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Bolsonaro, Haddad e Alckmin podem virar réus durante a campanha. Mas o que isso significa?

Postado por: TC Mover em 24/08/2018 às 14:36

A uma semana do início oficial das campanhas eleitorais na televisão e nas rádios, três dos 13 candidatos à Presidência podem enfrentar problemas na Justiça enquanto brigam pela atenção dos eleitores indecisos.

 

Geraldo Alckmin, do PSDB, Jair Bolsonaro, do PSC, e Fernando Haddad, aparentemente o sucessor do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, podem se tornar réus nas próximas semanas em processos de diferentes teores e que vão medir a maneira como o eleitor percebe investigações contra políticos durante essa peculiar corrida eleitoral. O ex-presidente Lula já é réu em meia dúzia de processos e está preso no âmbito da Operação Lava Jato.

 

Apesar de o status de réu não impedir um candidato de concorrer, a pergunta que fica é como essa judicialização particular da política irá perturbar as intenções de voto dos eleitores.

 

Para analistas e políticos consultados pelo TC News, o primeiro ponto é que, caso isso se concretize, a reação do eleitorado deve ser bem diferente para cada um dos candidatos. “Apesar da diversidade das denúncias limitar o efeito real que elas poderiam ter no desempenho deles, o eleitor vai decidir como analisar isso baseado em cada candidato”, explica o analista político Raphael Cortez, da Tendências Consultoria Integrada, em São Paulo.

 

Para ele, Alckmin seria o mais prejudicado dos três, caso isso acontecesse. Ele é réu em uma ação civil pública que o acusa de autorizar negociações de dívidas tributárias que resultariam em prejuízo ao estado. Essa operação, que teria ocorrido quando ele era governador de São Paulo, é considerada uma espécie de pedalada fiscal, o que levou os sindicatos dos fiscais de renda e dos procuradores do estado a protocolarem o caso na Justiça.

 

Mas o que deve deixa-lo preocupado é o risco de se tornar réu novamente em outro processo, dessa vez envolvendo caixa dois, e no meio da corrida eleitoral. Nesse caso, ele é acusado pelo Ministério Público de São Paulo de ter aceitado pagamentos ilícitos durante as campanhas de 2010 e de 2014, quando se elegeu governador.

 

Cortez aponta que Alckmin poderia ser o mais impactado porque isso reforçaria a imagem dele perante o eleitor como a de um político tradicional, que não teria condições de propor renovação.

 

Segundo a colunista Julia Duailibi, do G1, o tom dentro do MP de São Paulo é que Alckmin possa se tornar réu antes mesmo do primeiro turno das eleições, no dia 7 de outubro.

 

Outros candidatos com problemas no horizonte

 

Para Bolsonaro e Haddad, a história é outra. Enquanto o primeiro é investigado por um caso de racismo e homofobia, que pode até afirmar sua campanha anti-establishment, o outro não deve perder os votos herdados de Lula caso se torne réu em um processo sobre as ciclofaixas paulistanas.

 

Para os dois casos, Cortez reforça que apesar de não perderem os eleitores que já têm, eles podem encarar dificuldades em ampliar o seu eleitorado. Esse desafio só deverá ser enfrentado no segundo turno, e isso caso algum desses três nomes acabar virando réu antes das eleições terminarem. Até lá, o mercado deve continuar de orelhas em pé aguardando novas decisões da Justiça.

 

A situação exemplifica bem que a Operação Lava Jato e a generalização dos políticos que a seguiu estão deixando o caminho mais estreito para quem comete crimes puníveis de ilegibilidade. Também sinaliza que aumentaram os riscos legais e jurídicos para quem tentar se eleger.

 

E, no caso específico do PT, mostra como uma situação adversa – ser réu – não é o suficiente para aplainar as intenções de votos no partido, situação apontada como “uma lógica perversa” por um ex-ministro que falou com o TC News em anonimato.

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