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Prejuízo com opções: como fica a questão tributária?

24/08/2020 às 15:00

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Nessa fatídica série H de 2020, vários investidores tiveram prejuízo com opções, com ele surgiram dúvidas. Nesse artigo irei ensinar a compensar as perdas. Para facilitar o entendimento, o texto está dividido nos seguintes tópicos:

  • Prejuízo com opções: existe algum benefício tributário?
  • Exemplo real: COGNH100
  • Exemplo prático: simulação com prejuízo
  • Considerações finais

Boa leitura!

É iniciante? Indicamos que você leia antes de tudo um material bem completo que preparamos sobre opções.


Antes de continuarmos, baixe a nossa planilha para precificação de opções. Abordamos tanto o modelo Black & Scholes, quanto o modelo binomial.

Prejuízo com opções: existe algum benefício tributário?

Comprou uma opção e teve loss? Virou pó? Fique tranquilo, parece até piada, mas o dinheiro não será perdido. Por isso, a dor de deixar de ganhar às vezes é maior do que perder, pois, no nosso sistema fiscal, prejuízo ainda tem vantagens.

O dinheiro que foi empenhado na compra, no momento que é feito a venda (ou a opção vence fora do dinheiro, tornando-se “pó”), subtraindo da diferença, consta como prejuízo que pode ser abatido em DARFs no futuro.

Exemplo prático: COGNH100

Disclaimer, estou apenas relatando um exemplo real. Isso não caracteriza recomendação de investimentos.

Seguindo ao exemplo real, comprei COGNH100. Como muitos sabem, meu preço médio foi 0,41.

Para fins de simular este cálculo, vamos considerar a quantidade de 1000 opções, financeiramente sendo R$410(0,41 x 1000) meu custo.

Se por ventura eu tivesse lucro, deveria pagar DARF de 15% sobre o lucro no mês subsequente à venda (por exemplo se vendesse hoje, isso seria contabilizado para ser pago até o último dia útil de setembro). Assim, se vendesse essa opção 0,60, a venda totalizaria R$600=R$190 de lucro. Aqui para efeitos didáticos desprezei os custos da operação que são abatidos como taxas de corretagem, emolumentos, registro e liquidação. 

Sendo assim: valor do DARF (15% de 190,00) = 28,50 (supondo que seja somente essa operação no mês).

Até aqui tudo bem, no lucro não temos dificuldade. Mas no prejuízo podemos minimizá-la.

No exemplo a seguir, que é o ponto que queria chegar, teremos uma operação de lucro e uma de prejuízo.

Exemplo prático: simulação com prejuízo

Se neste caso eu tivesse encerrado 2 operações, sendo uma o lucro do exemplo acima de COGNH100 e outra com COGNH120, tendo comprado a 0,20 (exemplo: 0,20 x 1000=R$200) e vendido com 50% de prejuízo por 0,10 (0,10 x 1000=R$100), estes R$100 de prejuízo podem ser usados para abatimento de DARFs futuros com lucros. Neste caso, poderíamos abater o prejuízo no próprio DARF do lucro de COGHN100, efetuando um encontro de contas e assim pagar um menor valor de imposto.

Sendo a base de cálculo = Lucro-Prejuízo

190-100=90

15% de 90=13,50

13,50 é o valor final do DARF.

Ou seja, o meu lucro de 190,00 que seria tributado em 15% e totalizaria 28,50, teve sua tributação reduzida em 52% graças a utilização do prejuízo para abatimento. 

Nesse raciocínio, quando você tiver no mesmo mês operações com lucro e outras com prejuízo, poderá utilizar o prejuízo para reduzir o montante a ser pago de imposto. Caso só tenha prejuízo no mês, você poderá abater um lucro futuro, dessa forma, mantenha sua planilha atualizada e controle esse valor. Lembre-se, isso deverá ser informado na sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) do ano subsequente, pois a Receita Federal precisa saber que você teve prejuízo, visando assim abater no futuro. 

Prejuízo com opções: considerações finais

1 – Se virar pó, considere 100% de Prejuízo=100% do Valor inicial para ser abatido em DARF futuro;

2 – Se o DARF ficar menos de 10,00, não precisa pagar no mês, fica acumulado para o período seguinte;

3 – Caso o Prejuízo acumulado seja maior do que o montante de lucro futuro,  não precisa ser utilizado em sua totalidade obrigatoriamente no mês seguinte, poderá ficar acumulado para quando você tiver lucro, por tempo indeterminado. Conforme emana a RFB: Ressalte-se que, caso se pretenda compensar o resultado negativo (prejuízo) de períodos anteriores, esse prejuízo deve estar informado no Demonstrativo de Renda Variável (constante da Declaração de Ajuste Anual) onde ocorreu o prejuízo e nos períodos seguintes, até a sua completa compensação.

4 – Estes cálculos não são fornecidos por corretoras ou pela B3. Portanto, pode ser feito na mão, ou utilizando alguma plataforma própria para tal, onde geralmente basta importar o PDF das Notas de corretagem e ter o cálculo automatizado;

5 – Prejuízo de Opções (swingtrade) servem para abatimento de Lucro de ações (swingtrade), vice-e-versa, considerando que em ações só precisará pagar imposto sobre lucro se o volume for maior que R$20.000,00 (diferentemente de opções, onde qualquer lucro é tributado). Opções (daytrade) para ações (daytrade), vice-e-versa;

6 – O valor a ser pago para swing trade é 15% e para daytrade é 20%;

7 – Existem muitos textos sobre Impostos de Renda e Derivativos no TC School. Também fico à disposição para sanar dúvidas no canal “Imposto de Renda” no aplicativo do TradersClub;

8 –  As perdas incorridas em operações iniciadas e encerradas no mesmo dia (day trade) somente são compensáveis com os ganhos líquidos auferidos nessas operações (day trade), em uma ou mais modalidades operacionais. Do mesmo modo, as perdas incorridas em operações comuns somente são compensáveis com os ganhos líquidos auferidos nessas operações.

Pablo Sangalli

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