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Mercado exagera ‘risco Odebrecht’ para bancos, diz Credit Suisse; ações sobem

Postado por: TC Mover em 06/06/2019 às 13:12

A perda de quase R$20 bilhões em valor de mercado dos grandes bancos na B3 parece exagerada e mais do que cobre os impactos contábeis decorrentes de uma possível recuperação judicial da Odebrecht, que, se confirmada, seria a segunda maior na história do país, de acordo com analistas do banco Credit Suisse.

 

As ações do Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Santander Brasil desabaram 2,5% na média ontem, com o temor de que suas carteiras de crédito conteriam exposição consolidada acima de R$40 bilhões à Odebrecht, cujas subsidiárias enfrentam renegociações de passivos em meio a receitas decrescentes e o legado do envolvimento do grupo na Operação Lava Jato. Hoje, os papéis dos quatro maiores bancos sobem 0,5% na média – refletindo cautela com o cenário para a Odebrecht, disseram traders.

 

Aproximadamente R$25 bilhões desse montante seriam a exposição à Odebrecht dos bancos públicos, incluindo o BB, o BNDES e a Caixa Econômica. O restante, ou R$15 bilhões, estariam nos maiores bancos privados – Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil. “A nossa leitura é de que o impacto deve ser marginalmente negativo para os privados e um pouco pior para os públicos,” disseram os analistas do Credit Suisse liderados por Marcelo Telles.

 

O tombo de ontem nos papéis aconteceu um dia após a Odebrecht anunciar que a Atvos, a segunda maior produtora de açúcar e etanol, controlada pelo grupo, tinha entrado com pedido de recuperação judicial após fracassar na tentativa de renegociar R$12 bilhões em passivos. Para Telles e a equipe, parte da exposição de R$40 bilhões pode estar garantida por ações que a Odebrecht tem na Braskem, a maior petroquímica da América Latina, o que, em teoria, mitigaria o risco de uma RJ: há R$7,7 bilhões de garantias na forma de ações ON da Braskem, a preços correntes, e os bancos possuem parte da exposição à Odebrecht já provisionada.

 

Às 13h05, Banco do Brasil ON avançava 0,66%, Itaú Unibanco PN subia 0,58%. Bradesco PN avançava 0,96% e Santander Brasil unit operava em alta de 0,18%. O índice financeiro da B3, que agrupa as ações dos bancos e das companhias financeiras não-bancárias, registrava alta de 0,84%.

 

(Foto: sede da Odebrecht em São Paulo/Agência Brasil)

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