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Ibope surpreende e mercado deve maneirar na cautela antes de Datafolha

Postado por: TC Mover em 02/10/2018 às 7:27

Na contramão das pesquisas que foram divulgadas nos últimos oito dias, o levantamento Ibope de ontem à noite surpreendeu ao mostrar o deputado Jair Bolsonaro ampliando sua liderança, reduzindo sua rejeição no eleitorado feminino e melhorando sua posição em um eventual segundo turno. Analistas e contribuidores TC destacaram que a pesquisa pode dar início a um processo de ajuste nos resultados das próximas sondagens, dando espaço a uma realidade mais condizente com a forte mobilização pró-Bolsonaro em áreas rurais e nos maiores colégios eleitorais. O Ibope mostrou Bolsonaro com 31% das intenções de voto — alta de quatro pontos —, enquanto o candidato do PT, Fernando Haddad, parou em 21%. A disparada na rejeição de Haddad de mais de 10 pontos percentuais aconteceu antes da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci ter sido aberta ao público, ontem à tarde. Parte do mercado tinha optado por relevar as pesquisas que mostravam uma estagnação do candidato do PSL, que tinha acelerado uma correção na bolsa e aumentado a força vendedora nas ações das estatais – muito sensíveis ao vaivém da eleição.



Hoje serão divulgadas uma pesquisa Datafolha e mais uma Ibope – desta vez só agregando preferências de intenção de voto para presidente no estado de São Paulo. O alívio deve substituir a cautela, disseram traders, que esperam que as apostas para uma vitória de Bolsonaro no primeiro turno subam de novo. Para um gestor que preferiu não ser citado, se o Datafolha confirmar a evolução de Bolsonaro que a sondagem do Ibope trouxe, “podemos ensaiar um rali”. Outro motivo para o regozijo do mercado é a decisão do presidente do STF, ministro Dias Toffoli, de suspender a entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, líder do PT preso por corrupção no âmbito da Operação Lava Jato, a cinco dias do primeiro turno. Já o exterior, que na segunda-feira se comportou bem e evitou uma queda pior no Ibovespa, além de facilitar um recuo no câmbio e dos juros futuros, pode trazer sinais mistos ao pregão brasileiro. A crítica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao escancarado protecionismo comercial brasileiro deve pesar – contudo, é difícil saber se muito ou pouco. O governo brasileiro se mexeu rápido e já sugeriu que está aberto a negociar alguma saída à ameaça. Incrível que, com um comentário ríspido, Trump consiga fazer o que os políticos brasileiros deveriam ter feito há mais de cinco décadas.



No pregão desta terça-feira, as bolsas asiáticas fecharam em queda, enquanto as europeias abriam também no negativo, em meio a temores sobre a dívida italiana, ao feriado prolongado na China e à alta do petróleo, que deve se estender com gargalos de oferta no Irã. O dólar americano ganhou força ante pares e emergentes, levando a mais um dia de recuo dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA é maior aversão ao risco. Além das pesquisas eleitorais e o noticiário político-eleitoral conturbado, hoje teremos números de inflação e produção industrial no Brasil. Nos EUA, estoques de petróleo – que hoje negociava perto do maior patamar em mais de quatro anos. Também fique de olho nos discursos de várias lideranças do banco central americano, o Federal Reserve, ao longo do dia.

 

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Mercado em um minuto, segundo Contribuidores TradersClub

 

— Câmbio: avanço do dólar ante pares e emergentes pode trazer pressão altista na abertura; no entanto, moeda deve mostrar viés de queda de novo com risco eleitoral recuando após pesquisa Ibope que mostrou esquerda estagnada.

 

— Juros: devem seguir dólar; ponta mais curta pode responder à alta nos rendimentos dos Treasuries americanos, à espera de pesquisa Datafolha de hoje.

 

— Bolsa: queda nos mercados asiáticos, europeus e nos futuros dos índices acionários americanos deve aumentar pressão para estender correção; pesquisa Ibope favorável à aposta do mercado para a eleição pode anular o efeito e dar impulso a ganhos.

