21/02/2020 às 5:00

A arte de pensar claramente

TC School TC School

Resenha escrita pela equipe da gestora Trópico
http://tropicoinvest.com/

 

Autor do livro: Rolf Dobelli
Publicado em: outubro de 2014

Introdução

Com mais de 500 mil exemplares vendidos na Alemanha “A Arte de Pensar Claramente”, do empresário suíço Rolf Dobelli, apresenta uma compilação de pesquisas inovadoras nas áreas de economia comportamental, psicologia e neurociência apontando desvios sistemáticos, em relação à pensamentos considerados lógicos e sensatos, que comentemos. Desvios estes chamados de erros de pensamento.

Mas por que o uso da palavra sistemático? Justamente porque nos enganamos muitas vezes na mesma direção. Por exemplo, é muito mais comum superestimar o nosso conhecimento do que subestimá-lo. Ou até então o medo da perda de alguma coisa: nos faz agir muito mais rapidamente do que a perspectiva de um ganho de mesma proporção.

A arte de pensar claramente” relata cinquenta e dois erros de pensamentos (infra citados), mas selecionamos vinte e dois (em destaque) para este resumo:

  1. Viés de Sobrevivência
  2. Ilusão do corpo de nadador
  3. Efeito do excesso de autoconfiança
  4. Prova Social
  5. Falácia de custo irrecuperável
  6. Reciprocidade
  7. Viés de confirmação (Parte I)
  8. Viés de confirmação (Parte II)
  9. Viés de Autoridade
  10. Efeito de contraste
  11. Viés de disponibilidade
  12. Armadilhas do tipo “Vai piorar antes de melhorar”
  13. Viés de História
  14. Viés retrospectivo
  15. O conhecimento do motorista
  16. Ilusão de controle
  17. Tendência à hipersensibilidade ao estímulo
  18. Regressão à média
  19. Tragédia dos comuns
  20. Viés de resultado
  21. Paradoxo da escolha
  22. Viés de afeição
  23. Efeito dotação
  24. O milagre
  25. Pensamento de grupo
  26. Negligência com a probabilidade
  27. Viés de risco zero
  28. Viés da escassez
  29. Negligência com a taxa-base
  30. Falácia do jogador
  31. A âncora
  32. A indução
  33. Aversão à perda
  34. Preguiça social
  35. Crescimento exponencial
  36. Maldição do vencedor
  37. Viés fundamental da atribuição
  38. Falsa causalidade
  39. Efeito Halo
  40. Caminhos alternativos
  41. Ilusão de prognóstico
  42. Falácia de conjunção
  43. Enquadramento
  44. Viés de Ação
  45. Viés de omissão
  46. Viés de autoatribuição
  47. Esteira hedônica
  48. Viés da autosseleção
  49. Viés de associação
  50. Sorte do iniciante
  51. Dissonância cognitiva
  52. Desconto hiperbólico

 

Viés de Confirmação (Parte I)– fique atento quando ouvir a expressão “caso especial”

Este viés retrata o erro de pensamento mais comum: a tendência de interpretarmos novas informações, de modo que se encaixem em nossas convicções e visões de mundo. Segundo Warren Buffett: “O que as pessoas mais sabem fazer é filtrar novas informações de tal forma que as concepções existentes permanecem intactas”.

Na economia, por exemplo, este viés é muito utilizado: quando temos sucesso com uma nova estratégia e, quando aparecem indícios contrários, estes são ignorados, considerados como “casos especiais”. Quando as evidências de sua teoria se contradizem: leve-as especialmente a sério, podem levar à novas conclusões.

 

Viés de Confirmação (Parte II) – como podemos nos proteger?

Quanto mais fraca for a teoria, mais filtros serão aplicados às novas informações.  Isto é mais evidente a cada dia, por exemplo, nas redes sociais. Buscamos comunidades e pessoas que pensam como nós, que não nos refutam, e tendemos a ignorar aqueles que pensam diferentes.

Devemos procurar opiniões contrárias às nossas, para que possamos tirar conclusões reais e não unilaterais sobre determinado assunto.

