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Investidor corre rumo à cautela com desdobramentos do conflito entre EUA-Irã; no radar, petróleo, Focus, Petrobras

Postado por: TC Mover em 06/01/2020 às 14:37

O ano de 2020 começa para valer nesta semana, com o investidor voltando dos feriados em fuga de ativos de risco enquanto acompanha o conflito entre Estados Unidos e Irã e seus efeitos sobre os preços do petróleo. As bolsas asiáticas e europeias derretiam nesta segunda-feira, com o índice DAX da Alemanha, o CAC, da França, e o Nikkei, do Japão, caindo mais de 1,5%, enquanto o contrato do ouro tinha alta proporção similar, para o maior valor em sete anos, US$1.578. Em resposta ao ataque americano que matou o general Qassim Soleimani, na sexta-feira, o governo iraniano declarou estar livre para enriquecer urânio e armazenar combustível nuclear fora dos limites do acordo nuclear assinado em 2015 com os EUA. Teerã age para ganhar espaço político na região e atingir os interesses americanos. No front interno, apesar do recesso parlamentar até fevereiro, devem recomeçar as negociações entre a equipe econômica e as lideranças do Congresso para aprovar a reforma tributária e administrativa.

 

Com a provável influência iraniana, o parlamento iraquiano aprovou no fim de semana uma lei determinando a saída de tropas estrangeiras, o que pode reduzir a influência dos Estados Unidos no país, importante produtor de petróleo e palco da disputa entre grupos pró e contra o Irã. Ataques com foguetes, como os do fim de semana contra a embaixada americana em Bagdá, e atentados contra forças americanas em outros países devem se tornar mais frequentes, assim como as ameaças de agressões a Israel e a petroleiros no Estreito de Ormuz. A afirmação do governo do Irã de que não precisa mais respeitar o acordo nuclear, abrindo espaço para a fabricação de armas, é mais um ingrediente para aumentar a tensão na região. Já o presidente Donald Trump promete manter o clima de ameaça contra o Irã, de olho também na popularidade em meio ao processo de impeachment, que deve começar a tramitar no Senado, e na eleição presidencial no fim deste ano.

 

Na sexta-feira, a Petrobras registrou a oferta pública do BNDES de ações ordinárias na Securities and Exchange Commission, equivalente à CVM brasileira, dando início oficial ao processo, que deve pesar sobre as ações nas próximas semanas. O mesmo deve ocorrer em breve com as ações da JBS, que também estão na lista de vendas do BNDES. Ainda com relação à Petrobras, há também a expectativa com a reação do governo diante da alta do petróleo e de seus efeitos na popularidade de Bolsonaro, que já mostrou não ter muito apreço pelas teorias liberais e de não intervenção de seu ministro da Economia, Paulo Guedes, especialmente se houver ameaça de greve dos caminhoneiros. Matéria do Estado de S. Paulo, que ouviu fontes, afirma que a Caixa Econômica Federal prepara o IPO da Baixa Seguridade para abril de 2020, no primeira oferta pública do governo Bolsonaro.

 

(Por: Kariny Leal, Angelo Pavini e Vitor Azevedo || Foto: Barco pegando fogo em Ormuz – AFP)

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