TC School / Análise Fundamentalista

20 – Hedge com Operações Vendidas de S&P 500

15/01/2020 às 11:54

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Parte dos investidores investem no índice S&P 500 como uma maneira de diversificar a sua carteira de ações. Entretanto, os investidores podem querer fazer hedge (ou até mesmo especular) que o mercado de ações americano andará de lado ou mesmo que vá cair.

Nesse sentido, esses investidores vão querer assumir uma posição vendida no índice. Tal posição pode ser feita de várias maneiras, como fazer uma operação vendida (short selling) de um ETF S&P 500, a compra de opções de venda no índice e a venda de contratos de futuros.

Dessa forma, fizemos um guia da operação com contratos futuros de índice. Essa operação é projetada para aqueles que desejam assumir posição no índice de ações americano. Primeiramente, explicaremos o conceito de contratos futuros, minicontratos e minicontratos de índice. Em seguida, falaremos da operação dos minicontratos de S&P 500.

Contratos futuros

Antes de tudo, os contratos futuros são instrumentos financeiros que servem para negociar ativos financeiros, como índices, moedas ou commodities, com base em valores dessas cotações projetados para o futuro.

Nesse sentido, esses contratos funcionam como contratos de compra e venda no mercado futuro, onde as partes que negociam o contrato acordam o preço de um determinado ativo para pagamento em uma data futura. Quem negocia nesse mercado busca proteção (hedge) contra as oscilações dos preços do ativo negociado ou busca especular com as variações dos preços.

Minicontratos

Os minicontratos foram criados pela B3 para facilitar o acesso ao mercado de futuros. Esses contratos são similares aos contratos cheios, no entanto, eles possuem um valor de lote mínimo menor para negociação, além de permitirem a operação com baixa margem de garantia.

Logo, enquanto um contrato cheio de índice futuro requer a compra de um lote mínimo de 5 contratos, na negociação de minicontratos é possível negociar com um lote mínimo 1 contrato futuro.

Tipos de minicontratos e operações com contratos de futuros do índice S&P 500

Basicamente, existem dois tipos de minicontratos disponíveis: os minicontratos de índice e os minicontratos de dólar. Os códigos de negociação dos minicontratos apresentam informações sobre o tipo de ativo e o mês de vencimento.

No caso dos minicontratos do índice S&P 500, temos os seguintes códigos de negociação, iniciados com WSP e variando com os quatro prazos de vencimentos no ano: março, junho, setembro e dezembro.

O vencimento exato ocorre na 3ª sexta-feira do mês de vencimento. Obviamente, a liquidação dos contratos é totalmente financeira: se o investidor segurar a posição até o vencimento, ele receberá crédito ou terá débito financeiro em sua conta.

hedge

Por fim, como estamos negociando contatos futuros de um índice da bolsa americana, as operações são cotadas em dólar (US$). Em seguida, é feita uma conversão para reais (R$). A cotação utilizada é a taxa de referência divulgada pela B3 até 16h.

Exemplo de posições vendidas com minicontratos do S&P 500

Vamos supor que o objetivo seja especular com a queda do S&P 500 – ou se proteger dela. Essa operação pode tanto proteger a carteira de ações montada com empresas na bolsa brasileira, quanto pode obter ganhos de capital com a queda do S&P 500. Para isso, vamos adotar posições vendidas no índice futuro de S&P 500.

Assim, consideraremos uma carteira cujo valor de mercado em dólares seja de U$ 100.000,00. Chamaremos esse valor de Valor Atual do Portfólio (Va). Assumimos que o contato futuro do mini índice S&P 500 tenha o valor de WSPH20: US$ 3.265,00. Lembre-se que o tamanho deste contrato é dado pelo valor do S&P 500 multiplicado por US$ 2,50. A negociação do lote-padrão do micro S&P 500 é de 1 contrato. Vamos chamar esse valor de Valor do Contrato de Futuros (Vf).

