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Fed e Copom dóceis trazem bolsa de volta aos 100 mil pontos; pregão pós-feriado deve ser tranquilo

Postado por: TC Mover em 19/06/2019 às 18:45

Os mercados, no Brasil e mundo afora, interpretaram o comunicado e as projeções do Federal Reserve, assim como as palavras do seu presidente, Jerome Powell, como o passo prévio a um corte na taxa-alvo de juros no futuro próximo. O índice Bovespa fechou no seu maior patamar histórico com a notícia: alta de 0.90% a 100.303 pontos. Da mesma forma, o texto da decisão do comitê de política monetária do Banco Central do Brasil deixou no investidor a sensação de que uma redução na taxa básica de juros Selic é questão de tempo. Apesar de dizer que o balanço de risco evoluiu de forma favorável, o BC deve esperar até ter certeza quase absoluta de que a Reforma da Previdência – a mãe dos esforços de estabilização das finanças públicas – seja aprovada na Câmara.

 

Os índices acionários em Nova Iorque fecharam em alta e os juros dos Treasuries em queda, assim como o dólar americano, que recuou ante as moedas pares e as divisas dos principais países emergentes. As taxas dos contratos de juros futuros mais líquidos na B3, os DIs com vencimento para janeiro próximo e para janeiro de 2021, apagaram as altas da manhã e fecharam em queda de 1 ponto-base e 5 pontos-base, respectivamente. O câmbio mostrou comportamento similar, com o dólar futuro se desvalorizando 0,57% a R$3,841. O risco-país, a medida de risco soberano brasileiro mais popular, caiu hoje para seu menor nível em três meses.

 

Na decisão, o banco central americano indicou que existe espaço para cortar a taxa Fed Funds pela primeira vez em 11 anos. As bolsas nos EUA e no Brasil aceleraram ganhos com a notícia, e o dólar despencou ante seus pares e divisas dos países emergentes. O comitê de política monetária do Fed, conhecido como FOMC, manteve o juro básico inalterado, tirou a referência de que manteria a “paciência” para avaliar a situação da economia e cortou as estimativas para a inflação em 2019 e 2020. A decisão não foi unânime: o diretor-gerente do Fed de St. Louis, James Bullard, votou a favor de um corte de 25 pontos-base, primeira dissidência na era Powell. Os membros do FOMC ainda estão indecisos quanto ao que fazer nas próximas reuniões: oito dos 17 membros veem uma Fed Funds menor até o final do ano, oito não veem mudança e só um aguarda uma alta.

 

No caso do Copom, confirmou-se o que falamos ontem e hoje mais cedo: que o BC só deve agir nos juros quando tiver firmeza quanto à aprovação da Reforma da Previdência. No comunicado, o comitê – que manteve a taxa inalterada em 6,50% ao ano – retirou a expressão “simétrico” para descrever o balanço de riscos, que, apontou, melhorou para a inflação, embora ainda apresente como fator preponderante uma frustração com as reformas. Economistas e gestores dizem que o BC precisa mudar seu discurso sobre a Selic, não só pela estagnação econômica, mas porque é muito provável que a Câmara aprove a reforma ao longo do terceiro trimestre. O caminho para um corte, pois, será preparado ao longo das próximas semanas – mas dependerá, em grande medida, de como Congresso e governo se comportam quanto à aprovação da Nova Previdência.

 

Olhando para a política local, que tem impedido um desempenho mais vigoroso dos mercados de renda variável, juros e câmbio em dias recentes, o único evento relevante foi a audiência do ministro da Justiça, Sérgio Moro, ante uma comissão do Senado. Mas, para o mercado, a sabatina foi irrelevante. Moro falou por mais de oito horas para esclarecer se o vazamento de mensagens trocadas entre ele e um procurador quando era o juiz titular da Operação Lava Jato tinham algo de ilegal. O ministro reiterou que não há nada a esconder, que as mensagens podem ter sido alteradas e que não tem nenhum apego ao cargo no ministério.

 

(Foto: B3/Reprodução)

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