15/05/2020 às 18:31

Como não ser enganado pelo “Ajuste meramente contábil”

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Você já deve ter ouvido alguém falar: “Mas essa despesa não tem efeito no caixa.

É um ajuste meramente contábil!

Ajustes contábeis

Antes de tudo, essa afirmação pode ser verdade, mas apenas em parte. Vamos exemplificar esta questão tratando de dois “ajustes contábeis” que ocorrem com frequência:

  • Provisão para Devedores Duvidosos, ou Perda Estimada com Crédito de Liquidação Duvidosa (PCLD)
  • Impairment ou Redução ao Valor Recuperável dos Ativos

Provisão para Devedores Duvidosos (PDD)

Por exemplo, vamos refletir sobre isso, usando a PDD.

Primeiramente, qual é o efeito e o racional por trás da PDD? A PDD é aplicável a todos os recebíveis (valores a receber) da empresa – conta bastante relevante para bancos e empresas que vendem a prazo (exceto vendas no cartão de crédito, onde o “risco” não fica com a empresa).

Então, por que reconhecer a PDD: as empresas reconhecem as receitas pelo regime de competência. Isso acontece quando a empresa entrega a mercadoria, presta o serviço etc.

O recebimento (efeito caixa) pode vir antes (Adiantamento de clientes – que fica no passivo) ou depois (contas a receber – que fica no ativo).

Dessa forma, é neste “depois” onde está o perigo do ajuste “meramente contábil”. Através do registro da PDD, a empresa estima que esta parcela do seu contas a receber não será convertida em dinheiro (leia nosso texto sobre as provisões dos bancos), o que afetará o caixa futuramente.

Esse efeito influenciará de forma negativa o caixa operacional da empresa, podendo ser observado em sua demonstração dos fluxos de caixa.

Entenda tudo sobre Análise Fundamentalista:

  1. Entenda como calcular o beta contábil e o custo do capital usando análise fundamentalista
  2. Como usar as demonstrações contábeis para fazer uma boa análise fundamentalista
  3. Indicadores Financeiros: Como medir a eficiência operacional das empresas?

Ajustes contábeis – Perdas por Impairment

O teste de impairment se refere ao ajuste que é realizado em um ativo/investimento para ajustá-lo ao seu valor de recuperação (valor de venda ou valor de uso).

Nesse sentido, o teste de impairment pode ser comparado a uma análise de projetos ex post (ou um valuation de um ativo específico).

Assim, para decidir investir em um projeto, faz-se uma análise do valor presente líquido dele (VPL), caso positivo, realiza-se o investimento. No caso, a empresa já investiu no ativo – então se o VPL der negativo, faz-se a baixa.

As perdas por impairment podem então decorrer de fatores internos (maneira como o ativo é utilizado, produtividade etc.), bem como fatores externos (câmbio, preços de mercado etc.).

Lembrando que, como há uma análise de um fluxo de caixa, quanto maior o risco da empresa/projeto, menor o valor presente.

De certa forma, a perda por impairment evidencia que o investimento não teve a rentabilidade esperada. Bads news! Mas se a rentabilidade melhorar, baixas por impairment podem ser revertidas (exceto a baixa por goodwill, ou ágio, na compra de empresas).

E o caixa?!

Mas antes que perguntem: ah mas não afeta o caixa né? Já afetou porque a empresa comprou e provavelmente já pagou pelo ativo. E vai afetar porque os fluxos de caixa futuros serão menores.

Por fim, não devemos culpar o mensageiro porque ele traz uma mensagem ruim. A contabilidade só reflete os eventos econômicos que acontecem com a empresa. Ela não “cria” nada, só evidência o que esta acontecendo.

Cuidados nas suas avaliações

Nesse sentido, ao se analisar a demonstração de resultados, atenção especial deve ser dada para os itens “não caixa” ou “ajuste meramente contábil”.

Se eles forem  deixados totalmente de lado em nossas análises, podemos estar superestimando as nossas avaliações sobre o desempenho da empresas.

 

Para um melhor entendimento sobre o ajustes contábeis, leia também:

 

Texto produzido com material divulgado pelo Professor Fernando Dal-Ri Murcia, da FEA-USP, autor de vários livros e artigos sobre contabilidade.

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