Supondo que a carteira em dólares tenha movimentos similares ao S&P 500, ou seja, tenha beta igual a 1 (carteira diversificada). Logo, quantos contratos de índice futuro do S&P 500 precisamos vender para proteger a carteira?

OBS: leia mais sobre beta de uma carteira no nosso artigo Teoria das Carteiras e Análise de Investimentos: Alpha, Sharpe e Sortino e no nosso glossário.

Calculando o número de contratos

Neste caso, com o portfólio correspondendo ao índice (Beta = 1), podemos pressupor que a razão de hedge ideal será igual a 1. A equação abaixo mostra que o número (N) de contratos futuros que devem ser vendidos é:

hedge S&P500

No caso do exemplo, temos:

Hedge S&P500

Podemos reajustar esse valor para 13 contratos (arredondando para cima) para adequá-lo ao lote padrão. Se o S&P 500 cair para 3 mil pontos, então temos o seguinte ganho em pontos: 3.265 – 3.000 = 265 pontos de ganho por mini. Como foram 13 mini contratos, tem-se um ganho total de: 13×265 = 3.445 pontos.

Como cada ponto é equivalente a US$ 2,50, o ganho total (financeiro) teria sido de: 3.445×2,5 = US$ 8.612,50

Se o investidor quiser proteger uma quantidade menor de ativos, ele pode simplesmente diminuir o número de contratos, reduzindo o valor do Va na fórmula acima. Por exemplo, para proteger apenas 50% do seu portfólio, ele poderia fazer a operação com apenas 5 ou 6 contratos de mini índice.

Ajuste com o uso do Beta da Carteira de Ações

Na maioria das vezes, a sensibilidade da carteira é maior ou menor que 1. Carteiras mais arriscadas tendem a possuir beta > 1, enquanto as carteiras mais conservadoras apresentam beta < 1.

Mensurando o coeficiente beta

Neste caso, como o beta não é diretamente observado, temos que estimá-lo. Em adição, como estamos falando do S&P 500, temos que estimar a sensibilidade dos ativos nacionais às variações no S&P 500. O beta é dado pela fórmula abaixo, já tratado em nosso artigo Teoria das Carteiras e Análise de Investimentos: Alpha, Sharpe e Sortino e no nosso glossário.

O Retorno do mercado é dado pelo índice S&P 500, enquanto o Retorno da ação é o retorno das ações que compõem a carteira em dólar.

No exemplo hipotético abaixo, temos o retorno em dólares das ações das empresas Ambev S.A. (ABEV3), B3 S.A. (B3SA3), Banco do Brasil (BBAS3), Petrobras S.A (PETR3) e Vale S.A (VALE3). Os retornos vão do dia 10 de janeiro de 2020 até 9 de janeiro de 2015. Na última coluna temos os retornos do S&P 500.

Abaixo, calculamos os betas de cada ação e o beta do portfólio. Usamos retornos diários por 5 anos. Ao todo, excluindo os dias sem negociação, temos 1021 observações. O beta do portfólio nada mais é do que a média ponderada dos betas das ações que formam a carteira. Vamos assumir que cada ação represente de 5% até 35% da carteira.

Número de contratos

Em seguida, dado que o beta do portfólio é de 1,18 (pouco acima da carteira de mercado), usamos a fórmula abaixo e realizamos um novo hedge com S&P 500.

Hedge

Por fim, podemos reajustar esse valor para 15 contratos para adequá-lo ao lote padrão. Se o S&P 500 cair para 3 mil pontos, então temos o seguinte ganho em pontos: 3.265 – 3.000 = 265 pontos de ganho em cada um dos 15 mini contratos (15×265 = 3.975 pontos). Como cada ponto é equivalente a US$ 2,50, o ganho total (financeiro) teria sido de: 3.975×2,5 = US$ 9.937,5.

Novamente, você não necessariamente precisa ajustar para o beta. Você pode estipular um valor da carteira que quer proteger e fazer a operação com base nisso.

Lucas Nogueira
Mestre em Finanças pelo PPGA/UFPB
Contribui com textos educativos para o TC SChool

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