 

Viés de Autoridade – Por que você não deve respeitar as autoridades

Confiar em autoridades nos leva à dois problemas: o saldo de êxitos que, muitas vezes pode ser decepcionante (errar é humano) e o fato de que levamos nosso pensamento a um nível inferior. Em relação a opiniões de especialistas, somos bem menos cautelosos do que em relação a outras opiniões. Isto pode nos levar a tomar decisões por impulso.

 

Viés de Disponibilidade – Por que é preferível usar o mapa errado de uma cidade a não usar nenhum

O viés de disponibilidade quer dizer o seguinte: fazemos uma ideia do mundo com base na facilidade com a qual exemplos nos ocorrem. O que, evidentemente, é uma tolice, pois na realidade algo não acontece com mais frequência só porque podemos imaginá-lo mais facilmente.

Desta maneira, por exemplo, acabamos superestimando o risco de morrermos em um acontecimento mais sensacionalista, como num acidente de avião; e subestimando maneiras menos sensacionalistas, como por depressão.

A tudo que é silencioso, invisível, colocamos uma probabilidade muito baixa. Nosso cérebro pensa de maneira dramática e não quantitativa.

 

O Conhecimento do Motorista – Por que você não deve levar a sério os apresentadores de telejornais

De acordo com Charlie Munger, há dois tipos de conhecimento: o autêntico, em que foi despendido muito tempo e trabalho para consegui-lo; e o conhecimento do motorista: reproduzido como em uma apresentação, mas totalmente oco. Duvide daqueles que apenas reproduzem conteúdos vagos sem uma base de argumentação minimamente considerável.

Warren Buffet já dizia que devemos identificar nosso “círculo de competência” e permanecer dentro dele. O tamanho deste círculo não é importante, apenas descobrir quais seus talentos. Caso não saiba a respeito de certo assunto, não tenha medo de falar “não sei”. Dirá esta frase até com orgulho. Dos “motoristas, se ouvirá de tudo, menos isto.

 

Ilusão de controle – Você tem menos controle de si do que pensa

Este erro de pensamento trata da nossa tendência de acreditarmos que podemos controlar ou influenciar algo que, objetivamente não temos poder nenhum.

A ciência comprovou que aqueles que acham ter um maior controle sobre algum fenômeno, como por exemplo: apertar um botão para abrir o farol e atravessar a rua, acabam suportando-o por um tempo muito maior.

 

Regressão à média – O desempenho duvidoso de médicos, consultores, treinadores e psicoterapeutas

Resultados extremos acontecem. Eventos extremos, como ótimos ou péssimos resultados isolados, acontecem e tendem a retornar a suas médias. Dificilmente a ação mais bem-sucedida dos últimos três anos será a mais bem-sucedida nos próximos três. Não tente chegar a conclusões precoces tendo como base unicamente outliers.

 

Tragédia dos comuns – Por que pessoas racionais não apelam para a razão

A tragédia dos comuns, no sentido literal do termo, refere-se ao lugar comum. Sim, àquilo que dividimos, o comunitário. Este erro de pensamento consiste em expectar que problemas coletivos serão resolvidos por esclarecimentos individuais, como “sentimentos sociais”.

Em toda ocasião em que o proveito recai sobre o comum, mas os custos recaem sobre o comunitário, como o uso consciente da água, banheiros públicos ou o descarte do lixo: há o risco da tragédia dos comuns. Este efeito passa a ocorrer a partir de cem pessoas. Aqueles bens cuja privatização é inviável, como a camada de ozônio, devem ser administrados com regras limitadoras.

 

Viés de afeição – Você age de modo irracional porque quer ser amado

Este viés é muito simples de se entender, porém, sempre caímos nele. Quanto mais alguém é simpático conosco, mais tendemos a querer comprar ou ajudar esta pessoa. Mas, do ponto de vista da ciência, o que é ser simpático?

  1. Ter uma aparência atraente
  2. se assemelhar a nós em relação à origem, à personalidade e aos interesses
  3. nos achar simpáticos.

Nesta ordem. A simpatia funciona melhor do que suborno.

Por exemplo: o espelhamento (mirroring) está entre as técnicas padrão de venda. Imitar o seu comprador torna você mais simpático na visão dele (irracionalmente), o que faz com que tenha preferência em comprar com você.

