18/12/2019 às 5:00

17 – Implicações do ciclo de vida da empresa para a análise fundamentalista e valuation

Felipe Pontes Felipe Pontes

Nos dois textos anteriores, com relação ao ciclo de vida das empresas, nós aprendemos sobre o conceito de ciclo de vida organizacional, quais são os direcionadores de valor das empresas em cada estágio do ciclo de vida e como conseguimos classificar as empresas de acordo com cada estágio do ciclo de vida.

Beleza, mas e agora: o que eu faço com tudo isso? Primeiramente, para fazer uma avaliação de empresa (valuation) por desconto de fluxo de caixa é preciso estimar os fluxos de caixa futuros! Na mesma linha, para chegar aos fluxos de caixa, é preciso estimar as receitas e os lucros futuros.

Para que a empresa gere receitas, ela deve investir em projetos que sejam atrativos ao público que a companhia pretenda atingir. Em contra partida, para investir em projetos, a empresa deve usar os lucros retidos, emitir ações ou captar recursos por meio de dívida.

Todas as opções de financiamento listadas acima têm um lado bom e um lado ruim. O uso de dívida eleva o montante do pagamento dos juros. O uso dos lucros requer diminuição dos dividendos pagos e a emissão de ações requer diluição do controle da empresa e custos de emissão. Todos estes fatores entram no processo de valuation.

Vejamos novamente o caso da Cemig S.A. e da Ômega S.A. nos últimos três anos – caso não tenha lido o texto sobre a classificação do estágio de ciclo de vida, recomendamos que clique aqui e leia antes de continuar neste texto, pois também usamos o caso da Cemig e Ômega.

Na tabela abaixo temos o crescimento das Receitas e do Lucro Bruto Cemig e da Ômega. Também apresentamos a variação dos investimentos de ambas as companhias (Investimentos/ Receita) e a distribuição de dividendos (Payout).

Fonte:http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/empresas-listadas.htm?codigo=2453

http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/empresas-listadas.htm?codigo=23426

 

Note que a Ômega S.A. apresenta uma média do crescimento das receitas e do lucro operacional muito maior que a Cemig S.A. Ao mesmo tempo, a Ômega S.A. possui um maior nível de investimento em imobilizado e intangível.

Para manter esses investimentos, a companhia não poderia pagar todo o seu lucro em dividendos. Logo, a empresa também mostra um menor payout médio nos últimos três anos.

 


Fonte:
http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/empresas-listadas.htm?codigo=2453

http://www.b3.com.br/pt_br/produtos-e-servicos/negociacao/renda-variavel/empresas-listadas.htm?codigo=23426

 

 

Conclusão

Empresas nascem, crescem e morrem. Às vezes elas se reinventam e engatam um novo ciclo de crescimento. Dessa forma, os estágios do ciclo de vida exercem influência no crescimento das receitas e lucros, nos investimentos corporativos e no financiamento das empresas.

Todos estes fatores devem ser levados em conta na hora da avaliação de empresas e da análise fundamentalista. Muitas vezes, bons negócios que estão voando atualmente, podem não ser os melhores no futuro. Eles são ser testados pelas forças do progresso.

Como determinar isso? Como prever com antecedência? Isso é complicado e às vezes impossível de ser feito com exatidão. Porém, isso não quer dizer que não seja possível modelar os acontecimentos futuros e tentar realizar previsões. No final, a avaliação serve para quantificar a incerteza e auxiliar na tomada de decisão de investimentos.

 

Lucas Nogueira
Mestre em Finanças pelo PPGA/UFPB
Contribui com textos educativos para o TC SChool

Felipe Pontes

Felipe Pontes

Diretor Educacional do TradersClub

Doutor em Contabilidade com foco em informações contábeis para o mercado de capitais pelo Programa UnB/UFPB/UFRN.
Professor de Contabilidade e Valuation.
Gestor de Clube de Investimento.

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