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O impacto da taxa de administração no retorno dos fundos de ações

15/09/2020 às 5:00

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Os fundos de investimento são essenciais para o funcionamento dos mercados. Porém, os fundos de investimento também apresentam peculiaridades. Neste artigo, vamos abordar as taxas de administração e desempenho (performance). Abaixo, os principais pontos:

  • Taxa de administração: entenda o funcionamento
  • Taxa de desempenho (performance): um incentivo para o gestor
  • O padrão 2/20: o mais comum no mercado
  • No longo prazo, quanto a taxa de administração impacta no retorno?

Boa leitura!

taxa de administração impactando retorno fundo de ações

Leia mais sobre fundos de investimentos:

Taxa de administração: entenda o funcionamento

A taxa de administração é o que você paga para que o gestor faça o trabalho dele: gerar rentabilidade com base na estratégia adotada pelo fundo. Logo, se o fundo é de renda fixa, o gestor do fundo irá tentar obter retornos operando títulos públicos e privados. Se for um fundo de ações, ele vai tentar obter retornos negociando ações. Se for um ETF, o gestor irá montar uma carteira para seguir um determinado índice de mercado. A taxa de administração também ser destinada a remunerar os demais prestadores de serviço que operacionalizam o fundo de investimento.

A taxa de administração incide sobre o valor total investido. Ou seja, o valor que você aplicou mais o rendimento do investimento e ela é expressa em percentual ao ano sobre o patrimônio do fundo. O valor da cota publicado diariamente pelo gestor já está líquido de taxa de administração (o pagamento efetivo ocorre mensalmente). Abaixo, temos uma tabela com as taxas

tabela taxa de administração fundos

Como exemplo, se uma pessoa investir R$ 100.000,00 em um fundo cuja taxa de administração é de 2% a.a, ao longo do ano pagará o equivalente a R$ 2.000,00 a título de taxa de administração. A taxa de administração pode variar de fundo para fundo, dependendo das estratégias empregadas e do capital humano dos funcionários do fundo.

Taxa de desempenho (performance): um incentivo para o gestor

Agora, fica o questionamento: qual é o incentivo que o gestor tem para bater o mercado? Neste caso, existe a taxa de desempenho (performance) que funciona como um incentivo para que ele apresente retornos cada vez maiores. A taxa de performance é uma ferramenta para alinhar seus interesses com o do gestor.

Note que seria confortável para o gestor de um fundo grande ficar confortável com a sua taxa de administração. Para incentivar a busca por maiores retornos, foi criada a taxa de desempenho que funciona como uma recompensa pelo trabalho.

A taxa de desempenho é cobrada quando a gestão do fundo bate um determinado benchmark, ou seja, quando ele supera um índice que o fundo usa como comparativo: alguns usam o Ibovespa e outros usam o CDI. Entretanto, este índice é definido pela documentação do fundo.

Vamos para um exemplo: imagine um fundo que tenha o Ibovespa como índice de benchmark. Assim, se o Ibovespa render 20% e o fundo 50%, a taxa de performance vai ser recolhida sobre os 30% de diferença.

E de quanto é a taxa de desempenho?

No geral, os fundos cobram em torno de 20% de taxa de desempenho. Logo, se o fundo rendeu 50% e o Ibovespa rendeu 20%, os 20% de taxa de desempenho irá incidir sobre os 30% de diferença, gerando uma taxa total de 6% (= 20% * 30%).

O padrão 2/20: o mais comum do mercado

No Brasil, é comum a cobrança da “taxa 2/20” nos fundos multimercado. O que seria isso? Basicamente, temos uma taxa de administração de 2% e uma taxa de performance de 20%. Será que isso é bom? Felizmente, esse padrão está mudando no Brasil devido aos cortes nas taxas de juros. Vamos explicar o que acontece.

Um exemplo de fundo que não bate o benchmark

Vamos supor que você escolhe investir em um fundo de renda fixa e que o mesmo rende em torno de 100% do CDI. Visto que o CDI rende em torno de 2% ao ano, você terá uma rentabilidade de aproximadamente 2% a.a também.

Usando o padrão 2/20, no final do ano, você terá pago 2% de taxa de admintração e  20% caso ele supere o benchmark (o que não aconteceu).

  • Vamos considerar que você acabou de investir R$ 10.000,00, o fundo rendeu 2% ao ano, resultando em R$ 10.200,00 no final do ano.
  • Agora, considerando a taxa de administração de 2%, você paga do capital investido, ou seja, R$ 200,00.
  • Você ficou com rendimento zero.