Lição: é sempre bom julgar um negócio independente do vendedor. Imagine que ele não exista, ou até seja antipático, para mitigar este viés.

 

Viés do pensamento de grupo – Por que o consenso pode ser perigoso!

O professor de psicologia Irving Janis propõe duas ilusões que surgem deste erro de pensamento: a invulnerabilidade e a unanimidade. A primeira trata que, inconscientemente, membros de um grupo desenvolvem um espírito de corpo ao construir ilusões, acreditando que a sorte está ao seu lado. Já a segunda trata de um pensamento extremamente comum: “se todos os outros têm a mesma opinião, a minha diferente deve estar errada”.

 

Viés da escassez – por que os biscoitos são mais gostosos quando são poucos

Este é um viés tão antigo quanto a própria humanidade. Ao nos depararmos com algo escasso, a nossa reação típica é a da perda do pensamento racional: passamos a agir por instinto.

Só julgue uma coisa com base no preço e utilidade e não pela sua oferta. Somos, por exemplo, muito susceptíveis a propagandas como “só hoje”, “só enquanto durar nosso estoque”, justamente porque acionam este viés em nós. E isto faz com que tomemos decisões por impulso.

 

Falácia do jogador – Por que não existe nenhuma força que compense o destino

Os acontecimentos são independentes, não existe força mística compensatória. Não é por que tal número já foi sorteado inúmeras vezes em um cassino, ou na loteria, que ele será o premiado novamente. Devemos esquecer estas “forças compensatórias” do destino, exceto nos casos de regressão à média.

 

Viés da aversão à perda – Por que as expressões sérias chamam nossa atenção mais rapidamente do que as amigáveis

Aversão à perda apresenta reflexões de como o mal repercute mais que o bem. Tomemos como exemplo o que acontece na bolsa de valores: os investidores tendem a não reconhecer as perdas, pois preferem esperar e torcer para que o preço de seus ativos retome ao patamar inicial. O medo de perder alguma coisa motiva mais do que a chance de ganhar algo de mesmo valor. O medo conduz à aversão a perda.

 

Viés da Preguiça social – Por que as equipes são preguiçosas

Um experimento mediu a força empregada num puxão de corda, tendo como variável o número de homens. O resultado do total de força empregada foi de 93% para dois homens, 85% para três e, para oito, apenas 49%.

A ciência chama este efeito de preguiça social e surge quando o desempenho individual não é visível diretamente, mas dilui-se no grupo. Ele é um comportamento racional: por que devo despender toda a minha força se com a metade dela eu obtenho o mesmo resultado? De qualquer modo, o desempenho nunca chega a zero pois seria visível a falta de participação.

O mesmo se repete em reuniões e com equipes grandes.

 

Viés do crescimento exponencial – Por que uma folha dobrada transpõe nosso pensamento

Qual sua estimativa de espessura para 50 dobras de um pedaço de papel? Resposta: 100 milhões de quilômetros. Compreendemos o crescimento linear de maneira intuitiva, o que não ocorre com o crescimento exponencial, justamente porque nosso passado evolucionário não nos preparou para isso. Em sua maior parte, as experiências dos nossos antepassados eram do tipo linear: quem despendia 2x o tempo em uma colheita, colheria 2x o número de alimentos, por exemplo.

 

Maldição do vencedor – Quanto você pagaria por um euro?

A maldição do vencedor diz: “o vencedor de um leilão é o verdadeiro perdedor”. Quanto mais concorrência temos por um item, mais dinheiro ficamos dispostos a despender para adquiri-lo.

Siga a dica de Warren Buffett: “Nunca participe de leilões”. Caso não seja possível, estabeleça um preço máximo ao qual esteja disposto a chegar.

 

Falsa causalidade – Por que você não deve acreditar na cegonha

Pensemos na seguinte manchete: “Boa motivação dos colaboradores leva a um lucro maior nas empresas”. Será que foi a motivação que levou um lucro maior, ou será que os colaboradores ficaram mais motivados por que a empresa está indo bem?

Este erro de pensamento baseia-se na nossa capacidade de criar causa e consequência para tudo. Relação não é causalidade, necessariamente.

