Balanço patrimonial: uma foto numérica do patrimônio da empresa

18/02/2019 às 17:02

4 – Balanço patrimonial: uma foto numérica do patrimônio da empresa

Felipe Pontes Luiz Felipe de Araújo Pontes

Neste artigo vamos falar da demonstração contábil mais básica e mais conhecida (mas talvez não a mais usada) dos usuários das informações contábeis: o balanço patrimonial.

Antes de estudar o balanço patrimonial, é importante que você revise os conceitos apresentados nos textos anteriores em que aprendemos sobre (1) o método das partidas dobradas que faz com que os registros contábeis não se percam e o montante do ativo seja igual ao montante do passivo mais o patrimônio líquido e (2) a natureza e as definições das contas mais importantes que são usadas nas demonstrações contábeis.

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O QUE É O BALANÇO PATRIMONIAL (BP)

Em algum momento da vida, todos nós já escutamos alguém dizer que “tudo na vida é equilíbrio”. Nas empresas não é diferente e o Balanço Patrimonial (BP) é um retrato fiel disso.

O BP nos apresenta o equilíbrio, ou o perfeito balanceamento, entre as aplicações de recursos (ativos) e as origens de financiamento dos recursos aplicados (passivos e patrimônio líquido), por meio da conhecida equação patrimonial (Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido).

Sendo assim, olhando para o balanço, você encontra todos os bens que a empresa controla (lado esquerdo, por convenção), bem como todas as dívidas que ela tem (lado direito, por convenção).

PARA QUE SERVE O BALANÇO PATRIMONIAL (BP)

Como no BP nós identificamos todos os bens que a empresa controla, bem como tudo o que ela deve, podemos verificar, assim, a sua situação patrimonial e financeira em uma data específica.

Por isso que costuma-se dizer que o BP é uma foto do patrimônio da empresa em uma data específica (fechamento do período).

O investidor precisa ficar atento ao fato de que os números reportados no BP estão em uma data específica porque essa demonstração contábil trata de “estoque de recursos”, diferente de como vocês poderão perceber na Demonstração do Resultado do Exercício, por exemplo, que não representa o estoque de recursos em uma data específica, mas sim o “fluxo de recursos” durante um período.

Dessa forma, é no BP que observamos no final de cada trimestre quanto a empresa tinha de recurso estocado em cada conta, conforme podemos observar no exemplo abaixo da Sanepar, que tinha, em 31/12/2018, um estoque de R$ 639,1 milhões de contas a receber.

Além de verificar o estoque de cada conta, podemos analisar as relações entre elas, a exemplo da comparação dos valores a receber com os valores a pagar, de modo a atestar a capacidade de pagamento da empresa.

Podemos também criar indicadores usando várias demonstrações contábeis diferentes, de modo a estimar a rentabilidade da empresa por exemplo, conforme veremos no texto específico sobre análise das demonstrações contábeis.

Balanço patrimonial
Balanço patrimonial

É POSSÍVEL QUE UMA EMPRESA TENHA PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO?

Sim, é possível. Isso acontece quando a empresa está em dificuldades financeiras e não tem gerado lucro o suficiente para manter as suas atividades, precisando recorrer a um nível alto de endividamento e atraso no pagamento das suas contas. Nesses casos, a empresa tem mais passivos do que ativos e para a equação patrimonial fechar, o PL fica negativo.

No exemplo abaixo nós temos apenas um extrato do que seria o patrimônio líquido (PL) da empresa. Cmo vocês podem perceber, o PL é negativo. Nos casos em que o PL é negativo, nós damos um outro nome técnico: passivo a descoberto.

Essa empresa teve tanto prejuízo acumulado ao longo do tempo que a soma dos seus passivos superou à soma dos seus ativos.

Balanço patrimonial

Para entender mais sobre as contas específicas, é preciso recorrer às notas explicativas. No final dessa série vocês encontrarão um texto específico sobre esse assunto.

Felipe Pontes

Luiz Felipe de Araújo Pontes

Universidade Federal da Paraíba

Possui doutorado (2013-2016 - UnB/UFPB/UFRN), mestrado (2011-2012 - UnB/UFPB/UFRN) e graduação (2007-2010 - Faculdade de Ciências Contábeis Luiz Mendes) em Contabilidade. Atualmente é Professor Adjunto I da Universidade Federal da Paraíba (Departamento de Finanças e Contabilidade, nos cursos de graduação e pós-graduação), onde é Editor Geral da Revista Evidenciação Contábil & Finanças (RECFin), coordena o Projeto de Extensão Olimpíada Interna de Contabilidade e o Projeto de Monitoria em Finanças Quantitativas, além de orientar alunos de PIBIC e manter os blogs Contabilidade & Métodos Quantitativos (contabilidademq.blogspot.com) e Finanças Aplicadas Brasil (financasaplicadasbrasil.blogspot.com). É vice-coordenador do Projeto Sala de Ações (Departamento de Economia) e tem experiência com avaliação de empresas, análise fundamentalista e seleção de carteiras.

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