Neste caso, a taxa de administração não faz sentido para um fundo de renda fixa tão conservador assim. Porém, se o gestor bater o mercado, temos a incidência da taxa de desempenho de 20%.

Um exemplo de fundo que bate o benchmark

Vamos supor que você investiu os mesmos R$ 10.000 em um fundo que rendeu 27% e o CDI foi de 2% a.a.

Cobrando a taxa de administração. O fundo irá cobrar a taxa de administração de 2%. Logo, a rentabilidade será 27% menos os 2% de taxa de administração, resultando em 25%.

Cobrando a taxa de desempenho. No modelo 2/20 A taxa de performance é de 20% do que excedeu o benchmark, ou seja, 20% de 25%, resultando em uma taxa de desempenho de 5%.

Logo, a rentabilidade bruta de 27%, tornou-se 20%. Neste caso, valou a pena pagar as taxas, mas é sempre adequado olhar o retorno sobre o Ibovespa para avaliar se o fundo está cobrando taxas condizentes com as promessas de rentabilidade. Diversos fundos possuem como benchmark o CDI e investem completamente em renda fixa, fazendo com que o investidor pague toda a rentabilidade em forma de taxa de administração.

Linha d’água ou marca d’água

Por fim, temos o conceito de linha d’água. Se um fundo obtém rentabilidade inferior ao do benchmark em um período, a taxa de performance no período seguinte vai ser cobrada compensando tal diferença.

Essa taxa evita a remuneração dos gestores por desempenhos circunstanciais, como aquele que acabou de perder capital, mas conseguiu superar o benchmark ao realizar um market timing certeiro. A linha d’agua premia os fundos com performance consistente. A linha d’água é dada pelo valor da cota na data da última cobrança da taxa de performance.

Um exemplo do cálculo da Linha d’agua

Primeiro momento: subida

Imagine um FIA, cujo benchmark é o Ibovespa, com taxa de performance de 20% e que apresentou um desempenho de 20% entre os meses de janeiro e junho deste ano. No mesmo período, o Ibovespa subiu 10%. Vamos ver como o fundo vai calcular a taxa de desempenho.

Por simplificação, vamos assumir que o valor da Valor da cota-base do FIA em janeiro é de R$ 100,00.

Agora, vamos ajustar o valor da cota pelo Ibovespa.

Logo, o valor da cota-base, remunerada pelo Ibovespa é de R$ 110,00, dado por R$ 100 X (1,10).

Em seguida, ajustamos o valor da cota do FIA pelo desempenho do FIA.

Valor da cota-base, ajustada pelo desempenho do fundo no período é de R$ 120,00, vemos por R$ 100,00 X (1,20).

A taxa de performance será de (120 – 110) X (0,20 )= R$ 2,00

Dos R$ 10,00 de acima do Ibovespa, o gestor do fundo recebe R$ 2,00 e entrega R$ 8,00 ao investidor.

Segundo momento: queda

Nos seis meses seguintes, o FIA apresenta um retorno negativo de 25% (isso foi o que alguns fundos de ações no brasil apresentaram por conta dos impactos da Covid-19), enquanto o Ibovespa cai 45%. Refazendo-se os cálculos, temos:

O valor da cota-base é R$ 120

O valor da cota-base, remunerada pelo Ibovespa é de R$ 66,00, dado por R$ 120 (1 – 0,45).

Já o valor da cota-base, ajustada pelo desempenho do FIA, será de R$ 90,00, dado por 120(1 – 0,25).

E aí? Agora, mesmo com o fundo apresentando uma queda menor do que o Ibovespa, (-25% vs. -40%), não temos cobrança da taxa de desempenho, uma vez que o valor da cota-base atual (R$90) é menor que o da linha d’água (R$ 120) que é válida desde o período anterior da sua cobrança.

No longo prazo, quanto a taxa de administração impacta no retorno?

Abaixo, temos um exemplo do impacto da taxa desempenho sobre os retornos dos fundos. Note que que não é possível fazer uma simulação perfeita, visto que a rentabilidade dos fundos irá variar com o tempo. Neste exemplo, assumimos uma taxa de retorno constante para observar a diferença com e sem taxa.

Por fim, na tabela abaixo, temos a diferença final em 25 anos.

Assim, é possível notar que a taxa de administração tem um impacto considerável na rentabilidade do seu investimento no longo prazo. Além disso, utilizamos no exemplo fundos que obtiveram ótimos retornos, o que nem sempre acontece na vida real. Por fim, lembre-se que o gestor cobra a taxa de administração independente do resultado e que escolher bons fundos é tão difícil quanto escolher boas ações.

Até a próxima!

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