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Paul Volcker, herói para o capitalismo, vilão para os emergentes

Postado por: TC Mover em 10/12/2019 às 20:12

Por Felipe Pontes e equipe TC School, com colaboração de Angelo Pavini, editor sênior TC Mover

 

Poucas figuras foram tão polêmicas e tão importantes para a economia mundial quando o economista norte-americano Paul Adolph Volcker Jr. que, como presidente do Federal Reserve, ficou conhecido por acabar com os altos níveis de inflação nos Estados Unidos durante o fim da década de 1970 e início de 1980, estabelecendo uma disciplina que virou padrão para todos os bancos centrais do mundo e que garantiu a sobrevivência do capitalismo em um de seus momentos de maior instabilidade. O ex-presidente do Fed morreu na segunda-feira em Nova York, aos 92 anos.

 

No comando do Fed durante as gestões do presidente democrata Jimmy Carter e do republicano Ronald Reagan, de agosto de 1979 até agosto de 1987, Volcker tornou-se um dos presidentes mais impopulares da instituição de toda sua história: para controlar a inflação americana, ele decidiu elevar a taxa de juros para patamares próximos de 20% ao ano. A medida controlou a inflação americana após um tempo, mas resultou em recessão e altos níveis de desemprego que provocaram revolta entre os trabalhadores e a população. Além disso, a política monetária adotada provocou impactos econômicos nos países emergentes, incluindo os latino-americanos, altamente endividados, que viram o custo de suas dívidas externas disparar de um dia para outro.

 

Muitos países quebraram, entre eles o Brasil, que parou de pagar seus débitos e entrou em recessão, acelerando os protestos de trabalhadores e da sociedade civil e antecipando o fim da ditadura militar. A chamada crise da dívida dos países subdesenvolvidos durou mais de 10 anos, limitando o crescimento desses países, e só foi resolvida pelo Brasil em 1994, às vésperas do Plano Real.

 

Volcker voltaria à cena na crise de 2008, como presidente do Conselho Consultivo de Recuperação Econômica do presidente Barack Obama, de 2009 a 2011, quando propôs regulações específicas para o setor financeiro. Ele convenceu os parlamentares americanos sobre a importância de impor novas restrições aos grandes bancos. Essa medida é conhecida como Regra Volcker. Tal regra foi classificada como muito restritiva pelos bancos de investimento que até então poderiam utilizar recursos dos seus setores de varejo para realizar investimentos especulativos, o que foi apontado como um dos fatores que levou à crise das hipotecas subprime e que quase devastou o sistema financeiro americano.

 

Volcker graduou-se em economia na Universidade de Princeton. Depois de se formar com honras, ele continuou seus estudos em Harvard e depois na London School of Economics. Ingressou no Fed de Nova York em 1952 como economista júnior, tendo trabalhado anteriormente como assistente de pesquisa.

 

Durante este período, Volcker estudou a análise de políticas monetárias para lidar com o sistema monetário internacional, com suas taxas de câmbio fixas. Como alto funcionário do Fed, além de combater a inflação nos EUA, ele tentou limitar a flexibilização da regulamentação financeira e alertou que o rápido crescimento da dívida federal americana que ameaçava a saúde econômica do país.

 

 

Depois de deixar o FED em 1987, tornou-se presidente do banco de investimentos de Nova York Wolfensohn & Co. Em 2000, tornou-se presidente dos curadores do IFRS (International Accounting Standards Board), que busca desenvolver um modelo único de contabilidade global – inclusive, em 2010 ocorreu, no Brasil, a mudança da norma contábil local para o padrão IFRS (caso queira saber mais sobre contabilidade, clique aqui).

 

 

(Foto: Paul Volcker – Charles Harrity/AP)

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