Ibovespa, IBrX e IBrA

14/11/2019 às 14:37

Felipe Pontes Felipe Pontes

Neste artigo vamos falar dos principais índices de mercado de ações do Brasil. Mais especificamente, o Índice BovespaIbovespa (o mais famoso entre eles), Índice Brasil 50 – IBrX 50, Índice Brasil 100 – IbrX 100 e o índice Brasil Amplo – IBrA. Decidimos dividir o artigo em três partes, cada uma falando de um dos índices do mercado brasileiro:

  1. Ibovespa (ou Ibov)
  2. IBrX 50 e IBrX 100
  3. IBrA

Mesmo quem não acompanha o mercado de ações brasileiro já deve ter notado que os movimentos da bolsa aparecem nos jornais e geram comentários na mídia. Diariamente, ouvimos notícias do tipo “a bolsa brasileira renovou sua máxima histórica” ou “bolsa fecha em queda nesta sexta feira”. Mas o que isso quer dizer de fato? Tudo está sincronizado?

Os índices do Mercado de Ações Brasileiro

“Manchete! O Ibovespa bate 100 mil pontos! A hora da bolsa é agora!”.

Ok, mas o que isso quer dizer?

Imagine que alguém lhe pergunte qual é a média dos preços dos aluguéis no seu bairro e se eles subiram ou caíram em relação ao ano passado. Obviamente, você não saberá o preço de cada um dos imóveis. Alguns imóveis podem ter valorizado mais que outros, alguns imóveis são mais caros e outros mais baratos. Porém, é provável que você saiba dizer o quanto os alugueis cresceram em média.

No mercado de ações, os índices de mercado buscam responder essa questão de forma rápida. Neste caso, um índice agrega a informação de vários ativos. No Brasil, os principais índices de ações são o Ibovespa, o IBrX 100 e o IBrX 50; um menos conhecido é o IBrA. Estes índices são utilizados para medir as variações das ações das companhias abertas no Brasil. Vamos falar de cada um deles a seguir.

 

O Ibovespa

O Ibovespa foi criado em 1968 e é considerado o principal índice de mercado do Brasil. Este índice é o que aparece nos principais jornais do Brasil quando a Bolsa de valores vira assunto do noticiário. Abaixo temos a série histórica do Ibovespa desde 28 de fevereiro de 1994 – um dia depois da implantação do Plano Real. Decidimos usar esta data inicial por ser o período de estabilização da nossa moeda. O gráfico abaixo está em frequência diária e o primeiro dia está na base 100 (valor de referência).

Índice Ibovespa ao longo dos anos

O Ibovespa é um índice de retorno total, ou seja, além de refletir as variações nos preços das ações que fazem parte do índice, ele também busca captar o impacto que a distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio teria no retorno do índice. Em adição, são mantidos na carteira do índice os ativos recebidos como bonificação ou desdobramento.

O índice é formado por uma carteira de ações que são incluídas de acordo com uma metodologia específica. Dentro desta carteira podem entrar apenas ações e units de companhias listadas na B3 (antiga BM&F Bovespa). No geral, a metodologia exclui as Brazilian Depositary Receipt (BDRs) e ativos de companhias em recuperação judicial ou que sejam negociadas em uma situação especial de listagem. Não são incluídas as empresas cujo preço das ações estiver abaixo de R$ 1,00 (também conhecidas como penny stocks).

Tal carteira teórica tem vigência quadrimestral e vai de janeiro até abril, de maio até agosto e de setembro até dezembro. Ao final de cada quadrimestre, a carteira é rebalanceada e passa a vigorar na primeira segunda-feira do mês inicial da vigência. A carteira final é composta por 55 até 65 ações, aproximadamente.

Note que as empresas possuem tamanhos diferentes. Sendo assim, o cálculo do Ibovespa leva esse fator em consideração ao ponderar os ativos pelo valor de mercado do “free-float”, ou seja, os ativos que se encontram em circulação.

Abaixo, temos a composição do Ibovespa em novembro de 2019. Note que algumas empresas compõem uma fatia significativa do índice, como é o caso das ações do banco Itaú, Vale, Petrobras, Bradesco, B3, Ambev, Branco do Brasil e Itaúsa. Em adição, cinco das oito maiores empresas do índice estão no setor financeiro.

Como o investidor pode comprar o Ibovespa? De fato, já que o Ibovespa representa uma grande quantidade de ativos, muitos investidores negociam o Ibovespa como forma de diversificação ou para a composição de estratégias de negociação mais avançadas. Existem duas formas de negociar todo o índice Ibovespa:

  • Comprar cada uma das ações do índice de acordo com a ponderação da carteira;
  • Comprar um fundo de investimento aberto passivo que replica o Ibovespa;

É fácil imaginar que o primeiro caso não é recomendado, já que os custos de negociação e a perda de tempo útil seriam absurdos. A forma mais simples é comprar o índice via Exchange-Traded Funds (ETFs). Os ETFs, em geral, são fundos que seguem um determinado índice de forma passiva e apresentam custos de administração muito baixos. A tabela abaixo apresenta os ETFs disponíveis para seguir o Ibovespa, o seu administrador e os custos de administração de cada um deles.

Tabela de ETFs que seguem o Ibovespa

No gráfico abaixo temos duas comparações entre o Ibovespa e cada um dos ETFs que o seguem. Na primeira, decidimos usar o valor base 100 assim que a série de retornos de cada um dos ETFs estava disponível. Note que, no geral, o desempenho é muito similar ao índice.

