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Ativos de risco operam sem direção definida; mercado deve olhar para exterior, Orçamento e medidas de estímulo no país

Postado por: TC Mover em 22/07/2019 às 9:32

O investidor reagiu hoje aos alertas quanto à crescente tensão política em Hong Kong e no Golfo Pérsico, eventos que impactaram diretamente as bolsas na Ásia e o preço do petróleo no mercado internacional. Na Europa, a maior procura por ações de empresas de energia sustentava a alta do Stoxx600 nesta manhã, mas temores de que os balanços do segundo trimestre mostrem alguma fragilidade nos bancos e no consumo limitavam os avanços. Os futuros das bolsas americanas olham para a decisão de juros da semana que vem, com o consenso do mercado se ajustando para um corte da taxa-alvo básica de juros do país de 25 pontos-base. Nesta semana, a reunião do Banco Central Europeu na quinta e a divulgação de balanços e do PIB dos Estados Unidos na sexta deverão ser os destaques.

 

Aqui, depois de um fim de semana em que o presidente Jair Bolsonaro foi destaque do noticiário com piadas tipo “Tio do Pavê”, ataques à esquerda e a proposta para reduzir a multa de saldo do FGTS para demissões sem justa causa, o foco volta ao pacote de estímulos que o governo deve anunciar no meio da semana para mostrar que o programa econômico não é só a Reforma da Previdência. Se o pacote pesa mais no mercado do que as trapalhadas de Bolsonaro, não se sabe, mas é certo que ele vai precisar moderar o discurso se as ameaças de alguns caminhoneiros, insatisfeitos com a situação da tabela de fretes, forem se concretizar. Nos próximos dias, o ministro de Infraestrutura, Tarcísio Freitas – uma das vítimas das “piadas” do presidente no final de semana – deve sentar-se com os líderes da categoria para ver se a ameaça é para valer. A conferir.

 

Entre os destaques da agenda de hoje, o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas deve atrair os holofotes. No sábado, Bolsonaro antecipou que deve haver um contingenciamento de R$2,5 bilhões no Orçamento Federal, uma merreca pela qual um ministério só será sacrificado. Seria o segundo contingenciamento do ano – o primeiro atingiu perto de R$30 bilhões, – e certamente não será o último, se levarmos em conta as projeções de receita e o desempenho econômico. O ministro da Economia, Paulo Guedes, que geralmente é oito ou oitenta no assunto, vai continuar apertando o Orçamento até que a coisa melhore, de acordo com economistas e membros experientes do TC.

 

Mundo afora e no Brasil teremos uma enxurrada da divulgações de balanços corporativos do segundo trimestre, com grandes nomes, especialmente no meio da semana. Lucros, receita e EBITDA, assim como métricas de margens, retorno sobre o patrimônio e ajustes no guidance oferecerão um panorama completo de como a economia, tanto global como doméstica, está se comportando e como as coisas devem se apresentar no terceiro e quarto trimestres. Analistas, gestores e traders em Wall Street, Londres e na Faria Lima estarão atentos aos sinais vindos dos balanços para operar. Nos EUA, teremos desde Amazon e AB Inbev até Twitter e Tesla, e no Brasil, começaremos hoje com a Profarma, para ter Santander Brasil, Bradesco, Ambev e Usiminas ao longo da semana.

 

Hoje também teremos leilão de linha de até US$2 bilhões, com compromisso de recompra – instrumento que o Banco Central ofertará para fornecer liquidez adicional no mercado de câmbio em meio a certa escassez de dólares entre tesourarias de companhias no setor real e bancos. No âmbito corporativo, antes da abertura dos mercados, a Vale deve divulgar o relatório de produção e vendas referente ao segundo trimestre: espera-se uma produção próxima de 74,6 milhões de toneladas de minério de ferro entre abril e junho. Investidores também devem reagir às declarações do diretor-presidente da BRF, Lorival Luz, que disse à Exame que, mesmo após a frustração das negociações com a Marfrig, a companhia ainda quer entrar no setor de bovinos.

 

O mercado de alta tem reavivado as ofertas de ações e dívida – e tem quem goste disso e quem não goste. Por um lado, destacamos o artigo do Valor Econômico sobre as captações privadas, que têm cada vez mais levantado questionamentos de gestores e investidores na área por mostrar binômios risco-retorno e quadros técnicos preocupantes. Hoje é o último dia para reservar ações da BR Distribuidora no âmbito da oferta secundária feita pela Petrobras, que, segundo o jornal o Estado de S. Paulo, já possui demanda próxima de duas vezes a oferta; as ações estariam sendo oferecidas a R$23 cada. Em linha com a rodada de ofertas subsequentes na B3, Movida e Hapvida devem ter demanda suficiente para as suas captações, também a serem precificadas essa semana. Os investidores ainda devem reagir à oferta da Trident Energy para aquisição dos campos terrestres de Pampo e Enchova, da Petrobras, por US$1 bilhão.

 

(Foto: Jair Bolsonaro/ Agência Brasil)

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