26/02/2019 às 13:40

9 – Demonstração do valor adicionado: como a riqueza é distribuída?

Felipe Pontes Felipe Pontes

O objetivo principal das empresas é obter lucro a partir das suas atividades, de modo a compensar o capital que foi aportado pelos seus investidores. Mas as empresas não geram apenas lucros para os seus investidores, como se pode imaginar numa análise inicial.

O valor gerado durante um período analisado é distribuído entre diversos agentes que participam direta e indiretamente da atividade das empresas.

Neste texto sobre a demonstração do valor adicionado (DVA) você poderá responder à pergunta que dá título ao texto e entender como a empresa interage, quantitativamente, com “entidades” de dentro e de fora da sua estrutura corporativa.

O QUE É A DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA)?

A demonstração do valor adicionado (DVA) é uma demonstração contábil que objetiva disponibilizar informações sobre a riqueza criada pela empresa no período que está sendo analisado, bem como a sua distribuição neste mesmo período.

A riqueza que será distribuída é definida contabilmente como valor adicionado, sendo ele semelhante ao conceito de lucro bruto, porém mais amplo, porque considera os insumos adquiridos de terceiros em geral, que na demonstração do resultado do exercício (DRE) muitas vezes não são considerados para o cálculo do lucro bruto, bem como a depreciação, amorização e exaustão.

Além disso, dentro do conceito de valor adicionado ainda encontramos os valores que foram recebidos “em transferência”, ou seja, terceiros transferiram recursos para a empresa. Nesse caso, se encaixam as receitas financeiras e resultado de equivalência patrimonial quando a empresa analisada tem investimentos societários em outras companhias.

A DVA também está relacionada com o balanço social que é outro demonstrativo pouco explorado pelas empresas e pelos analistas e investidores. Todavia o balanço social traz informações muito mais amplas do que apenas a riqueza criada e distribuída, conforme vocês poderão ver a seguir.

PARA QUE SERVE A DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA)?

Na demonstração do valor adicionado (DVA) é possível analisarmos a riqueza que foi distribuída para diversos agentes que interagem direta ou indiretamente com a empresa, quais sejam:

  • Funcionários;
  • Governo;
  • Financiadores;
  • Investidores; e
  • A própria empresa com a retenção de lucros.

Na DVA abaixo, da Itaúsa, podemos perceber o volume de receitas logo no início e é importante destacar uma coisa: por que a receita de produtos e serviços é diferente daquela apresentada na DRE?

A resposta é que esse tipo de receita, na DRE, é divulgado líquido dos tributos (ICMS, IPI, PIS etc), enquanto na DVA ele é divulgado de forma bruta – sem subtrair os tributos. O CPC 09 que trata da DVA traz informações mais detalhadas com relação às receitas e despesas e a sua diferença com relação à divulgação feita na DRE.

Confrontando-se as receitas com os insumos adquiridos de terceiros e subtraindo a depreciação, amortização e exaustão, chega-se ao valor adicionado líquido que foi produzido pela empresa. Por fim, adicionam-se os valores que foram recebidos em transferência, por aplicações financeiras e investimentos societários, de modo a se chegar ao valor adicionado total a distribuir.

O conceito de valor adicionado total é semelhante ao conceito de PIB, usado na economia. A diferença é que o PIB considera a produção e o valor adicionado considera o regime de competência e realização da receita. Muitas vezes a produção e a realização da receita (venda do que foi produzido) não ocorrem no mesmo período e aí está o motivo pelo qual o valor adicionado de todas as empresas não ser o próprio PIB.

Entrando agora na distribuição do valor adicionado vemos que a Itaúsa distribuiu o valor entre os quatro (4) grandes grupos de agentes: Pessoal (7,15% do valor adicionado), Governo (7,25%), Financiadores (4,37%) e Investidores e Lucros Retidos (80,96%).

Algumas informações adicionais e importantes podem ser retiradas da análise da DVA, como o Governo ter uma participação de mais de 7% no valor adicionado distribuído e a maior parcela disso é com tributos federais.

Outra informação importante é que a empresa reduziu em mais de 1 ponto percentual (de 5,49% para 4,37%) a distribuição de valor adicionado para os Financiadores, sendo uma redução relevante de alugueis. Adicionalmente, houve um forte incremento de valor adicionado distribuído para os investidores, por meio de dividendos e juros sobre o capital próprio.

Informações como essa são importantes para vários grupos de interessados, como os investidores que sabem o monta de valor adicionado pela empresa está sendo distribuído para eles e o próprio governo que pode analisar a DVA antes de conceder, por exemplo, benefícios fiscais para a instalação de novas unidades de produção em cidades/estados estratégicos.

Demonstração consolidada do valor adicionado

Felipe Pontes

Felipe Pontes

Diretor Educacional do TradersClub

Doutor em Contabilidade com foco em informações contábeis para o mercado de capitais pelo Programa UnB/UFPB/UFRN.
Professor de Contabilidade e Valuation.
Gestor de Clube de Investimento.

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