Séries de retorno do Ibovespa e seus ETFs iniciando na base 100

Na segunda análise, trocamos a base de cada um dos ETFs para a base do Ibovespa. Neste caso, temos uma comparação melhor do desempenho de cada um deles. Neste ponto, é possível notar divergências entre os ETFs. Alguns apresentam menores retornos, enquanto outras superam o índice. Neste ponto, vale lembrar que alguns ETFs não apresentam alta liquidez (é o caso do ETF em vermelho). Sendo assim, é natural que alguns superem o índice por apresentarem maior risco de liquidez e, consequentemente, maior retorno exigido.

Séries de retorno do Ibovespa e seus ETFs iniciando na base do Ibovespa

Por fim, apesar dos problemas de concentração, o Ibovespa continua sendo o principal índice amplo de mercado do Brasil. Ele apresenta uma informação rápida sobre os principais ativos com liquidez adequada, fora de problemas de recuperação judicial e com valor de mercado relevante.

 

Índice Brasil 50 (IBrX 50) e Brasil 100 (IBrX-100)

O IBrX 50 é outro índice de mercado, criado em 2004, que busca representar o retorno médio dos ativos da bolsa brasileira. É um índice de retorno total, similar aos Ibovespa e exclui as BDRs, empresas em recuperação judicial, extrajudicial ou em situação especial de listagem. A carteira teórica é rebalanceada quadrimestralmente, de forma similar ao Ibovespa.

Porém, diferente dos outros índices, o IBrX 50 é ainda mais concentrado: ele mensura o desempenho médio das cotações dos 50 ativos de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro. Abaixo, temos a composição do índice em novembro de 2019. A grande vantagem do IBrX 50 é ter uma métrica válida do retorno das maiores empresas do Brasil. Porém, a sua concentração não permite visualizar o retorno das ações de empresas menores que, muitas vezes, apresentam os maiores retornos.

Outro índice da família “Índices Brasil” é o IBrX 100. Como o nome já indica, ele é um índice mais amplo e agrega 100 ações de acordo com a metodologia do IBrX 50. Porém diferente do IBrX 50 e do Ibovespa, o IBrX 100 é um índice muito mais diversificado e que representa com maior exatidão o mercado de ações do Brasil.

No gráfico abaixo temos uma comparação do IBrX 100 e do IBrX 50 com dados diários. Note que os gráficos estão na base 100.

Gráfico Índice Brasil 50 (IBrX 50) e Brasil 100 (IBrX-100)

Obviamente, similar ao que acontece com o Ibovespa, uma forma válida de negociar ambos os índices é via algum ETF que segue o índice IBrX 50 ou IBrX 100. Na tabela abaixo apresentamos os ETFs disponíveis para seguir os índices, o seu administrador e os custos de administração de cada um deles. Como pode ser visto, são poucos os ETFs disponíveis para seguir os Índices Brasil.

Tabela de ETFs que seguem o IBrX e 50 e o IBrx100

 

O Índice Brasil Amplo (IBrA)

O Índice Brasil Amplo (IBrA) é o indicador do desempenho médio das cotações de todos os ativos negociados na B3. Para entrar neste índice, são estabelecidos critérios mínimos de liquidez e presença em pregão. O IBrA é um índice de retorno total e segue uma metodologia similar ao Ibovespa e aos índices IBrX 50 e IBrX 100: exclusão das BDRs, empresas em recuperação judicial/extrajudicial ou em situação especial de listagem. A ponderação da carteira teórica segue uma lógica similar ao Ibovespa, utilizando o valor de mercado do free-float.

Abaixo, temos o gráfico do IBrA em dados diários, iniciando com base 100 em 29 de dezembro de 2005 até novembro de 2019.

Índice Brasil Amplo ao longo dos anos

Porém, diferente dos demais índices, este índice agrega uma quantidade muito maior de ativos, atingindo uma carteira com mais de 150 ações. Por isso, do ponto de vista teórico, o Índice Brasil Amplo é o que mais se aproxima de real carteira de mercado de ações no Brasil. Por fim, até o fechamento deste artigo, não encontramos nenhum ETF com o objetivo de replicar o IBrA.

 

Conclusão

Qual índice é o melhor? De fato, esta pergunta não é fácil de responder. O Ibov é o mais antigo e apresenta a maior série de dados. O IBrX 50 é um índice concentrado, mas leva em consideração as maiores empresas das quais também são as mais influentes no Ibov. O IBrX 100 e IBrA são mais amplos, porém apresentam uma série histórica menor de retorno e são seguidos por poucos ETFs.

Para finalizar, a tabela abaixo apresenta ao retorno anualizado dos índices, o retorno mensal médio, o desvio padrão dos retornos mensais e os valores máximos e mínimos. Com o intuito de incluir todos os índices, decidimos fazer um recorte temporal de 2006 até novembro de 2019. A tabela abaixo apresenta os resultados.

Dados de retorno, desvio e queda de cada um dos índices

Percebe-se que os retornos anualizados do IBrA e do IBrX 100 são maiores que os retornos do Ibovespa e do IBrX 50. É provável que isso ocorra por dois fatores que atuam em conjunto:

  1. A inclusão de empresas menores aumenta o retorno esperado, já que as small caps são mais arriscadas
  2. A diversificação ajuda na redução do risco associado com cada ação. Neste ponto, ao combinar os dois efeitos, temos um leve aumento no retorno esperado com uma redução do risco do investimento (leia mais sobre isso no nosso artigo sobre Teoria das Carteiras e Análise dos Investimentos).

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Lucas Nogueira
Mestre em Finanças pelo PPGA/UFPB
Contribui com textos educativos para o TC SChool

Felipe Pontes

Felipe Pontes

Diretor Educacional do TradersClub

Doutor em Contabilidade com foco em informações contábeis para o mercado de capitais pelo Programa UnB/UFPB/UFRN.
Professor de Contabilidade e Valuation.
Gestor de Clube de Investimento.

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