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ETF invertido ou ETF inverso: o índice de cabeça para baixo

19/06/2020 às 5:00

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Neste artigo, vamos falar sobre o ETF invertido (ETF inverso ou inverse ETF). Após a leitura, você terá entendido as características deste ativo, o seu funcionamento e quais são as suas vantagens e desvantagens. Para um melhor entendimento, dividimos o texto da seguinte forma:

  • O que é um ETF invertido (ou ETF inverso) – como são formados e quais são as suas principais características
  • Tipos de ETFs invertidos
  • ETF inverso vs. operações vendidas no Índice – vantagens e desvantagens desse tipo de operação

Antes de continuar, você sabe o que é um ETF? Leia mais sobre isso no nosso artigo “Saiba como investir de forma fácil e barata em ações com ETFs”.

ETF invertido

O que é um ETF inverso?

Imagine que você queira apostar contra o índice de ações! Provavelmente, a forma mais simples é alugar um ETF que replique um índice amplo de ações e logo depois vender o índice. Em seguida, quando o movimento de queda acontecer, você compra novamente o índice e entrega ao investidor que alugou para você.

Entretanto, tal estratégia apresenta custos do aluguel. Para facilitar a operação, foi criado o conceito de “ETF invertido” ou “ETF inverso”, do inglês inverted ETF (ou inverse ETF).

Um ETF invertido é um fundo negociado em bolsa (ETF) construído usando vários derivativos para lucrar com um declínio no valor de índice subjacente. Investir em ETFs inversos é semelhante a manter várias posições vendidas (short-selling), que envolvem o empréstimo de títulos e a sua venda a descoberto, na esperança de recomprá-los a um preço mais baixo. Um ETF inverso também é conhecido como “Short ETF“, que vem das operações vendidas (short) ou “Bear ETF”, que faz menção ao mercado de baixa.

Como os ETFs Invertidos são formados?

A princípio, muitos ETFs inversos utilizam contratos futuros diários para produzir seus retornos. Nesse sentido, um contrato de futuros é um contrato para comprar ou vender um ativo ou título em uma determinada data e por um preço definido. Os futuros permitem que os investidores façam uma aposta na direção do preço dos títulos. Além disso, os futuros também são usados para realizar hedge, principalmente em contratos com commodities.

O uso de derivativos para formar os ETFs inversos – como os contratos de futuros – permite que os investidores apostem que o mercado irá declinar. Se o mercado cair, o ETF inverso aumentará aproximadamente na mesma porcentagem menos taxas e comissões de corretagem. Geralmente, o objetivo é replicar o inverso de um índice. Principalmente, os índices de ações. Todavia, como a replicação é feita com uso de contratos derivativos e, sendo os derivativos custosos, o ETF apresenta taxas específicas para cobrir estes custos – além das taxas de administração.

Qual é o prazo dos ETFs inversos?

Vale lembrar que os ETFs inversos não são investimentos de longo prazo, uma vez que os contratos de derivativos são comprados e vendidos diariamente pelo gestor do fundo. Como resultado, não há como garantir que o ETF inverso corresponda ao desempenho de longo prazo do índice ou das ações que está monitorando. A negociação frequente tende a aumentar as despesas do fundo.

Além de tudo, as ações apresentam um prêmio pelo risco. Logo, espera-se que o mercado de ações suba com o tempo, apesar de que ele sempre irá passar por períodos de alta volatilidade e crashs ou quedas acentuadas. Logo, pensar que o índice invertido subirá no longo prazo pode comprometer os seus ganhos (e até mesmo acabar com eles).

Abaixo, temos uma comparação do Ibovespa com o um Ibovespa Invertido (exemplo que criamos, pela falta de um ETF desse no Brasil). Note que o investidor que segurou o possível índice invertido, perdeu praticamente todo o dinheiro investido. Isso é esperado, já que os índices do mercado de ações brasileiro subiram. Porém, conforme argumentamos no artigo, existiram algumas oportunidades com o ETF inverso:

  • No final da década de 1990
  • Durante a crise financeira de 2008
  • Durante a crise brasileira de 2015-16 e
  • No crash da Covid-19 em 2020

Tipos de ETFs invertidos

Índices amplos de mercado

Os ETFs invertidos mais comuns são aqueles atrelados a um índice amplo de mercado. Como exemplo, temos os ETFs invertidos do Russell 2000, Nasdaq e do S&P 500. Com estes ETFs invertidos, alguns investidores podem usá-los para lucrar com as quedas de mercado (especulação), enquanto outros investidores podem adotá-los para proteger suas carteiras contra a queda dos preços, similar ao que é feito com o uso de derivativos (hedge). Neste caso, quando o índice amplo de mercado cai, os investidores que compraram o ETF invertido antecipadamente, podem ganhar com a queda e proteger parte do seu patrimônio.

ETF inverso de setores

Também existem ETFs invertidos setoriais. Neste caso, ao contrário do foco no mercado de ações completo, estes ETF invertidos focam em um segmento da economia, como industrial, tecnologia ou bancário etc.

ETFs alavancados & Invertidos

Por fim, temos o ETFs que além de invertidos, também são alavancados! Neste tipo de ETF, quando o índice de referência cai, o ETF sobe e com maior intensidade, de acordo com o nível de alavancagem assumido.

Nesse sentido, os ETFs inversos alavancados usam o mesmo conceito que produtos alavancados e têm como objetivo oferecer um retorno ampliado quando o mercado está caindo. Por exemplo, se o Ibovespa cair 10%, um ETF inverso alavancado 2X proporcionará um retorno de 20% ao investidor, excluindo taxas e comissões. Note que, se o Ibovespa subir, o ETF alavancado também irá cair na mesma proporção. Por este motivo, o timming do investimento deve ser bem calculado para evitar a perda significativa de recursos.

ETF inverso versus operações vendidas no Índice

Uma das principais vantagens do ETF invertido é que eles não exigem que o investidor mantenha uma conta de margem alta na corretora. Esse é o caso dos investidores que desejam operar de forma vendida: uma conta de margem é aquela em que a corretora empresta dinheiro a um investidor para negociar.

Os investidores que entram em posições vendidas tomam emprestado os títulos – eles não os possuem – para que possam vendê-los a outros investidores. O objetivo é comprar o ativo de volta por um preço menor para devolvê-lo ao investidor que os emprestou. No entanto, existe o risco de o valor do título aumentar em vez de cair e o investidor ter que recomprar os valores mobiliários a um preço mais alto do que o preço de venda marginal original. Além de uma conta de margem, a venda a descoberto exige uma taxa de empréstimo de ações que será paga a uma corretora pelo empréstimo.

Por outro lado, os ETFs invertidos geralmente têm taxas inferiores a 2% e podem ser adquiridos por qualquer pessoa com uma conta de corretagem. Nos mercados com ETFs invertidos, é mais fácil e menos dispendioso para um investidor se posicionar em um ETF inverso do que vender ações a descoberto. Porém, até o momento da escrita deste artigo, não existem ETFs inversos disponíveis para o investidor brasileiro.

Abaixo, resumimos uma comparação de prós e contras dos ETFs invertidos versus operações vendidas.

ETF inverso

Um outro “contra” é que, no Brasil, o inciso IX, do parágrafo 2º, do artigo 2º da Instrução CVM 359/2002 não permite esse tipo de ETF por nossas terras. Uma pena.

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