10/06/2020 às 15:00

Derivativos – entenda o funcionamento das opções

TC School TC School

Neste texto, vamos falar de um tipo de produto financeiro peculiar: as opções. Vamos dividir o assunto em partes. Primeiro, vamos falar sobre o que são opções, os seus mercados e como elas são negociadas. Em um segundo texto, vamos abordar a forma básica de precificar opções (Modelo Binomial e Black & Scholes). Este artigo é dividido conforme os tópicos abaixo.

  • Mercados de derivativos – Conceitos e diferenças entre mercados de bolsa e de balcão
  • Opções de ativos diversos e opções de ações – O que são e como funcionam
  • Valor das opções na data do vencimento

Boa leitura!

Opções

Leia mais sobre o mercado de ações:

Mercados de Derivativos

A princípio, muitos investidores iniciam no mundo das finanças buscando a segurança oferecida pelos títulos públicos. Por outro lado, os mais propensos a correr riscos, começam pelas ações. Existem aqueles que não estão tão dispostos a estudar o assunto e preferem delegar os seus investimentos aos fundos de renda fixa, aos fundos de ações ou multimercado.

Além disso, o mercado de derivativos oferece aos investidores oportunidades tanto de ganhos como de proteção em suas operações. Nos próximos textos, falaremos de forma mais aprofundada sobre os diferentes tipos de derivativos existentes.

Conceito de derivativo

Um derivativo pode ser definido como um instrumento financeiro, cujo valor depende (ou deriva) dos valores de outras variáveis subjacentes. Muitas vezes, as variáveis por trás dos derivativos são os preços de ativos negociados. Por exemplo, uma opção sobre ações, é um derivativo cujo valor depende do preço de uma ação. Outros ativos incluem: milho, soja, aço, ações, petróleo, índices de ações, taxas de juros etc.

Nesse contexto, os derivativos podem ser negociados em dois tipos de mercado: o Mercado de Bolsa e o Mercado de Balcão.

Mercados de Bolsa

Uma bolsa de derivativos é um mercado no qual indivíduos negociam contratos padronizados que foram definidos pela bolsa.

As bolsas de derivativos existem há bastante tempo. Por exemplo, a Chicago Board of Trade (CBOT) foi fundada em 1848 para reunir fazendeiros e comerciantes. Inicialmente, sua principal função era a de padronizar as quantidades e qualidades de grãos negociados. Hoje, as bolsas de futuros estão espalhadas pelo mundo todo.

Mercados de Balcão

Por outro lado, muitas negociações acontecem no mercado de balcão (Fora da padronização e dos produtos das bolsas). Dessa forma, os bancos, outras instituições financeiras, gerentes de fundos e grandes empresas são os principais participantes dos mercados de derivativos de balcão.

De forma geral, os participantes dos mercados de derivativos de balcão contatam uns aos outros diretamente por telefone ou e-mail ou encontram contrapartes para suas negociações utilizando um corretor intermediário.

Tamanho dos Mercados

Tanto o mercado de balcão quanto o de bolsa são enormes para derivativos. O número de transações de derivativos por ano em mercados de balcão é menor do que nos mercados de bolsas, mas o tamanho médio das transações é muito maior, como podemos ver na imagem abaixo:

Derivativos comuns: Contrato a Termo

Este é um contrato para comprar ou vender um ativo em uma determinada data futura por um preço específico previamente acordado:

  • Ele é diferente de um contrato à vista (um contrato à vista é feito para comprar ou vender um ativo quase que imediatamente);
  • Um contrato a termo é negociado no mercado de balcão. Uma das partes de um contrato a termo assume a posição comprada (long) e concorda em comprar o ativo subjacente em uma data futura por determinado preço. A outra parte assume a posição vendida (short) e concorda em vender o ativo na mesma data e pelo mesmo preço.

Derivativos comuns: Contratos Futuros

Uma variante do contrato a termo acontece no âmbito das bolsas de valores. Os contratos realizados em bolsas são normalmente chamados de contratos de futuros. A B3 é a bolsa de futuros no Brasil. Existem diversas bolsas de futuros nos EUA e em outros lugares, e outras ainda estão sendo formadas. Nessas e em outras bolsas de todo o mundo, uma ampla variedade de commodities e ativos financeiros formam os ativos subjacentes de diversos contratos. As commodities incluem porco, boi gordo, açúcar, lã, madeira, cobre, alumínio, ouro, estanho, petróleo etc.

