19/12/2019 às 17:33

7 – Perguntas e Respostas sobre a Prova da APIMEC para Analista CNPI

Felipe Pontes Felipe Pontes

Este texto é uma transcrição de um bate-papo que nós do TC School tivemos com o Analista CNPI-P, Carlos André Marinho Vieira. Na conversa falamos de diversos assuntos relacionados à profissão de analista de investimentos, bem como sobre a prova para obter a certificação da APIMEC:

  1. Apresentação e visão geral sobre as provas
  2. Como é o dia a dia de um analista
  3. O que pode fazer um analista certificado com a CNPI
  4. Qual é o custo para obter a certificação CNPI
  5. Como é a prova para CNPI para Analista Fundamentalista
  6. Como encontrar questões gratuitamente e semelhantes à prova do CNPI
  7. Qual é o nível de dificuldade da prova para CNPI Fundamentalista
  8. Como é a prova para CNPI-T para Analista Técnico
  9. Qual é o nível de dificuldade da prova para CNPI-T
  10. Sugestões de materiais de estudo para a prova da certificação CNPI

 

Se ainda não conhece a certificação CNPI para analistas, clique aqui para entender.

Abaixo você pode ter acesso a uma conversa em vídeo sobre a certificação e o trabalho do analista CNPI, caso prefira assistir, no lugar de ler:

Então vamos à transcrição do nosso bate papo sobre a certificação CNPI para analista de investimentos:

“Olá pessoal, meu nome é Carlos André Marinho Vieira, sou Analista de Valores Mobiliários CNPI Pleno (quem tem a certificação para fundamentalista e técnico). Terminei minha graduação em contabilidade em 2012, na UFPB, e segui me especializando em contabilidade e finanças, com MBA, mestrado e agora estou finalizando o curso de doutorado em Ciências Contábeis, também pela UFPB.

Eu obtive a minha certificação CNPI em 2012, após ser aprovado nos exames da APIMEC. Ao longo do ano de 2012 eu fui aprovado no exame CB – Conteúdo Brasileiro, que é uma fase comum aos profissionais que querem obter a certificação de analista fundamentalista ou técnico.

Depois do exame CB eu fui aprovado no exame CG1 – Conteúdo Global 1, que é o exame complementar para os postulantes ao certificado CNPI, para se tornar analista fundamentalista.

Recentemente, no início de 2019, eu complementei minha certificação CNPI com o exame CT1 – Conteúdo Técnico 1, que é o exame complementar para analistas técnicos. Uma vez que eu fui aprovado nos exames CB, CG1 e CT1, eu possuo autorização para realizar a análise fundamentalista e técnica na recomendação de investimentos. No entanto, minhas análises estão pautadas apenas na análise fundamentalista.

Então, só recapitulando, o exame CB é obrigatório para quem deseja se tornar analista fundamentalista ou técnico. Após a aprovação no exame CB, o candidato pode escolher realizar o exame CG1, para se tornar analista fundamentalista, CT1, para se tornar analista técnico, ou pode fazer os dois, se tornando então analista pleno e tendo autorização para realizar a análise fundamentalista e técnica na recomendação de investimentos.”

 

1) Conta um pouco sobre a sua experiência como analista. Como é o dia a dia de um analista de investimentos? O que você costuma ler diariamente, como acompanha as empresas, principalmente estando fora do daqui do epicentro do mercado de capitais, em São Paulo?

“O dia a dia do analista requer o acompanhamento e monitoramento de ativos selecionados. A partir da análise sobre determinado ativo, o analista pode realizar recomendações de COMPRA, MANUTENÇÃO ou VENDA deste ativo.

Como analista fundamentalista, eu faço principalmente a análise de empresas (e ações, em consequência). As análises têm o objetivo de calcular um valor intrínseco ou valor justo para as ações das empresas monitoradas.

As minhas análises são pautadas principalmente pelo método do Fluxo de Caixa Descontado, então eu tento projetar o quanto de caixa as ações podem gerar para o seu investidor, ponderado pelo risco destas empresas.

