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Desgaste na imagem de Bolsonaro é administrável, dizem gestores 

Postado por: TC Mover em 08/04/2019 às 10:17

O desgaste na imagem do presidente Jair Bolsonaro nos primeiros cem dias de governo é administrável e pode levar o Palácio do Planalto a acelerar melhoras na articulação política, de acordo com gestores e analistas políticos, indicando que temores de que o governo poderia dobrar a aposta e radicalizar o discurso – como sugerem algumas colunas de opinião na imprensa –são pouco prováveis.

 

Em geral, a administração Bolsonaro cometeu tantos erros e mostrou tantos problemas de comunicação que há espaço suficiente “para cortar gordura”, disse um deles. Na semana em que completa 100 dias de governo, Bolsonaro pode começar sua purga com o anúncio da segunda baixa ministerial em seu mandato, a de Ricardo Vélez, à frente do ministério da Educação.

 

“Na segunda, vamos resolver a situação do ministério”, disse Bolsonaro no fim de semana. “Está bem claro que não está dando certo o ministro Vélez, falta gestão. Vamos tirar a aliança da mão esquerda e pôr na direita ou na gaveta”. Bolsonaro deve receber de cada um de seus ministros um balanço das respectivas áreas nos 100 dias de governo.

 

Questionado sobre sua queda de popularidade, Bolsonaro disse que “não há tanta notícia ruim como a imprensa vem publicando”. Outro problema que rendeu muitas manchetes negativas é a disputa de poder na Apex – e Bolsonaro deve agir hoje mesmo para resolver a questão.

 

Eleitorado fracionado impacta avaliação

Para gestores e uma analista político sediado em Brasília, a perda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro não parece preocupante no momento, é normal – pois seu estilo é diferente – e deve-se, em grande parte, ao caráter fracionado de seu eleitorado, que se consolidou em um processo eleitoral muito polarizado.

 

Analistas como Leandro Gabiatti, da Dominium Consultoria, têm advertido que a base de apoio popular de Bolsonaro é difusa e agrega preferências dissimiles e até antagônicas como o antipetismo, a agenda conservadora dos costumes, a demanda por maior segurança pública e combate à corrupção e, a mais arrojada, o pedido por um choque liberal na economia.

 

Para alguns deles, Bolsonaro erra ao achar que seu eleitor o escolheu por sua agenda de costumes ou pelo seu antipetismo; de fato, o presidente falha ao ter uma agenda difusa, que combina ataques à esquerda, tweets inesperados e pouco foco na pauta econômica. Os predecessores de Bolsonaro, especialmente Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, tinham pautas mais concretas – o que pode tê-los poupado do desgaste rápido que atinge Bolsonaro no momento.

 

Gabinete ‘que funciona’ pode ajudar na popularidade

O que cada vez mais gente vê como um “governo de duas caras” precisa virar unanimidade: a percepção é que os ministérios mais técnicos do gabinete do presidente Jair Bolsonaro têm equipes capacitadas e funcionam como ilhas de eficiência.

 

Nesse rol, o ministro da Economia, Paulo Guedes, é o mais aplaudido – seu nome se tornou um consenso após a audiência no a Câmara dos Deputados da semana passada. Manifestantes que defendiam a Operação Lava Jato em São Paulo no domingo cantaram seu nome, de acordo com matérias da imprensa. Um ministro da Fazenda sendo elogiado não deixa de ser uma fato inédito.

 

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, é o outro foco de elogios dentro do gabinete, após realizar os leilões de concessão de portos, aeroportos e de novo trecho da Ferrovia Norte-Sul. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e o general Carlos Santos Cruz, da Secretaria de Governo, também são bem avaliados.

 

Já as pastas mais alinhadas com a pauta dos costumes – Educação, Relações Exteriores, Direitos Humanos – são vistas como esdrúxulas, caóticas e desastrosas. Corrigir os rumos do governo requer ações nessa área, disseram os mesmos analistas à TC News. As mudanças poderiam começar por aí.

 

(Foto: Jair Bolsonaro/Agência Brasil)

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