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Você sabe o que são derivativos de crédito?

21/08/2020 às 14:00

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Neste texto, você aprenderá o conceito de derivativo de crédito, um instrumento financeiro utilizado para proteger o credor contra a inadimplência do tomador da dívida. Para facilitar o entendimento, o texto está dividido nos seguintes tópicos:

  • Derivativos de crédito: explicando o conceito
  • Na prática: um exemplo com CDS
  • É simples adquirir um CDS?

Boa leitura!

Desenho de computador e texto escrito você sabe o que são derivativos de crédito?

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Derivativos de crédito: explicando o conceito

Primeiramente, é preciso definir derivativo de crédito que é um contrato que fornece ao credor proteção contra a inadimplência do mutuário. O tipo mais comum de derivativo de crédito é o CDSCredit Default Swap. O CDS é, de forma simples, uma apólice de seguro contra uma inadimplência (default, em inglês). Dessa forma, o investidor paga um prêmio e, em caso de inadimplência do emissor do título de dívida, recebe uma indenização da instituição emissora do derivativo.

O CDS é largamente utilizado como termômetro de risco para países. O que se costuma chamar de “risco país” é justamente o custo associado à compra de um CDS para se proteger contra potencial inadimplência em um título de dívida emitido por determinada nação. O preço do CDS está diretamente relacionado com a probabilidade de o emissor não honrar suas dívidas: quanto maior é o risco de crédito percebido do país, mais caro é o CDS.

Na prática: um exemplo com CDS

Suponha que determinado país emita títulos de dívida no valor de 100 milhões de dólares para se financiar e se comprometa a pagar juros anuais de 3%. Um fundo de investimento compra sozinho o total da emissão mas teme que o país a quem acabou de financiar tenha dificuldade em honrar os pagamentos. Assim, para buscar proteção contra esse risco, procura no mercado um banco disposto a emitir um CDS. O banco por sua vez tem percepção mais favorável ao risco de crédito deste país e cobra 1% (ou 100 pontos-base) para vender o CDS para o fundo.

Anualmente, o fundo de investimento pagará ao banco 1% do valor de face da operação (ou US$1 milhão). Se o país emissor dos títulos deixar de honrar algum pagamento de juros anuais ou mesmo falhar em devolver o valor principal, o fundo de investimento receberá os valores do banco que vendeu o derivativo. Por outro lado, se o país fizer corretamente os pagamentos de juros e principal, o fundo terá perdido todo o prêmio pago (US$ 5 milhões) que se transformou em lucro para o banco vendedor do CDS.

No jargão de mercado, diria-se que o risco deste país é de 100 pontos!

Existe também muita especulação neste mercado. Vender CDS pode ser uma estratégia especulativa vencedora (e perigosa) de coletar prêmios no mercado vendendo seguros na expectativa de que não sejam exercidos. E comprar CDS, sem possuir dinheiro investido em títulos ou obrigações, é uma forma de especular contra a saúde financeira de países e empresas.

É simples adquirir um CDS?

O CDS é tipicamente um contrato OTC (over-the-counter), o que em bom português significa que é negociado no mercado de balcão. Ser negociado no balcão quer dizer que não se consegue comprar e vender CDS na bolsa como se fosse uma opção, por exemplo. Devido a alta complexidade e customização, estes contratos são feitos um a um, de acordo com a demanda dos investidores e especuladores.

Os derivativos de crédito, especificamente os CDS, ficaram famosos para o grande público após serem retratados com muita ênfase no filme The Big Short (A Grande Aposta), adaptação para o cinema do livro homônimo de Michael Lewis.

Na história, os gestores de alguns fundos de investimentos ficam escandalizados quando entendem os complexos produtos de crédito imobiliário criados com ativos de baixa qualidade, como CDO (Collateralized Debt Obligation) e MBS (Mortgage-Backed Security). Eles passam então a comprar CDS como forma de ganhar dinheiro caso houvesse inadimplência destes ativos. Para os grandes bancos e seguradoras, estes ativos eram vistos como livres de risco. Assim, toparam vender quantidades enormes de CDS, na certeza de que teriam lucro fácil coletando os prêmios sem se preocupar com a possibilidade de calote.

Por fim, já sabemos como isso terminou. É o que hoje os livros de história chamam de GFCGlobal Financial Crisis.

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Mário de Avelar, CFA
Mário de Avelar
CFA
Certificações CFA e CGA. Gestor de fundo de investimento profissional. Mais de 15 anos de experiência em bancos, corretoras e assets. Atuou como gestor de fundo de investimento multimercado e de ações. Desenvolveu estratégias de investimento quantitativas no mercado de ações e de derivativos. Tem experiência como formador de mercado e atualmente é Head Trader de opções.

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