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Em entrevista peculiar, Bolsonaro insiste em relacionar Congresso a negociata; mercados desabam

Postado por: TC Mover em 27/03/2019 às 17:11

Obs: esta matéria foi atualizada às 18h10 para inclusão de informações. 

 

Por: Larissa Linder e Guillermo Parra-Bernal, editores TC News

 

O presidente Jair Bolsonaro reiterou que não vê como poderia melhorar a articulação política com o Congresso e sugeriu que o contato que a maioria dos parlamentares faz com ele tem como pano de fundo algum toma lá, dá cá, em mais um movimento que gerou pânico nos mercados e mais dúvidas sobre a capacidade do governo de aprovar a reforma da Previdência e o pacote de ajuste fiscal.

 

Em entrevista ao vivo à TV Band, veiculada na tarde desta quarta-feira, Bolsonaro disse que está fazendo “o possível” para restabelecer a articulação política com o Congresso, que atingiu um ponto crítico na semana passada após desavenças com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. No que pareceu uma provocação, Bolsonaro disse, com um sorriso indisfarçado, de que Maia está “passando por um momento difícil” – possivelmente se referindo à prisão de Wellington Moreira Franco, marido de sogra de Maia. Afirmou que ele vai procurar Maia quando voltar de Israel, na semana que vem.

 

“Ele tem responsabilidade tanto quanto eu. Estão fazendo tempestade em copo d’água”, afirmou, culpando a imprensa pelo que chamou de “futrica”. Quando perguntado porque evitava ir ao encontro de parlamentares, Bolsonaro sugeriu que uma minoria deles está à procura de cargos e indicações políticas. “Da minha parte não tem briga, não tem problema nenhum, o que cobram de mim é a interlocução, mas não tem como. A minoria pede, você sabe o que,” disse, provavelmente se referindo a cargos. “Fazem pauta bomba para me constranger positivamente. Vamos fazer bons projetos na Câmara e no Senado para tirar o país da situação que se encontra. Não vem me pedir, o que pouquíssimos pedem, que aí não dá certo”

 

Referente aos problemas de comunicação entre governo e parlamentares, o presidente declarou que “é difícil se comunicar com 594 deputados ao mesmo tempo”. Sobre a proposta de emenda constitucional que institui o Orçamento impositivo e que foi desengavetada ontem pela Câmara – e aprovada com maioria maciça pelos deputados – inclusive os do seu partido, o PSL -, Bolsonaro afirmou que os deputados do seu partido foram orientados a votar a favor da emenda.

 

As afirmações do presidente na entrevista deixam claro que coexistem na cabeça de Bolsonaro uma visão pouco refinada de como deve ser conduzida a negociação política com o Congresso e um ânimo para manter um clima de comício no país – cinco meses após ser eleito presidente. Além disso, disseram contribuidores TC e gestores, os comentários entreveem a falta de foco de Bolsonaro no que interessa à administração: recuperar a economia, sanear as finanças públicas e criar um clima de conciliação entre os três poderes.

 

Os mercados reagiram com desespero à entrevista: o futuro do Ibovespa despencou 4,8%, pior queda desde final de maio do ano passado, em plena greve dos caminhoneiros. O dólar tocou R$4 pela primeira vez desde 2 de outubro. Os juros futuros tinham fechado antes da entrevista em forte alta, com os vencimentos mais longos subindo na média 25 pontos-base.

 

(Foto: Jair Bolsonaro – Agência Brasil)

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