Diferenças entre Futuros e Termos

  • Termos são negociados em balcão e os futuros são negociados em bolsa;
  • Nos contratos futuros, os vendedores podem escolher o dia do mês de entrega da commodity;
  • Marcação a mercado

Opções, o que são?

Uma opção é um contrato que concede a seu titular o direito de comprar ou de vender um ativo por um preço fixo, em uma determinada data ou antes dela. As opções são um tipo de contrato financeiro com características únicas, pois fornecem ao comprador o direito, mas não a obrigação, de fazer algo.

  • O comprador exerce a opção apenas se considerar vantajoso o exercício. Caso contrário, a opção será descartada.
  • É isso que diferencia as opções dos contratos futuros e a termo, nos quais o titular é obrigado a comprar ou vender o ativo subjacente.

Vocabulário

Existe um vocabulário especial (veja o nosso glossário) associado com as opções e aqueles que desejam negociar opções devem conhecer os seguintes termos:

  • Exercer a opção: refere-se ao ato de comprar ou vender o ativo subjacente por meio do contrato de opção.
  • Preço de exercício (strike): é o preço fixo do contrato de opção pelo qual o titular pode comprar ou vender o ativo subjacente.
  • Data de vencimento: a data de expiração da opção; após essa data, a opção não tem valor.
  • Opção do tipo americana e opção tipo europeia: uma opção americana pode ser exercida a qualquer momento até a data de vencimento. Por outro lado, a opção europeia pode ser exercida apenas na data de vencimento.
  • Call e Put: Uma opção pode ser de compra (call) ou de venda (put). Vamos falar da diferença a seguir.

As opções na B3

No mercado brasileiro, as opções podem ser negociadas em bolsa ou em mercado de balcão organizado. Neste último caso, as opções negociadas são denominadas opções flexíveis.

  • No segmento Bovespa, são negociadas as opções sobre ações e sobre ETFs (Exchange Traded Funds). O seguimento Bovespa dá liquidez aos títulos das captações das empresas para seus projetos de investimentos
  • No segmento BM&F, temos os ativos objetos dos contratos variados: commodities em geral (agrícolas, metais), taxas de juros (spot e forward), índices de inflação (IPCA, IGPM), taxas de câmbio, ações e índices de ações (Ibovespa, IBrX, etc.). Geralmente, no segmento BM&F, as empresas fazem a gestão de seus riscos financeiros.

Identificação das opções na Bolsa

A identificação das opções é feita pelo símbolo do ativo-objeto (AAAA) associado a uma letra (B) e a um número de série (CC), AAAABCC. A letra (B) identifica se a opção é de venda ou de compra e o mês de vencimento da opção, e CC é o preço de exercício.

Derivativos - opções

Fonte: TC school

Dessa forma, cada mês possui uma letra, que varia se a opção for de compra ou venda (falarei sobre os tipos de opções a seguir). O vencimento das opções sobre ações e sobre ETFs acontece na terceira segunda-feira de cada mês. A tabela abaixo mostra o padrão dos meses.

Derivativos - opções

Fonte: B3

Identificação das opções na BM&F. No segmento BM&F são negociadas as opções sobre commodities, índices e ativos financeiros. Nesse sentido, a identificação das opções é feita pelo símbolo do ativo-objeto (AAA) associado a uma letra (B) que indica o mês de vencimento (CC), o ano de vencimento (D), o tipo da opção (EEEEEE) e o preço de exercício (AAABCCDEEEEEE).

Derivativos - opções

Fonte: TC school

Novamente, no seguimento BM&F, cada mês possui uma letra independente de ser uma opção de compra ou venda. As opções sobre índices vencem sempre na quarta-feira mais próxima do décimo quinto dia, a cada dois meses.

Derivativos - Opções

Fonte: B3

Opção de Compra e Opção de Venda (Call vs. Put)

Veremos que existem 4 situações básicas:

Opções de Compra

O tipo mais comum de opção é uma opção de compra (call). Uma opção de compra, concede ao titular o direito de comprar um ativo a um preço fixo durante um determinado período. Não há restrição quanto ao tipo de ativo, mas os mais negociados em bolsas de valores são as opções de ações e de títulos de dívida.

