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Cenário global deve impactar no mercado local; política começa a ganhar tração e pode ser fonte de volatilidade

Postado por: TC Mover em 27/08/2019 às 9:01

Nesta terça-feira de agenda econômica calma e muito assunto político Brasil e mundo afora, as bolsas europeias e os futuros dos índices americanos operam entre o vermelho e o azul, refletindo o peso das frequentes mudanças na narrativa da guerra comercial e das tensões geopolíticas. O cenário otimista que o presidente americano Donald Trump tinha desenhado na véspera esfumaçou com a maior desvalorização do iuan chinês desde 6 de agosto, na madrugada, e a rejeição do Irã, em princípio, de negociar com os EUA algum alívio nas sanções econômicas atreladas ao desmonte do programa nuclear da nação islâmica. O investidor sabe que a retórica protecionista deteriorou a saúde da economia global e que sinais de boa vontade não vão mudar essa situação. Assim, bolsa, câmbio e juros no Brasil podem registrar, de novo, comportamento errático.

 

Dessa forma, o Stoxx600, que caía, passou a subir, apesar de os dados da economia alemã no segundo trimestre mostrarem que o risco de uma recessão antes do final do ano é palpável. Os futuros dos índices S&P500 e Dow Jones operavam na estabilidade, mas com viés de baixa, após passarem a madrugada no vermelho. Na Ásia, as bolsas subiram, com exceção de Hong Kong. Subiram amplamente, quiçá sinalizando uma maior tranquilidade após Trump sugerir ontem que as perspectivas de um acordo comercial com a China estavam melhores do que nunca. O petróleo avançava, mas o ouro – visto como uma fonte de segurança em momentos incertos, – assim como o índice VIX de volatilidade subiam. As commodities metálicas e minerais mais atreladas à atividade econômica global, como o cobre e o minério de ferro, recuavam hoje. Ou seja, a confiança continua frágil.

 

O ambiente de ontem no mercado local foi pesado, para usar um termo mais diplomático. O próprio presidente Jair Bolsonaro deu partida a uma segunda conturbada, espalhando rumores de acusações contra algum membro do governo em mais um episódio de confronto dele com a imprensa. À noite, notícias de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, corre o risco de ser indiciado após um relatório da Polícia Federal sobre supostos repasses da Odebrecht ameaça botar mais fogo no frágil equilíbrio político do país. Vazamentos, espúrios, na opinião de muitos observadores, envolvendo o BTG Pactual, maior banco de investimento do país, provocaram um tombo de mais de 18% no preço das suas ações. Apesar de o banco ter negado de forma veemente e convincente todas as acusações em teleconferência ontem à tarde, a apreensão pode persistir.

 

Enfim, o mês de agosto pode estar acabando, mas a volatilidade chegou para ficar. Com o ciclo econômico nos países mais desenvolvidos alcançando estágios mais avançados, os mercados provavelmente continuarão sensíveis ao fluxo diário de notícias, com quaisquer manchetes de impacto médio turbinando decisões impromptu no curto prazo, disse Sérgio Machado, gestor da SF2 Investimentos e membro experiente do TC. Catalisadores positivos? Mundo afora, um improvável acerto entre os EUA e a China para retomar a conversas comerciais de forma mais proativa. Aqui dentro? Que Bolsonaro foque no fundamental e pare de brigar com os poderes Legislativo, Judiciário, a imprensa, a União Europeia. Precisa agir rápido, presidente! Com as reformas estruturantes andando devagar, o governo precisa fazer o PIB crescer da forma mais rápida possível.

 

Hoje o dia estará bem agitado em Brasília. Primeiro, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, será sabatinado pelo Congresso para falar sobre política monetária. O governo trabalha em um pacote de combate ao desemprego que prevê medidas de estímulo ao primeiro emprego, por meio da desoneração da folha de pagamento e de acesso facilitado ao microcrédito, entre outras. Hoje, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e seus secretários devem se reunir para detalhar esses passos e, possivelmente, apresentá-los a Bolsonaro na reunião do Conselho de Governo, após o almoço. Os jornais também falam que o governo estuda renunciar a parte de sua proposta de Reforma Tributária e apresentar ao Congresso uma versão reduzida, assim como conceder incentivos a Estados e municípios para que apoiem a proposta.

 

Fique de olho na reunião que o presidente Bolsonaro realizará, por volta das 10h00 de hoje, com os governadores de estados da Amazônia para discutir ações de combate às queimadas na região. Essa reunião vem na esteira da rejeição, por parte do governo, da oferta de US$20 milhões dos países do G7 para ajudar no combate aos incêndios. No plano doméstico, a Fipe divulgou dados de inflação medidos pelo IPC semanal, leitura de 0,28% na terceira quadrissemana de agosto, enquanto a FGV divulga custos de construção mensal de agosto. O senador Tasso Jereissati deve entregar o seu relatório sobre a Nova Previdência à Comissão de Constituição e Justiça do Senado hoje. Fique de olho na reação a situação de Maia, assim como aos embates entre o governo e o Congresso: a Câmara prepara parecer para rebater pedidos de vetos à Lei de Abuso de Autoridade e à oposição do governo ao aumento do fundo eleitoral de R$3,7 bilhões.

 

O grande destaque corporativo da última sessão foi a queda de 18,48% na unit do BTG Pactual após matéria do site O Antagonista vincular o maior banco de investimentos da América Latina a um esquema de lavagem de dinheiro. A Via Varejo informou que deve emitir R$1,5 bilhão em notas promissórias. A Suzano comunicou que plantações, instalações e ativos da companhia não têm sido impactados pelas queimadas na Amazônia. As ações ordinárias da B3 lideraram a queda do Ibovespa em pontos na sessão de segunda-feira. Na ponta oposta, JBS ON subiu 0,29%. A maior alta percentual do pregão foi da EDP, que avançou 1,10%. Outro fato de destaque é a protocolação, ontem da recuperação judicial da Odebrecht, a maior da história do país, com dívidas que somam R$98,5 bilhões: dois problemas à frente são o estigma de corrupção que ela carrega e o fato que alguns dos principais credores do grupo são bancos públicos. A Sinqia admitiu que deve fazer uma oferta subsequente de ações.

 

(Foto: Jair Bolsonaro/ José Cruz – Agência Brasil)

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