No meu caso, a seleção de ativos está centrada em buscar alternativas de investimento que forneçam ganhos para os investidores no longo prazo ou que possam evitar perdas para estes investidores ao estarem comprando ativos sobrevalorizados.

A seleção do ativo objeto de análise se dá pela demanda dos investidores. Eles podem querer recomendações sobre ativos que já possuem no seu portfólio ou sobre novos ativos que pretendem adquirir.

Após a seleção do ativo objeto de análise, é realizada uma pesquisa mais detalhada deste ativo, em relação ao funcionamento do seu negócio, histórico dos resultados, concorrência e sobre as perspectivas futuras para o produto que ele vende e o setor em que opera.

Depois da análise sobre estes fatores, é emitido um relatório sobre a recomendação à respeito deste ativo, que pode ser mais detalhado ou mais superficial dependendo do perfil e da experiência do investidor que é o usuário deste relatório.

Em seguida à divulgação do relatório de análise para o público, continua a monitoramento do ativo selecionado, até que os investidores percam o interesse neste ativo ou até que eu entenda que ele já não satisfaz uma boa alternativa de investimentos, quando então eu noticio que estou deixando de monitorar este ativo.

Sobre a leitura, eu costumo ler diariamente notícias que tenham impacto nos negócios das empresas monitoradas, por exemplo: fatos relevantes divulgados pelas próprias empresas que tenham relação com sua estratégia de negócios, conversas com o departamento de Relações com Investidores, dados sobre o consumo no setor, para empresas que dependem do consumo interno, projeções sobre PIB, inflação e taxa de juros no país, para exportadores e importadores, o câmbio e a situação econômica dos países nos quais as empresas detêm negócios.”

 

2) Vamos falar agora sobre as certificações em si. Quem tem CNPI pode fazer o quê, exatamente?

“A atividade de analista é regulada pela Instrução CVM 598, que trata da definição, credenciamento, regras de conduta e penalidades inerentes à profissão de analista. O analista de valores mobiliários é a pessoa física ou jurídica que elabora relatórios de análise destinados a terceiros.

Quando eu falo em “relatório de análise” eu quero dizer quaisquer textos, relatórios de acompanhamento, estudos ou análises sobre valores mobiliários específicos (ações, fundos de investimento, derivativos, renda fixa) que possam auxiliar ou influenciar investidores no processo de tomada de decisão de investimento, especificamente, em relação à compra, manutenção ou venda de determinados ativos. Não apenas os relatórios em forma escrita, mas também apresentações, vídeos, reuniões cujo conteúdo seja típico de relatório de análise.

É importante diferenciar a atividade de análise da atividade de gestão de ativos. O analista CNPI elabora relatórios de análises, sendo que ele não está habilitado a realizar as operações de compra e venda de ativos em nome do investidor.

Para a atividade de gestão de ativos, é necessária a certificação CGA, ofertada pela ANBIMA, que é a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais e realiza exames para a aprovação nesta certificação.

Até porquê, como dispõe a Instrução CVM 598, o analista de valores mobiliários não pode ser responsável por qualquer outra atividade no mercado de valores mobiliários, na instituição ou fora dela. Inclusive, é vedado aos analistas de valores mobiliários obter ou manter registro como agente autônomo de investimento.

Vamos considerar a abordagem mais simples das recomendações sobre ações, com negociações no mercado à vista e pela utilização do método do fluxo de caixa descontado.

De acordo com os resultados dos modelos utilizados, eu consigo calcular o valor intrínseco dos ativos com base em alguns pressupostos. O segundo passo é verificar se a atual cotação deste ativo está acima ou abaixo deste valor intrínseco.

Quando o valor justo do ativo analisado está abaixo da sua cotação atual, recomenda-se a COMPRA deste ativo porque, teoricamente, é esperado que o investidor obtenha retornos positivos para um ativo que tem capacidade de geração de caixa ponderada pelo risco superior à sua atual cotação.

Quando o valor justo do ativo analisado está acima da sua cotação atual, recomenda-se a venda deste ativo porque, teoricamente, é esperado que o investidor obtenha retornos negativos para um ativo que tem capacidade de geração de caixa ponderada pelo risco inferior à sua atual cotação.