  • Quem compra a opção de compra: espera um preço acima do strike (preço no vencimento);
  • Quem vende a opção de compra: espera um preço igual ou abaixo do strike;

Opções de Venda

Por sua vez, uma opção de venda (put) pode ser considerada o oposto de uma opção de compra. Assim como uma opção de compra concede ao titular o direito de comprar a ação por um preço fixo, uma opção de venda concede ao titular o direito de vender a ação por um preço de exercício fixo. Novamente, não há restrição quanto ao tipo de ativo, mas os mais negociados em bolsas de valores são as opções de ações e de títulos de dívida.

  • Quem compra a opção de venda: espera um preço abaixo do strike;
  • Quem vende a opção de venda: espera um preço igual ou acima do strike.

Valor das opções na data do Vencimento

Agora, vamos falar do valor das opções. Começaremos com as opções de compra, já que elas possuem uma lógica mais próxima do nosso dia-a-dia.

  • Imagine que as Opções de Compra das ações do Instituto de Resseguros do Brasil (IRBR3) podem ser adquiridas na B3.
  • O IRB não lança (ou seja, não vende) opções de compra de suas ações. Em vez disso, investidores individuais são os compradores e vendedores originais de opções de compra de ações do IRB.

Opções de Compra do IRBR3

  • Suponha que hoje seja 1º de abril de 2019!
  • Uma opção de compra representativa de ações da IRBR3 permite que um investidor compre 100 ações até dia 21 de setembro a um preço de exercício de R$ 100. (OBS: Aqui eu usei o vencimento das opções nos EUA).
  • Dessa forma, essa opção é valiosa se houver a probabilidade do preço das ações do IRB exceder os R$ 100 no dia 21 de setembro (ou antes disso).

Abaixo, temos a representação gráfica das ações da IRBR3 em 1º de Abril de 2019.

Agora, vamos imaginar que o preço da ação subiu para R$ 130 no vencimento! O resultado pode ser visto abaixo. O titular da opção de compra tem o direito de comprar a ação subjacente (IRBR3) pelo preço de exercício de R$ 100. Nesse sentido, ter o direito de comprar algo por R$ 100 quando seu valor é de R$ 130 é obviamente um bom negócio. O valor desse direito é de R$ 30 (R$ 130 – R$ 100) na data de vencimento.

Além disso, a opção de compra valeria ainda mais se o preço da ação fosse maior no vencimento.
Se a IRBR3 estivesse sendo negociada por R$ 150 na data de vencimento, a compra valeria R$ 50 (150 – 100) naquele momento. O valor da opção de compra aumenta R$ 1 a cada aumento de R$ 1 no preço da ação.

Dessa forma, se o preço da ação for maior que o preço de exercício, costumamos dizer que a compra está “dentro do dinheiro” (in the money).

Entretanto, pode ser que o preço seja menor no futuro. Ou seja, abaixo do nosso Strike! Neste caso, o comprador da opção de compra não vai exercer a opção (ele apenas pagou o prêmio pela compra).

Valor da opção e a oscilação do preço da ação

Abaixo, temos um diagrama do quanto vale uma opção de compra de acordo com os movimentos da ação. Lembre-se que, estamos falando do valor no dia do vencimento dela! A representação abaixo, é um clássico na literatura de opções. Ela indica que: se o preço da ação no vencimento for maior que o strike, o portador da opção vai realizar a operação e receberá o preço da ação menos o valor do strike. Todavia, se o preço da ação for menor que o strike, ele não irá exercer e não vai ganhar nada (quem ganhou foi o vendedor da opção).

Obs: veja que a opção de compra nunca terá um valor negativo. Ela é um instrumento de obrigação limitada, o que significa que o máximo que o titular pode perder é o valor inicial que pagou pela opção de compra.

Agora, vamos para as opções de venda!

Agora, imagine que opções de venda das ações da VALE S.A (VALE3) podem ser adquiridas na B3.

  • Suponhamos que o preço de exercício da referida opção de venda seja de R$ 50.
  • Logo, esse investidor deseja que o preço da ação da VALE seja menor que R$ 50 na data do exercício!
  • Nesse sentido, o titular dessa opção de venda tem o direito de vender a ação por um valor maior do que ela vale, algo claramente lucrativo.

Dessa forma, a opção será valiosa se houver a probabilidade do preço das ações da VALE S.A ser menor que os R$ 50 no dia 21/09/2019 (ou antes disso).

Entretanto, caso o preço da ação suba, ou seja, caso a ação na data de vencimento esteja sendo negociada por R$ 60, o titular da opção de venda não teria interesse em exercer a opção. Em vez disso, o titular da opção de venda abandonaria a opção.

