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Bolsa cai 5% na semana, abaixo dos 94 mil, e dólar vai a R$3,90

Postado por: TC Mover em 22/03/2019 às 18:18

Preocupações internas e externas provocaram fortes perdas nos ativos brasileiros nesta sexta-feira. A bolsa despencou 3,10%, pior desvalorização desde 6 de fevereiro, atingindo 93.735 pontos, menor patamar desde meados de janeiro, com volume financeiro relativamente elevado de R$16,29 bilhões. O dólar alcançou o maior patamar de 2019 a R$3,908, alta de 3,02% frente ao real – a maior desde o fim de novembro.

 

Os riscos para a aprovação da reforma da Previdência no Congresso vieram à tona diante de possível saída do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, da articulação política do governo, em reflexo da deterioração da relação entre o Executivo e o Congresso, na esteira da prisão do ex-presidente Michel Temer e do ex-ministro Wellington Moreira Franco, ambos do MDB. Ao longo de todo o pregão, lideranças do governo tentaram colocar panos quentes na fissura com Maia, que envolve um tuíte de Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente. Tais conversas devem se estender ao longo do fim de semana, com o próprio Jair Bolsonaro dizendo que irá falar com Maia. A tensão chegou até o Centrão, que ameaça esvaziar audiência com o ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça, na terça-feira. O presidente da CCJ, Felipe Francischini, disse que só vai anunciar o nome do relator da reforma da Previdência após a ida de Guedes ao colegiado. Depois do fechamento, Francischini ressalvou que o ambiente político deve melhorar na semana que vem, sem atrapalhar o cronograma de tramitação da pauta. A ver.

 

Simultaneamente, uma rodada de indicadores ruins na Zona do Euro elevou as preocupações sobre a saúde da economia global, com investidores mais atentos a isso desde o alerta feito pelo Federal Reserve de que não subirá o juro dos Estados Unidos neste ano.

 

O índice Bovespa acumulou queda de 5,45% na semana, e o dólar futuro avançou 2,42% frente ao real no período. Pesaram sobre os ativos brasileiros os acontecimentos das últimas horas alusivos à construção política para a reforma da Previdência, assim como a intensa piora nas perspectivas para a economia global. Mas na visão de um gestor de um grande banco internacional sediado em São Paulo, o que mais incomodou foi a proposta de reforma das aposentadorias dos militares, conjugada com um plano para reestruturação de carreiras, o que esmorece o argumento de sacrifício de todos em prol de um bem maior. Na visão dele, a estratégia do governo Bolsonaro mostrou falta de noção sobre a gravidade do problema das contas públicas, cujo pontapé primordial é a reforma da Previdência. Mais uma vez, argumenta, vai sobrar para o mercado pressionar a classe política. “Não à toa, talvez piore antes de melhorar, com o recado do mercado sobre o tamanho do problema”, disse ele ao TC. Os juros futuros terminaram a semana ampliando prêmios de risco em toda a curva de vencimentos. O contrato para janeiro de 2025 subiu 34 pontos-base a 8,860% só nesta sexta-feira, enquanto aquele mais curto, para janeiro de 2020, avançou 15 pontos-base a 6,505%.

 

(Foto: B3/Divulgação)

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