 

Efeito Halo – Por que as pessoas bonitas têm mais facilidade para crescer na carreira

O psicólogo Edward Lee descobriu-o há quase cem anos: este efeito diz que deixamo-nos ofuscar por um aspecto e, a partir dele, deduzimos a imagem completa. A partir de efeitos fáceis de serem analisados, como a situação financeira de uma empresa, características difíceis são esquecidas, como o bom desempenho da administração ou a excelência de uma estratégia.

 

Ilusão de prognóstico – Como a bola de cristal deforma seu olhar

Somos bombardeados diariamente por muitas previsões de especialistas, mas até que ponto são confiáveis? Um professor da Berkeley avaliou um total de 82.361 previsões feitas por 284 especialistas, num período de dez anos. No final, os prognósticos ocorreram com menos frequência do que se fossem feitos por um gerador aleatório.

Sempre que vemos uma previsão, devemos pensar em duas coisas:

  1. Qual é o sistema de incentivo do especialista? Ele precisa apenas de atenção da mídia, como um guru da moda, ou poderia perder seu emprego caso errasse?
  2. Qual a taxa de acertos deste especialista? Nos últimos anos, quantas vezes ele errou ou acertou?

 

Viés de enquadramento – É o tom que faz a música

A mesma mensagem, apresentada de diferentes formas, pode ser recebida de maneiras totalmente diferentes e fazer toda diferença na reação do receptor. No jargão dos psicólogos, isto se chama enquadramento.

Exemplo: um teste provou que as pessoas acham mais saudável um produto apresentado como “99% livre de gorduras” do que “1% de gordura”, mesmo sendo a mesma coisa. O enquadramento também ocorre quando dirigimos nossa atenção a algum aspecto ou uma parte do todo. Todo relato está sujeito ao enquadramento.

 

Viés da Autosseleção – Não se espante por existir

O viés da autosseleção é onipresente e entra em ação quando somos presentes de uma amostra aleatória. Temos um exemplo básico dele: uma editora de boletins informativos envia um questionário a seus assinantes com o objetivo de descobrir o quanto o boletim lhes agrada.

Obviamente, só os clientes que não cancelaram a assinatura receberão o questionário, tendo, portanto, um maior número de clientes satisfeitos, fazendo com que o questionário não tenha valor. Desconfie de pesquisas feitas com um resultado “previamente estabelecido”.

 

Viés do desconto hiperbólico – Teste do marshmallow

O desconto hiperbólico refere-se ao fato de que somos fascinados pelo imediatismo: vestígio de nosso passado primitivo. Tomamos decisões que, dependendo do horizonte temporal, são inconscientes. Os animais não são preparados para recusar uma recompensa instantânea a fim de receber uma recompensa ainda maior se esperarem um tempo por isto.

Quanto mais velhos ficamos, mais autocontrole temos para adiar recompensas com um prazo longo. Contudo, o mesmo não ocorre para o imediatismo.

TC School

TC School

Disclaimer: Este material é produzido e distribuído somente com os propósitos de informar e educar, e representa o estado do mercado na data da publicação, sendo que as informações estão sujeitas a mudanças sem aviso prévio. Este material não constitui declaração de fato ou recomendação de investimento ou para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários. O usuário não deve utilizar as informações disponibilizadas como substitutas de suas habilidades, julgamento e experiência ao tomar decisões de investimento ou negócio. Essas informações não devem ser interpretadas como análise ou recomendação de investimentos e não há garantia de que o conteúdo apresentado será uma estratégia efetiva para os seus investimentos e, tampouco, que as informações poderão ser aplicadas em quaisquer condições de mercados. Investidores não devem substituir esses materiais por serviços de aconselhamento, acompanhamento ou recomendação de profissionais certificados e habilitados para tal função. Antes de investir, por favor considere cuidadosamente a sua tolerância ou a sua habilidade para riscos. A administradora não conduz auditoria nem assume qualquer responsabilidade de diligência (due diligence) ou de verificação independente de qualquer informação disponibilizada neste espaço. Administradora: TradersNews Informação & Educação Ltda. Todos os direitos reservados.

TradersClub

O app essencial para investidores do mercado financeiro brasileiro.

Uma comunidade com milhares de investidores, ferramentas e serviços que vão ajudar você a investir melhor!

TradersClub