Abaixo, temos um diagrama do quanto vale uma opção de venda de acordo com os movimentos da ação que ela deriva. Vimos que uma opção de venda concede o direito de vender um ativo por preço fixo durante um determinado período. Se o preço da ação for maior que o preço do strike, o valor é nulo. Se for menor, o valor da opção de venda será o valor do strike menos o preço da ação.

Venda de Opções de Compra

Até agora, observamos a lógica pelos olhos do comprador das opções. Por outro lado, um investidor que vende (ou lança) uma opção de compra de ações deve entregar as ações se o titular da opção de compra assim solicitar.

  • Observe que o vendedor (lançador) é obrigado a fazer isso.
  • Se, na data de vencimento, o preço da ação for maior que o preço de exercício, o titular exercerá a compra, e o vendedor deve entregar as ações em troca do preço de exercício.
  • Ou seja, o vendedor da opção de compra quer que o preço da ação se mantenha ou que caia.

 Venda de Opções de Venda

Já para as opções de venda, um investidor que lança essa opção de ações, concorda em adquirir ações se o titular da opção de venda assim solicitar.

  • O vendedor terá prejuízo nesse acordo se o preço da ação for menor que o preço de exercício.
  • Em outras palavras, o vendedor quer que o preço da ação se mantenha ou que suba.

Venda de opções: Visão Geral

O diagrama abaixo resume as operações de vendas de opções (de venda e de compra)

Fonte: Hull (2016)

Em resumo, o vendedor de uma opção de compra não tem prejuízo quando o preço da ação na data de vencimento está abaixo de R$ 50. O vendedor de uma opção de venda não tem prejuízo quando o preço da ação na data de vencimento está acima de R$ 50.

Como faço o exercício de opções, caso não queira só especular com os preços?

Caso você queira exercer a opção, e não ficar apenas “treidando” com ela, você pode fazer isso antes do vencimento (se for uma opção do tipo americana) e no vencimento (americana ou europeia). Recentemente, eu tinha opções de compra da IRBR3 com preço de exercício de R$ 8,00. A ação estava sendo negociada a R$ 13,00 e a opção não tinha liquidez. Como eu queria realizar meu lucro (ou seja, embolsar o dinheiro) e não tinha gente querendo comprar eu resolvi exercer a opção e depois  vender as minhas ações.

Na prática, como isso funcionou? Eu pedi para o meu assessor de investimentos fazer a operação pela mesa de derivativos da minha corretora. Dessa forma, quem lançou a opção de compra no mercado teve a obrigação de me vender a ação por R$ 8,00, mesmo ela estando negociada a R$ 13,00. Então eu comprei a R$ 8,00 e vendi no mercado a R$ 13,00, embolsando a diferença.

Conclusão

No próximo texto, falaremos da precificação de opções em períodos entre a compra/venda até o vencimento. Para isso, vamos precisar aplicar um modelo que revolucionou a economia financeira.

Se quiser saber mais sobre estratégias com opções, aprenda mais clicando aqui.

Até a próxima!

TC School

TC School

Disclaimer: Este material é produzido e distribuído somente com os propósitos de informar e educar, e representa o estado do mercado na data da publicação, sendo que as informações estão sujeitas a mudanças sem aviso prévio. Este material não constitui declaração de fato ou recomendação de investimento ou para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários. O usuário não deve utilizar as informações disponibilizadas como substitutas de suas habilidades, julgamento e experiência ao tomar decisões de investimento ou negócio. Essas informações não devem ser interpretadas como análise ou recomendação de investimentos e não há garantia de que o conteúdo apresentado será uma estratégia efetiva para os seus investimentos e, tampouco, que as informações poderão ser aplicadas em quaisquer condições de mercados. Investidores não devem substituir esses materiais por serviços de aconselhamento, acompanhamento ou recomendação de profissionais certificados e habilitados para tal função. Antes de investir, por favor considere cuidadosamente a sua tolerância ou a sua habilidade para riscos. A administradora não conduz auditoria nem assume qualquer responsabilidade de diligência (due diligence) ou de verificação independente de qualquer informação disponibilizada neste espaço. Administradora: TradersNews Informação & Educação Ltda. Todos os direitos reservados.

TradersClub

O app essencial para investidores do mercado financeiro brasileiro.

Uma comunidade com milhares de investidores, ferramentas e serviços que vão ajudar você a investir melhor!

TradersClub