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Como interpretar os relatórios dos analistas de mercado

31/07/2020 às 5:00

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Com a temporada de divulgação de resultados a todo vapor, vamos ajudar os investidores no processo de análise. Nesse sentido, o objetivo desse texto é ajudar os investidores a interpretar os relatórios dos analistas de mercado. Para facilitar o entendimento, o texto está dividido nos seguintes tópicos:

  • Quem produz os relatórios?
  • Interpretando os termos mais comuns dos relatórios
  • Os tipos de relatórios de ações
  • Reflexões

Boa leitura!

Como interpretar os relatórios dos analistas de mercado

Leia mais sobre mercado de ações:

Quem produz os relatórios?

É comum, principalmente nos períodos os quais as empresas estão divulgando seus resultados, as pessoas que acompanham o mercado financeiro se depararem com relatórios de análise. Esses relatórios podem tratar de diversos assuntos: ações, cenários macroeconômicos, commodities, entre outros. Eles são produzidos por casas de análise que podem ser vinculadas, ou não, às instituições financeiras.

Os assinantes do TradersClub, por exemplo, têm acesso aos relatórios políticos da IdealPolitik. Além disso, os relatórios da Eleven, do BTG Pactual e da Genial Investimentos estão disponíveis na área “Relatórios” para os assinantes Master.

Neste artigo, iremos nos aprofundar nos relatórios de análise de ações. Neste caso, os responsáveis por elaborar esses relatórios são os analistas sell side. Caso você tenha interesse em trabalhar nessa área, não esqueça de ler o texto do TC School que fala sobre o CNPI, a certificação necessária para trabalhar como analista.

Interpretando os termos mais comuns dos relatórios

Como foi dito, iremos nos aprofundar nos relatórios de ações. Os itens mais famosos dos relatórios são o preço alvo e a recomendação, é um erro achar que os relatórios se resumem a isso.

Preço alvo

O preço alvo indica o valor justo que o analista projetou para aquela ação. É importante lembrar que preço e valor são coisas diferentes, é justamente esse desencontro que os investidores fundamentalistas procuram explorar nas ações.

Nesse sentido, o analista que coloca um preço alvo acima do preço o qual a ação está cotada, acredita, embasado por sua análise, que aquela ação não está bem precificada. O método mais utilizado pelo mercado para estipular o valor justo é o fluxo de caixa descontado (DCF).

Outro termo que marca presença de forma constante nos relatórios é o upside/downside. O upside indica o potencial de valorização da ação com base na estimativa do analista. Por exemplo, se um analista chega a conclusão que o valor justo de uma ação é R$20 e essa ação está cotada a R$10, o upside é de 100% nesse caso.

Recomendação

A recomendação provavelmente é a primeira coisa que alguém olha ao se deparar com um relatório de análise de ação. Existem várias classificações, com cada casa de research adotando as suas. Entretanto, as mais usuais se dividem em:

  • Compra forte (strong buy)
  • Compra (buy)
  • Manter (neutral)
  • Venda (sell)
  • Venda forte (strong sell)

Você pode estar pensando que o relatório se resume à recomendação dada pelo analista. Entretanto, a interpretação de um relatório vai muito além apenas ler a recomendação. As informações qualitativas trazidas pelo analista, as premissas utilizadas para as projeções e a tese de investimento de quem elaborou o relatório podem ser muito úteis no debate para a construção da tese do investidor.

Outros termos comuns utilizados pelos analistas são outperform (ou overweight) e underperfom (ou underweight). Ao classificar uma ação como outperform, significa que, em sua opinião, o ativo em questão deve superar o índice de referência, seja ele o Ibovespa ou algum índice setorial. Da mesma forma, underperform é uma ação cuja expectativa do analista é de performar pior do que o índice de referência.

Os tipos de relatórios de ações

Dessa forma, agora que entendemos os elementos mais comuns nos relatórios, vamos entender os tipos existentes. De maneira geral, podemos classificar os relatórios em duas classes: os relatórios de início de cobertura e os relatórios da temporada de resultados

Relatórios de início de cobertura

Os relatórios de início de cobertura são relatórios mais detalhados, pois representam, como diz o nome, é a primeira análise de alguma companhia. Nesse sentido, são relatórios ideais para um investidor que deseja ter uma visão mais ampla do negócio da empresa.

Como se trata de uma primeira análise, é comum conter no relatório todo histórico da companhia (ou detalhes da oferta, caso se trate de um IPO), além da descrição do modelo de negócios. Somado a esses tópicos, ainda entram a tese de investimentos, a análise financeira, estipulação do valor justo e a recomendação.

Relatórios da temporada de resultados

Tratam-se de relatórios mais curtos, geralmente não ultrapassam 3 páginas. Nesse sentido, como o nome deixa claro, são relatórios para comentar os resultados da companhia no trimestre. Os analistas responsáveis expõem sua opinião sobre o resultado de forma sucinta, além de expor suas projeções para os próximos períodos. Somado a isso, os analistas também indicam sua recomendação e o preço alvo para a ação nos próximos 12 meses.

Reflexões

Esperamos ter ajudado a responder a pergunta “como interpretar os relatórios dos analistas?” ao longo desse texto. É importante lembrar que o relatório não é apenas composto de preço alvo e recomendação. A visão do analista, as informações que trazidas por ele no relatório também são de grande valia para o investidor.

Ah, e mais uma coisa. Os analistas não são os donos da verdade, eles também erram e às vezes erram mais do que acertam, existem vários estudos sobre esse tema. Um estudo realizado pelo Professor Felipe Pontes, por exemplo, mostrou que a carteira recomendada dos analistas performou melhor do que o Ibovespa.

Lucas Costa Santos
Lucas Costa Santos
Analista de conteúdo TC School. Graduando em Economia pela UFPB
Membro do Projeto Quantum e vencedor do Prêmio Calouro Destaque em 2018.

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