11/10/2019 às 16:33

2 – Análise Fundamentalista: Entenda as Abordagens Top-Down e Bottom-Up

Felipe Pontes Felipe Pontes

A Análise Fundamentalista agrega um conjunto de métodos quantitativos e qualitativos na busca por definir o valor intrínseco de uma ação. De modo geral, existem duas abordagens para conduzir a Análise Fundamentalista: a Top-Down e a Bottom-Up.

Estas duas abordagens são maneiras diferentes de analisar e investir em ações, existindo diferenças e vantagens em ambas as metodologias.

No final das contas, ambas as abordagens compartilham o mesmo objetivo: identificar boas ações para investir e descartar empresas ruins

Neste artigo, você entenderá o que é, como funciona e quais são as diferenças entre análise Top-Down e a análise Bottom-Up.

Análise Top-Down: começando de cima

Neste tipo de abordagem, o investidor inicia a análise de “cima para baixo”, ou seja, iniciam sua análise por fatores macroeconômicos antes de trabalhar com as questões específicas das empresas individualmente. O objetivo é visualizar o “quadro geral”, para entender como os fatores macroeconômicos impulsionam os mercados e, finalmente, os preços das ações.

Uma maneira rápida de determinar a saúde de uma economia é observar o crescimento do produto interno bruto (PIB) nos últimos anos e as estimativas para o futuro. No caso nacional, o investidor pode analisar a trajetória do crescimento do PIB nacional por meio dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e do Banco Central, em especial o relatório Focus.

Geralmente, quanto existem perspectivas de crescimento do país, a bolsa precifica tal crescimento com antecedência (até mesmo antes do crescimento se concretizar). Isso explica o motivo da bolsa apresentar bons retornos em períodos de expectativas de retomada de crescimento.

Se, após os primeiros passos, o investidor tiver perspectivas otimistas, existe uma boa chance de a maioria dos ativos que valem a pena investir estejam no mercado de ações. Por outro lado, se a perspectiva for pessimista ou muito incerta, a alocação mudará seu foco de ações para investimentos mais conservadores, como renda fixa.

Em seguida, dado que o investidor já possui uma perspectiva dos rumos da economia nacional (já possui uma perspectiva de se a economia vai acelerar ou desacelerar), o investidor deve compreender quais setores serão mais beneficiados com esse crescimento e quais setores podem vir a crescer menos ou serem prejudicados.

A análise terminaria por definir as melhores empresas dentro dos setores que serão beneficiados no futuro. Note que o investidor não vai olhar apenas uma empresa, e sim um conjunto de diversas empresas em diversos setores.

Análise Fundamentalista: Entenda as Abordagens Top-Down e Botton-Up

Análise Bottom-Up: Iniciando pelo nível das empresas

Diferente da abordagem Top-Down, a Bottom-Up é uma abordagem de investimento que se concentra na análise de ações individuais e não enfatiza a importância dos ciclos macroeconômicos e dos ciclos de mercado. Nesta abordagem, o investidor concentra sua atenção em uma empresa específica e em seus fundamentos, e não no setor em que a empresa opera ou nas tendências macro. Essa abordagem pressupõe que algumas empresas podem apresentar bons resultados, mesmo atuando em setores menos favorecidos.

Dada a dificuldade de analisar o cenário macro, a abordagem Bottom-Up é mais utilizada por investidores individuais. No geral, são aqueles que empregam estratégias de Buy & Hold de longo prazo. Isso se deve ao fato de que uma abordagem de baixo para cima para o investimento fornece ao investidor um entendimento profundo de uma única empresa e suas ações.

Exemplo de análise com base na abordagem Bottom-Up

Com base na análise individual das empresas, seja por meio de desconto de fluxos de caixa ou por meio de análises relativas (veja uma introdução no Artigo de Análise Fundamentalista), o investidor buscará por empresas que apresentam forte perspectiva de crescimento futuro (usando métricas de rentabilidade), com boa saúde financeira (usando métricas de endividamento e liquidez), e com ações cotadas por um preço justo ou em barganha (por meio de métricas de valor, ou valuation).

Análise Fundamentalista: Entenda as Abordagens Top-Down e Botton-Up

Após a análise quantitativa das empresas, o investidor poderá melhorar a sua alocação buscando informações (análise qualitativa) sobre a gestão da empresa e suas práticas de governança: a empresa está no novo mercado? A gestão apresenta bons resultados e demonstra transparência nas suas decisões? Existem problemas societários? Os gestores estão envolvidos com escândalos políticos ou práticas ilegais?

Análise Fundamentalista: Entenda as Abordagens Top-Down e Botton-Up

Análises Bottom-up vs. Top-Down: qual é a melhor abordagem?

Afinal, qual é a melhor abordagem? Como quase tudo em Finanças e investimentos, a resposta é “depende”

Não existe uma abordagem única adequada para todos os investidores, e a decisão entre investimentos Bottom-Up ou Top-Down é, em grande parte, uma questão de preferência pessoal. Depende de como o investidor se sente mais confortável em analisar as ações.

Não adianta escolher a abordagem Top-Down, se a análise macro for feita sem capricho. Da mesma forma, não é adequado usar a Bottom-Up se não for feito um estudo minucioso das empresas que se pretende investir. Por fim, o investidor deve ponderar não só a escolha de indicadores, métricas e abordagens, como também a sua capacidade técnica para aplicá-las.

Para saber mais sobre contabilidade, por exemplo, que é muito importante para uma boa análise fundamentalista – afinal, segundo Warren Buffett, ela é a linguagem dos negócios, leia os nossos textos clicando aqui.

Lucas Nogueira
Mestre em Finanças pelo PPGA/UFPB
Contribui com textos educativos para o TC SChool

Felipe Pontes

Felipe Pontes

Diretor Educacional do TradersClub

Doutor em Contabilidade com foco em informações contábeis para o mercado de capitais pelo Programa UnB/UFPB/UFRN.
Professor de Contabilidade e Valuation.
Gestor de Clube de Investimento.

Disclaimer: Este material é produzido e distribuído somente com os propósitos de informar e educar, e representa o estado do mercado na data da publicação, sendo que as informações estão sujeitas a mudanças sem aviso prévio. Este material não constitui declaração de fato ou recomendação de investimento ou para comprar, reter ou vender quaisquer títulos ou valores mobiliários. O usuário não deve utilizar as informações disponibilizadas como substitutas de suas habilidades, julgamento e experiência ao tomar decisões de investimento ou negócio. Essas informações não devem ser interpretadas como análise ou recomendação de investimentos e não há garantia de que o conteúdo apresentado será uma estratégia efetiva para os seus investimentos e, tampouco, que as informações poderão ser aplicadas em quaisquer condições de mercados. Investidores não devem substituir esses materiais por serviços de aconselhamento, acompanhamento ou recomendação de profissionais certificados e habilitados para tal função. Antes de investir, por favor considere cuidadosamente a sua tolerância ou a sua habilidade para riscos. A administradora não conduz auditoria nem assume qualquer responsabilidade de diligência (due diligence) ou de verificação independente de qualquer informação disponibilizada neste espaço. Administradora: TradersNews Informação & Educação Ltda. Todos os direitos reservados.

TradersClub

O app essencial para investidores do mercado financeiro brasileiro.

Uma comunidade com milhares de investidores, ferramentas e serviços que vão ajudar você a investir melhor!

TradersClub