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Trump e Bolsonaro em busca de uma aliança abrangente

Postado por: TC Mover em 19/03/2019 às 10:03

Por: Ana Carolina Siedschlag, editora TC News

 

O uso frenético das mídias sociais, o desdém pelo politicamente correto e à esquerda têm unido os discursos e atos dos presidentes americano, Donald Trump, e brasileiro, Jair Bolsonaro, que visitará a Casa Branca nesta terça-feira, e onde ele espera que décadas de relações frias entre os Estados Unidos e o Brasil se tornem uma aliança abrangente tocando a economia, a geopolítica e até o comércio.

 

Hoje, ambos devem discutir sobre a crise na Venezuela, a filiação do Brasil à OCDE, o espaço crescente da China na América Latina, assim como algum tipo de arranjo que faça do Brasil um forte aliado americano não-OTAN com forte influência na região, especialmente em regiões convulsionadas como a Colômbia e a Venezuela.

 

Ontem, em entrevista, Bolsonaro apoiou a ideia de Trump de construir um muro na fronteira com o México. É provável que os dois líderes avancem quanto ao quesito cooperação aeroespacial, formalizando o acesso dos EUA à base de lançamento no Maranhão. Em tempos de guerra comercial e crescente tensão geopolítica, a aproximação dos dois líderes pode atrair algum tipo de oposição por parte de outros blocos regionais e comerciais.

 

A visita de Bolsonaro a Trump pode ser inicialmente vista como uma vitória da facção antiglobalista do governo Bolsonaro, representada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e o assessor informal, outrora astrólogo, Olavo de Carvalho. Nem tanto: o tom da visita, se for muito polarizante, colocará de novo o grupo em rota de colisão com os militares no governo, liderados pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, a equipe econômica, cuja cabeça é o ministro da Economia, Paulo Guedes, e a linha mais institucional, liderada pelo ministro da Justiça, Sergio Moro.

 

 

A questão China é importante para avaliar esse ponto. Bolsonaro deve obter informação direta de Trump quanto ao status das negociações comerciais com o gigante asiático. Bolsonaro deve viajar para Pequim este ano, a pedido de Mourão e Guedes. As relações Brasil-China têm sofrido bem menos do que se esperava com Bolsonaro, em parte graças à inteligente ação de Guedes.

 

As realidades econômicas provavelmente impedirão uma ação decisiva contra Pequim. A China é o maior parceiro comercial do Brasil: não somente é o comprador mais ativo de minério de ferro do país, mas é o principal importador de produtos agrícolas brasileiros. Um acordo EUA-China abrangente e agressivo, como Trump quer, pode trazer fortes perdas ao Brasil.

 

Recentemente, economistas do Barclays disseram que a redução do déficit comercial americano para zero na próxima década poderia levar países como o Brasil a perder até 20% das suas exportações anuais para a China.

 

(Trump vs Bolsonaro – Olivier Douliery/Pool/Getty Images/Ricardo Moraes/Pool/Getty Images )

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