Há ainda a recomendação de MANUTENÇÃO ou NEUTRA, que é utilizada da seguinte maneira: eu, como analista, estou fazendo uma previsão sobre os resultados futuros de uma empresa. Logo, é normal que previsões contenham erros, dificilmente um analista conseguirá cravar os resultados futuros de uma empresa. É muito difícil prever o futuro, então os erros de previsão são normais na atividade de análise.

Os erros podem ser fruto de pressupostos incorretos, mas também de cenários pouco prováveis no momento da análise (como uma nova regulação governamental não esperada), baixa transparência das empresas analisadas, setores cíclicos (como o de commodities), setores regulados (onde há muitas normas que regulamentam as suas atividades), empresas com atividades complexas (como aquelas que detém atividades ao redor do mundo) e empresas com resultados negativos.

Como prática na atividade de analista fundamentalista, eu utilizo uma MARGEM DE SEGURANÇA em relação ao atual valor intrínseco calculado. A margem de segurança tem o objetivo de resguardar o investidor da ocorrência de cenários adversos, de alguma forma não considerados nas previsões.

Dessa forma, mesmo que uma empresa apresente valor justo abaixo da sua atual cotação, eu adiciono uma margem de segurança ao valor justo calculado e faço a recomendação de compra apenas caso o valor justo esteja abaixo não apenas da cotação, mas da margem de segurança aplicada.

 

3) Agora vamos falar sobre o custo dessas certificações, tanto de inscrição na prova, quanto da trimestralidade. É muito caro?

“Hoje, a prova CB custa R$610,00 e as provas CG1 e CT1 custam R$762,00 cada. Após ser aprovado nos exames e obter alguma das certificações da APIMEC, o analista deve enviar os documentos solicitados para que a associação emita o seu certificado.

Os documentos incluem diploma de curso superior ou tecnológico reconhecido pelo MEC em qualquer área, mas o candidato pode realizar as provas da APIMEC mesmo que ainda não seja formado, contanto que, em até 1 ano após a aprovação nos exames, ele esteja em posse dos documentos exigidos para a solicitação do certificado.

O candidato terá o prazo de 12 meses, contados da data de realização do primeiro exame, para ser aprovado no outro. Caso esse prazo passe, o candidato deverá realizar os exames novamente.

Após conseguir o certificado, o analista tem a opção de solicitar o credenciamento como analista, pelo qual paga uma taxa, sendo habilitado a exercer as atividades de análise de valores mobiliários e passa a ser supervisionado pela APIMEC.

Depois de credenciado, o analista paga uma taxa de credenciamento trimestral. Atualmente, o valor desta taxa de credenciamento para analista pessoa física é de R$239,00 e para analista pessoa jurídica varia entre R$478,00 e R$1.269,25, dependendo do capital social da empresa.

O credenciamento tem prazo de 5 anos e deve ser renovado após este período. O analista pode renovar o seu credenciamento atendendo exigências contidas no Programa de Educação Continuada, comprovando participação em cursos, seminários ou outras atividades educacionais, ou realizando uma prova de múltipla escolha chamada Conteúdo de Reciclagem.

Neste período de 5 anos, o analista pode se licenciar da atividade por, no máximo, 3 anos, período no qual fica dispensado do pagamento da taxa de credenciamento e suspendendo o prazo de validade do credenciamento, que é de 5 anos. No período do licenciamento, o analista ficará impedido de desempenhar as atividades privativas dos analistas credenciados. Depois do prazo máximo do licenciamento, o analista é reabilitado automaticamente.

 

4) Vamos entrar agora nas certificações específicas, começando pelo CNPI Fundamentalista. Como é a prova, o que cai, como você se preparou e o que você recomenda para pessoas que queiram tirar essa certificação?

“Todos os exames contêm o mesmo número de questões, 60. Será aprovado no exame o candidato que acertar 70% ou mais das questões de múltipla escolha, ou seja, 42 questões.

