TC School / Governança Corporativa

Como as políticas ESG podem influenciar os retornos das ações?

08/07/2020 às 5:00

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Nesse texto, trataremos sobre um modelo quantitativo baseado em ESG, evidenciando que a escolha de empresas com base em critérios de governança também pode entregar bons resultados para o investidor. Dessa forma, o texto está divido nos seguintes tópicos:

  • Conceitos – O que é ESG?
  • Políticas de ESG – Elas podem influenciar a volatilidade/retorno das ações?
  • Importância dessas Informações para os Investidores

Boa leitura!

ESG

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Conceitos – o que é ESG?

ESG é a sigla em inglês para Environmental, Social and Corporate Governance que em português seria equivalente a Questões Ambientais, Sociais e de Governança (ASG).

Nesse sentido, as empresas que têm boas práticas de ESG são companhias que são menos vulneráveis a problemas de reputação da diretoria e de práticas ambientais/sociais e de governança, como também impactos de risco político e regulatório.

Pesquisas acadêmicas evidenciam que empresas socialmente responsáveis possuem retornos superiores às empresas que não são. Além disso, outro fato importante é que, apesar de associar menor risco com menor rentabilidade, existem também estudos acadêmicos que indicam que empresas boas em ESG possuem maiores retornos com menor volatilidade.

Dessa forma, após entender os conceitos que norteiam o ESG, iremos apresentar alguns resultados do modelo quantitativo criado por Kumar et al (2016), bem como outros estudos que tratam sobre a relação de retorno e ESG.

ESG x Volatilidade

Utilizando dados do Dow Jones com o período de Janeiro de 2014 a Dezembro 2015 , separando empresas que compõe o índice Down Jones de Sustentabilidade, índice que está entre os mais antigos e relevante nessa área. Assim, os pesquisadores buscaram comparar o desempenho de empresas que possuem boas práticas de ESG das que não possuem.

Assim, o artigo de Kumar et al (2016) quando analisada a volatilidade de empresas com  boas práticas de ESG e as que não têm, foi identificado que nos 12 setores analisados pelo trabalho, o grupo de empresas listadas na ESG apresenta menor volatilidade do retorno das ações em comparação com as empresas de referência, apresentando em média uma volatilidade de 28,67% menor, conforme o gráfico abaixo.

ESG

Fonte: Kumar et al (2016)

A explicação para uma volatilidade menor nas empresas que tem melhores práticas ESG é que essas empresas apresentam menores riscos, como por exemplo, relacionados à fraudes, ou apresentam boas práticas sobre governança, questões sociais e ambientais, e por causa disso, sofrem menos volatilidade do que outras empresas.

ESG x Retorno

Depois de analisar a volatilidade, a pesquisa de Kumar et al (2016) buscou avaliar o retorno entre as empresas com boas praticas de ESG e as que não possuem. Em essência, a ideia geral nos investimentos é que um menor risco traria menor retorno, porém o modelo dos autores evidenciou que as empresas com boas práticas de ESG tiveram um retorno superior às outras empresas.

Assim, conforme o gráfico abaixo, dos 12 setores analisados, em 8 deles as empresas ESG apresentaram um retorno superior as outras empresas, oscilando entre um retorno de 2,25% a 31,84% superior. Quando se analisou de forma conjunta os 12 setores, o retorno foi 6,12% maior para as empresas ESG do que as outras empresas.

ESG

Fonte: Kumar et al (2016)

Nesse sentido, dentre os resultados apresentados no estudo de Kumar et al (2016), ressaltam que o  menor risco em realizar investimentos em empresas com boas práticas ESG pode realmente melhorar o retorno ajustado ao risco do investimentos nessas empresas.

