11/05/2020 às 16:38

Balanço Patrimonial: o que é, como usar e dicas de análise

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Neste texto, vamos te ajudar a ler e interpretar o balanço patrimonial, de forma prática e didática, explicando os seguintes tópicos:

  • Principais contas do Balanço Patrimonial
  • Indicadores básicos para uma boa análise do Balanço Patrimonial
  • Outras análises qualitativas, referentes ao que está dentro de cada conta do Balanço Patrimonial

 

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  2. Análise Fundamentalista: Entenda as Abordagens Top-Down e Bottom-Up
  3. Entenda o custo do capital próprio, custo do capital de terceiros e o WACC

Balanço Patrimonial: conheça o ativo, passivo e o patrimônio líquido

Dentre as demonstrações financeiras evidenciadas pela contabilidade, o balanço patrimonial (BP) figura como um “retrato” da posição patrimonial da firma. Neste sentido, podemos extrair diversas informações deste retrato, desde a forma de financiamento da empresa, sua administração do capital de giro, liquidez, etc.  O BP é composto por três elementos básicos:

  • Ativos (sem preciosismo técnico, é como se fosse uma carteira de investimentos)
  • Passivos (obrigações da empresa, que são exigíveis pelos credores, funcionários etc)
  • Patrimônio líquido (como se fosse o passivo da empresa, mas não é exigível, pois pertence aos sócios e eles não podem simplesmente exigir um pagamento)

Conceitos para entendermos o Balanço Patrimonial

Antes de prosseguir, vamos aos conceitos dos elementos contábeis que formam o Balanço Patrimonial, como vimos na seção anterior: ativo, passivo e patrimônio líquido

O que são ativos

Os ativos representam as aplicações dos recursos que foram investidos pelos sócios e pelos credores. Ou seja, são todos os investimentos feitos pela administração da empresa, necessários a execução de suas atividades no dia a dia. O ativo das empresas, que constam no Balanço Patrimonial, são divididos em ativos circulantes e ativos não circulantes.

O ativo circulante refere-se aos ativos que serão realizados (ou convertidos em caixa) no decorrer de 12 meses. Por exemplo: Contas a receber dos clientes nos próximos 12 meses, estoques de mercadorias e assim por diante.

O ativo não circulante refere-se aos ativos que serão realizados após o período de 12 meses da data do fechamento do balanço patrimonial. Exemplo: Contas a receber após o 12º mês da data do balanço.

Entrando agora nas contas do ativo, em geral, são apresentadas em primeiro lugar as contas mais rapidamente conversíveis em caixa, iniciando pelo próprio caixa e equivalentes de caixa. Abaixo você pode checar a definição dos principais tipos de ativos:

  • Caixa e equivalentes de caixa: Representa o que a empresa dispõe de caixa, ou aplicações financeiras que podem ser convertidas em caixa muito rapidamente e que tenham risco quase zero de perder valor;

  • Contas a receber: Valores a receber de clientes, relativos a vendas a prazo. Essa conta também é conhecida como “clientes” ou “duplicatas a receber”;

  • Estoques: Estoques de mercadorias para revenda/produzidos pela empresa;

  • Imobilizado: Referem-se às máquinas, equipamentos, veículos. Nesta conta, os valores registrados estão “líquidos” da depreciação acumulada – que é uma espécie de “desvalorização” do ativo, pelo consumo dos benefícios que ele gera para a empresa;

  • Investimentos: Participação acionária em controladas e propriedades que a empresa mantém para auferir ganhos de capital. Para saber mais detalhes sobre os investimentos societários, recomendo que leia o nosso texto clicando aqui;

  • Intangível: Ativos sem substância física, como softwares, patentes, ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) na aquisição de empresas etc. Os valores presentes nesta linha estão deduzidos da amortização acumulada.

O que são passivos

Os passivos representam as obrigações que a empresa tem para com terceiros e também ficam registradas no Balanço Patrimonial, a exemplo de fornecedores, empréstimos e financiamentos, salários e encargos a pagar etc. Esses passivos também podem ser chamados de passivos exigíveis, já que a empresa tem uma obrigação para com uma outra parte e essa outra parte pode exigir o pagamento.