 

— Ações: fique de olho em Qualicorp, com os reflexos da decisão do conselho que levou à queda de 29% no papel ontem; Cosan, com Raízen assumindo operações da Shell na Argentina; Petrobras, com queda na produção de petróleo brasileiro pelo terceiro mês; Vale, com queda no dólar e recuo da incerteza eleitoral; CCR, com percepção de que reabertura de aeroporto rival em Belo Horizonte deve impactar pouco operação; Cesp, com reflexos da decisão do governo paulista de adiar privatização para 19 de outubro; BR Distribuidora, com plano para triplicar venda em postos; Gafisa, com impacto de mudança em gestão e conselho; JBS, que ontem revelou que terá impacto negativo de R$2,4 bilhões no balanço do terceiro trimestre por adesão ao programa de refinanciamento tributário; Embraer, com planos de possível fábrica nos Estados Unidos com a Boeing; Cielo e Itaú, com pedido de registro da adquirente Stone para IPO nos EUA.

 

— Destaques das recomendações: Para analistas do Bradesco BBI, o memorando de entendimento divulgado pelo sindicato de funcionários da Embraer sinaliza aprovação do acordo com a Boeing, levando-os a manter recomendação outperform e o preço-alvo de US$28 para o ADR da aérea brasileira.

 

Principais notícias para começar o dia bem informado

 

Trading News

— Na contramão de outras pesquisas, Bolsonaro sobe forte em sondagem Ibope; rejeição de Haddad dispara

— Falha de governança ‘gritante’ da Qualicorp impacta fundos da XP

— Pegando carona na PagSeguro, Stone faz pedido de IPO em Nova Iorque

— Exterior impede queda pior da bolsa; mercado lê delação de Palocci com cautela

 

Valor Econômico

— Palocci diz que havia propina em 90% de MPs

— Trump conclui novo Nafta e agora pode mirar Brasil

— Qualicorp cai na bolsa após acordo com CEO

 

O Estado de S.Paulo

— Declarações de Dirceu colocam PT na defensiva

— ‘Instituições fracas, fake news em alta’, diz diretor do Ipsos

— Haddad omite valor real de bem à Justiça Eleitoral

 

Folha de S. Paulo

— Toffoli proíbe entrevista de Lula à Folha e respalda decisão de Fux

— Candidatos à Presidência querem alterar reforma trabalhista de Temer

— Bolsonaro é risco maior que Haddad para agenda econômica, diz S&P

 

Globo/G1

— Bolsonaro cresce seis pontos entre as mulheres, diz Ibope

— Comando do Exército informou AGU sobre plano de juiz de recolher urnas na véspera das eleições

— Rejeição a petista é maior do que a última de Lula

— Palocci se comprometeu a colaborar com ao menos cinco frentes de investigação

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais
— 05h00: IPC de setembro – Fipe
— 08h00: IPC-S capitais – FGV

— 09h00: Produção Industrial de agosto – IBGE; consenso 0,2%

— 11h00: Vendas de veículos em setembro – Fenabrave

 

Indicadores internacionais
— 05h30: PMI da Construção do Reino Unido; consenso 52,5

— 06h00: IPP da Zona do Euro em agosto; consenso 3,9%
— 16h30: Vendas totais de veículos dos EUA; anterior 16,72 mi
— 17h30: Estoques de petróleo bruto dos EUA – API; anterior 2,903 mi barris

 

Eventos:

— N.D.: Feriado nacional na China
— 09h00: Reunião da diretoria da Aneel

— 10h00: Ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, concede entrevista à TV UOL

— 11h00: Presidente Michel Temer tem reunião com Guardia

— 11h00: Discurso de Randal Quarles, membro do Federal Reserve
—13h15: Presidente Temer tem reunião com ministro de Minas e Energia, Moreira Franco

— 13h45: Discurso de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve
— 14h30: Reunião Apimec com SLC Agrícola em São Paulo
— 21h00: Presidente Michel Temer tem reunião com o ministro da Segurança Pública, Carlos Marun.

— N.D: Previsão de pesquisa Estado de S.Paulo/Ibope para a Presidência em São Paulo

— N.D: Previsão de divulgação de pesquisa TV Globo/Folha de S.Paulo/Datafolha

 

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