Os achados da pesquisa de Kumar et al (2016), corroboram os resultados de Kotsantonis, Pinney e Serafeim (2016) que apresentaram a realidade de diversos mitos sobre o investimento ESG, dentre eles desmitificando que boas práticas ESG reduzem o retorno sobre o capital e o valor dos acionistas a longo prazo, onde na verdade, boas praticas ESG levam a escolher empresas com vantagens competitivas nos mercados de produtos, mão-de-obra e capital. Sendo assim, carteiras que possuem métricas ESG integradas proporcionaram retornos médios aos seus investidores superiores aos das carteiras convencionais.

Impactos das informações nos investidores

Assim, pode-se perceber que o investimento ESG poderá trazer bons retornos aos seus investimentos, com uma possibilidade de menor volatilidade conforme apresentado anteriormente. Porém fora isso, o investimento ESG também pode trazer algumas informações importantes para o investidor conforme abaixo.

O estudo de Qureshi et al  (2020) que utilizou como base de dados de 812 empresas de 22 países da Europa com dados de 2011 a 2017, identificou que existe um impacto positivo da divulgação de informações sobre sustentabilidade e de diversidade de gênero no valor da empresa.

Nesse sentido, esse resultado pode ser explicado pelo fato de empresas ESG, apresentarem menores níveis de manipulação de resultados, consequentemente apresentando melhor qualidade nas suas demonstrações e maior valor de mercado (REZAEE; TUO, 2019).

Todavia, apesar do resultado apresentado anteriormente, podemos encontrar pesquisas como a de Silva Júnior (2020), que utilizando como amostra as empresas brasileiras com dados de 2010 a 2018, teve como achado a relação positiva entre a evidenciação de informações sobre Responsabilidade Social Corporativa (RSC), associada a informações de cunho ambiental, com maiores níveis de manipulação de resultados, indicando possíveis casos de oportunismo e greenwashing (falsas promessas de sustentabilidade) praticados pelas empresas.

ESG no Brasil

Recentemente foi divulgado uma notícia em que 38 CEO’s assinaram um documento pedindo o fim do desmatamento da Amazônia. Nessa lista observamos empresas com bom retrospecto ambiental como a Klabin e também observamos empresas como a Eletrobras e Vale que foram retiradas de fundos soberanos por más práticas de ESG. Dessa forma, antes de avaliar noticias e relatórios, o investidor preocupado com essas questões deve avaliar também o histórico da gestão.

Por fim, o investidor deve analisar esses fatores com bastante cuidado, pois, apesar de existirem estudos que evidenciam que empresas que possuem essas boas práticas podem apresentar melhores retornos, bem como entregar esse retorno como menor volatilidade, existe também a possibilidade das empresas divulgarem informações ESG como forma de gerenciar os resultados, corroborando com uma forma de greenwashing.

Referências

KOTSANTONIS, Sakis; PINNEY, Chris; SERAFEIM, George. ESG integration in investment management: Myths and realities. Journal of Applied Corporate Finance, v. 28, n. 2, p. 10-16, 2016.

KUMAR, N. C. et al. ESG factors and risk-adjusted performance: a new quantitative model. Journal of Sustainable Finance & Investment, v. 6, n. 4, p. 292-300, 2016.

QURESHI, Muhammad Azeem et al. The impact of sustainability (environmental, social, and governance) disclosure and board diversity on firm value: The moderating role of industry sensitivity. Business Strategy and the Environment, v. 29, n. 3, p. 1199-1214, 2020.

REZAEE, Zabihollah; TUO, Ling. Are the quantity and quality of sustainability disclosures associated with the innate and discretionary earnings quality?. Journal of Business Ethics, v. 155, n. 3, p. 763-786, 2019.

SILVA JÚNIOR, Francisco José da. A Sinalização do Gerenciamento de Resultados por Meio da Responsabilidade Social Corporativa no Brasil. Dissertação (Mestrado em Ciências Contábeis), Programa de Pós-graduação em Ciências Contábeis, Universidade Federal da Paraíba – UFPB, João Pessoa. 2020.

Ígor Leite
Ígor Leite
Contador e Mestre em Ciências Contábeis pelo PPGCC/UFPB
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