09/03/2020 às 4:52

Reserva de emergência: o que é, por que fazer, como fazer?

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A Reserva de Emergência precisa ser o ponto inicial de qualquer investidor. De nada adianta projetar grandes ganhos no curto prazo em operações se não tiver boa educação financeira uma Reserva de Emergência estruturada ou definitivamente montada, com razoável liquidez. Não tendo esta reserva, você corre um alto risco que pode comprometer todo o trabalho com os investimentos.

 

Mas, o que é uma Reserva de Emergência?

A Reserva de Emergência é aquele dinheiro que você guarda para, como o nome diz, emergências. Algumas pessoas usam também como uma Reserva de Oportunidade, onde fica o caixa para compras de ativos ou de bens quando eles estiverem sendo negociados a preços atrativos.

Eu prefiro separar as coisas. Reserva de Emergência de um lado, Reserva de Oportunidade do outro. Mas o texto é sobre o primeiro caso, então vamos continuar nele.

Não existe uma regra, mas alguns caminhos são básicos para que você construa sua Reserva de Emergência. O que eu sempre sugiro é algo em torno de três a seis meses do do seu custo de vida mensal. Se você é assalariado, faz a conta com o salário que ganha, mas se é autônomo, usa o custo de vida. No caso de profissões instáveis, onde os ganhos são esporádicos, é bom aumentar esse tempo e chegar a 12 meses. Lembrando, apenas sugestão.

A grande discussão em torno da Reserva de Emergência fica sobre onde deixar o dinheiro. Antes de falar as opções, um exercício básico para entender o que queremos com a reserva. É muito melhor entender e, assim, decidir, do que simplesmente decorar o que deve ser feito.

 

Onde deixar o dinheiro da Reserva de Emergência?

A Reserva de Emergência está ali para ser utilizada em caso de emergências, não é isso?

Estas ocasiões podem ser perda do emprego, batida no carro, problema de saúde, reforma urgente em casa. Situações inesperadas e que precisam de uma resposta (financeira) rápida. Se são essas utilidades, o que devemos priorizar ao escolher a opção é a liquidez, ou seja, a possibilidade de transformar o número na conta em dinheiro vivo. Quanto mais fácil, melhor para a função da reserva. Aqui não é lugar de buscar rentabilidade.

 

Conheça as opções disponíveis

Com essa questão clara na cabeça, vou deixar algumas opções que você pode utilizar de acordo com sua preferência.

  • Poupança

Sim, ela mesma. A Caderneta de Poupança. Tão criticada, xingada, abusada, ela pode ter uma boa utilidade para a Reserva de Emergência. Tem dúvida? Une segurança e liquidez como ninguém. Com um cartão na mão, você consegue sacar em qualquer caixa eletrônico. Contra ela pesa o fato de perder para a inflação. É o preço a ser pago pela maior liquidez possível. Seja feriado ou fim de semana, você pode resgatar – mas lembre-se que a rentabilidade da poupança ocorre sempre no aniversário do depósito, se você sacar antes de completar um mês, a rentabilidade é perdida.

  • Bancos Digitais

Apesar de alguns não permitirem saque, têm liquidez quase igual à da poupança. Pode fazer transferência pelo celular, por exemplo. Sem contar que têm rendimento próximo ou acima da Taxa Selic. Você consegue fazer render um pouco mais, mas não têm ainda a mesma segurança que a poupança. Muita gente olha torto, mas é uma opção boa.

  • Tesouro Selic

Talvez seja a opção mais utilizada para formar a Reserva de Emergência. O que pesa contra é a liquidez. Se pedir o resgate pela manhã, recebe pela tarde. Mas se pedir pela tarde, só no dia seguinte. E se a emergência surgir no fim de semana ou feriado? Nesse caso, a alternativa pode ser usar o cartão de crédito ou cheque para depois pagar com o resgate.

  • Fundos DI

Existem no mercado diversas opções de fundos com taxas que podem servir para montar a Reserva de Emergência. Sem as taxas, o rendimento inclusive fica acima do próprio Tesouro Selic. Pesa contra eles a questão da liquidez.

 

Qual é a melhor opção?

Com as opções na mesa, cabe a você fazer a análise de qual delas se encaixa melhor em seu perfil e disponibilidade, mas sem esquecer os dois pontos principais: sem risco e alta liquidez. Há ainda um meio diferente, que divide a reserva, mas que não indico para quem ainda não conhece bem o mercado.

Como a Reserva de Emergência está ali para ser usada em casos específicos e raramente a utilizamos de uma vez, pode-se fazer uma montagem híbrida: uma parte, que seria destinada ao curto prazo, em opções de maior liquidez de fato. É a primeira opção na emergência. A outra parte poderia ser distribuída em ativos de baixo risco, mas com prazo de 30 dias, por exemplo.

Nesse caso, você teria à disposição o valor imediato caso necessitasse e poderia se programar para continuar abastecido financeiramente em caso de uma demissão, por exemplo. É uma opção interessante. Mantém a reserva líquida e consegue, com uma parte, ter maior rendimento. Acredito ser uma opção a ser adotada por quem tem mais controle e conhecimento.

Cada um monta a sua onde achar mais confortável. Inclusive, a Reserva de Emergência não precisa estar 100% pronta para começar a investir. É o ideal, mas você pode perfeitamente encaminhar a reserva e, aos poucos, começar a montar sua carteira de investimento. O que você não pode, de forma alguma, é abdicar do princípio básico da Reserva de Emergência: liquidez e segurança!

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Raphael Carneiro
Jornalista e investidor
Trabalha com educação e planejamento financeiro. Possui certificação em Gestão de Finanças Pessoais e atua no mercado financeiro brasileiro há cinco anos

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