A prova CB trata de conteúdos como o Sistema Financeiro Nacional, Mercado de Capitais, Economia e Governança e é muito similar às provas para CPA-10, CPA-20 e matérias de conhecimentos bancários cobradas em concursos. Eu estudei por essa prova pelo livro do Professor Assaf Neto de Mercado Financeiro, que contém vários temas cobrados na prova e faz parte da bibliografia recomendada.

A prova CG1 para analista fundamentalista foca em dois tópicos, Finanças e Contabilidade, cada um com 30 questões. Por ser contador, para fazer a prova de contabilidade eu apenas revisei algumas questões do exame de suficiência.

Para a parte de finanças, eu estudei pelo livro de Administração Financeira de Ross, Westerfield e Jaffe. A própria APIMEC fornece uma bibliografia recomendada para a prova. Eu sugiro ao candidato adquirir os livros constantes nessa bibliografia.

 

5) É bem difícil encontrar materiais gratuitos sobre a prova. No TC School nós temos muito conteúdo gratuito que cai na prova. Eu recomendo também procurarem, para a parte de contabilidade, as provas do Exame de Suficiência em Contabilidade – a prova de contabilidade é bem parecida. Para a prova de conhecimento brasileiro, recomendo que procurem por questões resolvidas de provas de concurso para bancos.

 

6) O que você achou com relação ao nível de dificuldade da prova para CNPI Fundamentalista? Eu acho que o nível é OK, mas que há muita concentração em poucos assuntos. Qual é a sua visão?

A prova exige um nível de conhecimento entre fácil e médio e eu considero uma vantagem ser concentrada em poucos assuntos, sendo que o candidato tenha que saber muito desses poucos assuntos. Outras provas de certificações são mais abrangentes e o candidato tem que saber muito de muitos assuntos.

 

7) Sobre a certificação CNPI-T, como é a prova, o que cai, como você se preparou e o que você recomenda para as pessoas que queiram tirar essa certificação?

A prova cobra conceitos básicos da escola técnica, como os fundamentos da análise técnica, Teoria de Dow, conceitos de tendência e figuras gráficas, Ondas de Elliott, Candlestick e indicadores técnicos.

Além de ler a bibliografia básica recomendada pela APIMEC, eu pesquisei na literatura internacional os principais livros sobre a análise técnica clássica, como o Study Guide for Technical Analysis Explained, do Martin Pring, e The Handbook of Technical Analysis, do Mark Lim. Ambos possuem um conteúdo bem denso sobre a análise técnica e também questões sobre o tema, que não encontrei na maioria da bibliografia nacional.

Então recomendo aos candidatos que busquem o máximo de questões interpretativas sobre o tema, porque uma coisa é você saber o tema, outra coisa é acertar aquele tipo de questão específica elaborada para a prova.

 

8) O que você achou com relação ao nível de dificuldade da prova para a certificação CNPI-T?

A prova exige um nível de conhecimento entre fácil e médio e caso o candidato se prepare bastante, conseguirá a aprovação sem muitas dificuldades.

 

9) Você tem recomendação de livros para estudar para a prova e para estudar para analisar empresas?

Para estudar para a prova, eu recomendo a bibliografia listada pela APIMEC. Para a avaliação de empresas, eu sugiro, de início, os livros escritos pelo Damodaran, como Avaliação de Investimentos, que é um livro de quase mil páginas que contém a base para a avaliação de qualquer tipo de investimentos, incluindo empresas em situação especial, opções reais e até mesmo imóveis.

Também tem os livros Mitos de Investimentos e A Face Oculta da Avaliação, onde o autor desmistifica várias falácias que a gente escuta sobre precificação de ativos. Ainda, o livro Narrative and Numbers, que mostra o poder das histórias na construção do valuation de uma empresa, onde narrativas da administração podem desfigurar a real situação da empresa para os investidores.

 

Carlos André Marinho Vieira
Carlos André Marinho Vieira
Analista CNPI nº EM 1268
Doutorando em Ciências Contábeis

Felipe Pontes

Felipe Pontes

Diretor Educacional do TradersClub

Doutor em Contabilidade com foco em informações contábeis para o mercado de capitais pelo Programa UnB/UFPB/UFRN.
Professor de Contabilidade e Valuation.
Gestor de Clube de Investimento.

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