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Militares pressionam contra Previdência; pode haver dificuldade de tramitação, diz analista político

Postado por: TC Mover em 18/01/2019 às 10:02

Recentes pronunciamentos, como o do novo comandante do Exército, Edson Pujol, que, em entrevista à Folha, se posicionou contra mudanças no sistema de pensão dos militares, mostram que a caserna está pressionando mais que nunca contra a reforma da Previdência, o que pode se traduzir em empecilhos na tramitação da reforma, disse o CEO da IdealPolitik e contribuidor TC, Leopoldo Vieira.

 

Segundo o Valor, o déficit com militares inativos e seus pensionistas em 2019 deve ser de R$ 43,3 bilhões, quase o mesmo que o de servidores públicos civis, embora o número de civis aposentados seja muito superior ao de militares da reserva. No ano passado, o rombo com os militares cresceu mais que o do INSS. Uma reforma sem a caserna, portanto, é quase uma não reforma.

 

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que terá um encontro com o grupo de Guedes, argumenta que o montante relativo ao Exército vai fazer pouca diferença na reforma, e defende que militares não se aposentam, entram na reserva, ou seja, devem ter proteção social. O fato, no entanto, é que o Brasil não é um país que entra em guerras.

 

Com um terço de seu primeiro escalão composto por militares, o presidente Jair Bolsonaro terá um bom embate à frente. Por um lado, a equipe liderada pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, está mais aberta à exclusão dos militares, enquanto o vice-presidente, o general Hamilton Mourão, demonstrou alguma flexibilidade. Por outro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem, segundo o Poder 360, que “sem os militares a reforma da Previdência perde muito” e que “é preciso liderar pelo exemplo”. O martelo será batido por Bolsonaro.

 

Para o CEO da IdealPolitik, dependendo de como a proposta de reforma tratar os militares, há risco de haver problemas na tramitação do projeto. “Se você contraria muito uma corporação que tem força, você pode ter problemas para tramitar e aprovar. O melhor seria uma proposta com a participação dos militares”, avalia. De acordo com o analista político, Bolsonaro deve enfrentar a questão. “Quando ele (Bolsonaro) falou no seu discurso em uma previdência única e na idade mínima de 57 anos para mulheres e de 62 para homens, a meu ver, ele já estava sinalizando que quer incluir os militares.” Ele também lembra que a questão do combate de privilégios é uma parte importante da agenda do presidente.

 

De toda forma, não há unanimidade entre os militares sobre o tema. Em dezembro, por exemplo, o atual ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, general Santos Cruz, concordou que a aposentadoria dos militares deve ser alterada.

 

O mercado ainda não precifica as especulações em torno do tema, diz Adeodato Volpi, contribuidor TC e analista da Eleven Financial. “Não é novidade que os militares pressionem. Todas as classes terão seu corporativismo testado, mas não dá para ninguém ficar de fora (da reforma). Acho que quando tiver a proposta endereçada, aí sim o mercado vai fazer preço.”

 

(Foto: Edson Pujol/ Defesa Net)

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