Os passivos dividem-se em passivo circulante e passivo não circulante, seguindo a mesma regra “temporal” do ativos circulante e ativo não circulante. Contudo, no ativo a regra é de liquidez, que é a capacidade de transformar o recurso econômico em caixa, enquanto que no passivo a regra é a exigibilidade – que é a obrigação de pagar a alguém.

Ou seja, as obrigações que a empresa tem com terceiros no período de até 12 meses ficam registradas no passivo circulante, enquanto que as obrigações que vencem após o período de 12 meses ficam registradas no passivo não circulante

No passivo, classificam-se em primeiro lugar as contas cuja exigibilidade ocorre antes, como dito anteriormente. Sendo assim, vamos a alguns exemplos abaixo. Lembrando que algumas contas podem conter o nome “a pagar” ou não, a exemplo de “Fornecedores” ou “Fornecedores a Pagar” que querem dizer a mesma coisa:

  • Fornecedores:Valores a pagar relativos a aquisição de mercadorias e serviços;

  • Obrigações sociais e trabalhistas: Contas a pagar relativas ao pessoal e encargos trabalhistas;

  • Empréstimos e financiamentos: Financiamentos obtidos com terceiros, os quais geram as despesas financeiras;

  • Provisões para riscos fiscais, trabalhistas e cíveis: Processos judiciais os quais a empresa considera que a perda seja provável;

  • Dividendos a pagar: montante de dividendos que a empresa precisa distribuir aos seus acionistas após aprovação em Assembleia.

O que é o Patrimônio Líquido

O Patrimônio Líquido, mais conhecido como PL, representa o valor residual entre os ativos e os passivos. Podemos chegar no PL por meio da equação patrimonial básica, inclusive: Ativos = Passivos + PL. Logo, PL = Ativos – Passivos. A partir desta simples equação, podemos observar que o lado do passivo representa as origens dos recursos, e o lado do ativo indica onde estes recursos estão aplicados. 

Fazendo a leitura do Balanço Patrimonial (BP)

 A partir do balanço patrimonial, podemos obter várias informações acerca das características operacionais da empresa, bem como a sua atual situação financeira. Vamos verificar o BP consolidado da Localiza Hertz (RENT3).

Fazendo a leitura do Balanço Patrimonial

Fonte: DFP Localiza 2019

Note que lá em cima eu falei sobre Balanço Patrimonial consolidado. Talvez você nem tenha notado, na verdade, então vou explicar brevemente. O balanço patrimonial consolidado demonstra todo o grupo econômico o qual a empresa faz parte.

Outro ponto importante que você pode notar na imagem acima são as Notas Explicativas. Veja que há uma coluna chamada de “nota” com um número. As Notas Explicativas são muito importantes para que você possa entender exatamente o que temos dentro de cada conta na contabilidade da empresa. Leia mais sobre as notas que explicam melhor o Balanço Patrimonial clicando aqui.

Onde a empresa aplica os seus recursos?

 Para avaliar onde a empresa aplica os recursos próprios e de terceiros, vamos olhar para os seus ativos, que podem até ser entendidos como a carteira de investimentos feitos para a empresa permanecer em atividade.

Para verificar a conta mais relevante do ativo, vamos ver a sua participação percentual em relação ao ativo total. Isso é o que chamamos de análise vertical do Balanço Patrimonial, componente muito importante da análise fundamentalista.

Onde a empresa aplica os seus recursos?

Fonte: DFP Localiza 2019

Não é difícil observar, pelo Balanço Patrimonial, que boa parte do investimento da empresa Localiza está concentrado em seu imobilizado. No caso, nos veículos que a empresa destina para locação.  Aqui podemos inferir que este setor demanda um investimento substancial em imobilizado, estando boa parte do ativo da empresa no ativo não circulante.

Um outro ponto importante na análise do Balanço Patrimonial se refere ao valor do imobilizado ser bastante superior ao valor do patrimônio líquido da empresa, indicando ser necessária a assunção de dívidas tanto na forma de empréstimos e arrendamento para aplicação no seu imobilizado.

O que a empresa tem em seu passivo?

