22/06/2020 às 15:00

Precificação de opções: entenda a grega Vega

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Nesse texto, falarei sobre a grega Vega e sua aplicação na precificação de opções. Farei uma reflexão sobre a volatilidade nas opções, abordando sobre os seguintes tópicos:

  • Precificação de opções – quais as gregas que compõem o preço de uma opção?
  • Uma lição de volatilidade – minhas ações estão subindo, mas minha opções só caem
  • Como verificar se uma opção está cara ou barata?

Minhas ações estão subindo e minhas opções só caem. o que está acontecendo? uma lição de volatilidade

Precificação de opções - Grega vega

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Precificação de opções

Dentro do modelo de precificação de opções mais famoso, o Black & Scholes, existem 5 gregas, que é como são conhecidas as variáveis que compõem o preço de uma opção (ver Hull 2016), sendo elas:

  • Vega
  • Delta
  • Gamma
  • Theta

Minhas ações estão subindo e minhas opções só caem

Uma dessas variáveis, ou grega, é o Vega. Ela mede a variação de uma opção em relação à volatilidade. Ou seja, se uma opção tem um Vega de R$ 0,10 centavos, isso quer dizer que uma variação de 1% para cima na volatilidade elevará o preço da opção em 0,10 centavos se todas as outras variáveis se mantiverem estáveis.
Dessa forma, ela está diretamente relacionada a volatilidade implícita da opção, que, quanto maior, mais valorizada a opção e quanto menor, menos valorizada.

Já que movimentos direcionais rápidos e fortes tendem a aumentar a volatilidade implícita, naturalmente também aumentam o preço da opção.
Um exemplo interessante deste movimento foi no pós covid-19, onde vários papéis caíram mais de 30% em poucos dias e elevaram muito a volatilidade, elevando também os prêmios das opções e, no fim do dia, aumentaram muito a volatilidade histórica, que é a volatilidade implícita medida num período de dias passados.
Nesse sentido, a grande tendência de se olhar no mercado é analisar a volatilidade histórica e compará-la com a volatilidade implícita, pois, da mesma maneira que nas médias móveis, tendem a voltar a média. Ou seja, se a volatilidade histórica está maior que a implícita, pode ser oportunidade comprar opções (seja call ou put, já que o prêmio delas sobe da mesma forma com o aumento da volatilidade). O raciocínio inverso também é válido.

A opção está cara ou barata?

É muito comum ver operadores comprando opções com base apenas no preço relativo: “Uma opção saiu de R$1 para R$0,20, logo, está barata” ou simplesmente porque uma opção está abaixo de um preço que ele julgue baixo, como R$0,50.
Infelizmente, o preço relativo não quer dizer absolutamente nada em relação a uma opção estar cara ou barata. Uma forma de comprar opções “baratas” é justamente olhar para a volatilidade implícita em relação a média histórica.

Comprei uma opção e mesmo o papel subindo, ele está caindo

Um exemplo recente ocorreu com as ações da Via Varejo nesse ano. Em virtude da alta nos últimos 2 meses (cerca de 250% em relação a mínima), elevou a volatilidade implícita (Grega vega) para cerca de 179%, muito acima da volatilidade histórica anual, que era de 124%. Naturalmente, o prêmio das opções também subiu rapidamente.

O movimento que sucede o “descolamento” da volatilidade implícita da volatilidade histórica é a correção. Em outras palavras, o retorno à média, que neste caso foi corrigir para baixo, levando junto o prêmio das opções.

Dessa forma, quem comprou nas últimas semanas opções OTM (fora do dinheiro), como VVARG180 em diante, além de sofrer com a perda de prêmio oriunda do tempo, também viu seu prêmio cair abruptamente. Sobre isso, existem dois fatores principais:

  1. Opções fora do dinheiro tendem a perder prêmio mais rápido única e exclusivamente pelo fator tempo (outra variável no Black & Scholes). Isso acontece basicamente porque a probabilidade de ”dar exercício” é menor a cada dia que passa.
  2. A volatilidade implícita da opção está caindo, após um forte movimento de aumento e com isso o prêmio da opção.

Referências

HULL, John C. Opções, futuros e outros derivativos. Bookman Editora, 2016.

Lucas Uhlig
Lucas Uhlig
Formado em Administração de Empresas e Analista de Finanças pela FGV-Rio. Atua como contribuidor e community manager no TradersClub.

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