Olhando agora apenas para o passivo, do lado direito do Balanço Patrimonial, podemos observar que o passivo mais representativo para a empresa são as suas dívidas de longo prazo, com participação de quase metade dos recursos totais.

Esta análise corrobora com o ponto que destacamos acima. O valor do imobilizado é bem superior ao patrimônio líquido, o que levaria a empresa a assumir dívidas/arrendamentos para financiar o seu imobilizado.

O que a empresa tem em seu passivo?

Fonte: DFP Localiza 2019

Indicadores simples de análise do Balanço Patrimonial

Existem diversos outros indicadores que você pode analisar no balanço da sua empresa. Porém optamos por apresentar aqui apenas alguns. Caso queira aprofundar o estudo da análise das demonstrações contábeis, recomendo que leia os nossos outros textos clicando aqui.

Liquidez da empresa

Como os ativos circulantes serão realizados no decorrer de 12 meses a partir da data do balanço e os passivos circulantes serão liquidados no mesmo período, podemos avaliar se o ativo circulante “cobre” o passivo circulante. Vamos chamar este indicador de liquidez corrente. Caso queira saber mais sobre os indicadores de liquidez, acesse o nosso texto específico.

Indicadores simples de análise do Balanço Patrimonial

Dividindo o ativo circulante pelo passivo circulante, chegamos ao indicador de 1,28 e 1,11 para 2019 e 2018 respectivamente. Esse número indica que, para cada R$ 1,00 de obrigações a curto prazo, a empresa irá dispor de R$ 1,28 para liquidá-la. Temos então um indício de uma situação aparentemente confortável de liquidez.

Podemos avaliar também o quão forte é a posição de caixa da empresa frente às suas obrigações de curto prazo. Tal indicador pode ser importante caso as receitas da empresa caiam de maneira drástica em virtude de algum evento inesperado. Vamos chamar este indicador de liquidez imediata.

Observa-se que, para cada real que a empresa deve liquidar no curto prazo, a empresa tinha em seu caixa em torno de R$ 0,60, o que pode ser considerado uma posição de caixa razoavelmente boa.

 Alavancagem

Forma de financiamento

Vamos analisar, por meio do Balanço Patrimonial, se a Localiza prefere financiar seus projetos com dívidas, ou com o seu capital próprio, através da retenção de lucros e aportes dos acionistas.

Ao observar sua forma de financiamento, verificamos a preferência pelo uso de capitais de terceiros, o que pode ser benéfico para a empresa ao gerar benefícios do ponto de vista fiscal, já que as despesas de juros são dedutíveis para a apuração dos impostos sobre o lucro.

Distribuição da dívida no tempo

Podemos observar também que boa parte das dívidas da empresa está concentrada no longo prazo (passivo não circulante) indicando certa folga para gerar caixa e amortizar a dívida no futuro (observar no relatório da administração e notas explicativas alguma referência ao cronograma de amortização da dívida).

Faça a análise completa!

 O balanço patrimonial (ou qualquer demonstração contábil), não deve ser analisada de forma isolada (leia nosso texto de análise em conjunto) pois você pode se perguntar “Um lucro de R$ 1 milhão é satisfatório?”

Bom, do ponto de vista nominal, sim, R$ 1 milhão é um valor expressivo, mas, imagine uma empresa com ativo total (investimentos totais) de R$ 1 bilhão, essa empresa gerou um resultado irrisório perante o investimento realizado.

Assim, o balanço patrimonial deve ser lido em conjunto com outras demonstrações contábeis, afim de podermos verificar os resultados auferidos pela empresa também de forma relativa aos seus investimentos.

Portanto, com a prática e o passar do tempo, os indicadores são feitos de cabeça. Não se preocupe se em um primeiro momento houver muitas informações de uma vez só, pois tudo é questão de dedicação. Para saber mais sobre o trabalho de análise de investimentos, recomendamos que leia sobre a certificação CNPI.

Arlindo Souza
Arlindo Souza
Analista de conteúdo no TradersClub | Mercado financeiro
Contador, Mestre em Ciências Contábeis. Foi professor/pesquisador do departamento de contabilidade da UFRN e atuou em contabilidade de S.A. É investidor com base em análise fundamentalista.

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