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Atitudes dos filhos de Bolsonaro preocupam em meio à batalha para aprovar Previdência 

Postado por: TC Mover em 15/02/2019 às 9:26

“O presidente da República é formalmente Jair Bolsonaro, mas parece que não é ele quem exerce o poder de fato, e sim seus filhos”. Assim começa um dos editoriais do jornal O Estado de S. Paulo de hoje. Não foi o único – quase todos os jornais e sites especializados repercutem hoje o episódio em que Carlos Bolsonaro levou à execração pública um ministro de Estado – o ministro-chefe secretário-geral da Presidência, diga-se de passagem. O incidente é grave e está criando uma crise de grandes proporções no seio do próprio partido do presidente, o PSL. Quaisquer similaridades com o PSDB é mera coincidência.

 

Por que tanto ruído? O temor é que, em momentos de crise, Bolsonaro dê ouvidos mais para seus filhos do que para seus assessores. Mais ainda agora, em meio à batalha que será a aprovação da reforma da Previdência – a pauta econômica mais cara do Brasil nos últimos 16 anos. Dela depende não só a estabilidade das finanças públicas como o ingresso de dezenas de bilhões de dólares em investimentos diretos e de portfólio. “É a ‘filhocracia’ instalada de vez no Palácio do Planalto”, disse o Estado.

 

O poder de Carlos Bolsonaro ficou exposto quando chamou publicamente Gustavo Bebianno de mentiroso. Sem negar a grave situação em – o site O Antagonista disse que o ministro tem até segunda-feira para entregar o cargo por envolvimento em um esquema de corrupção –, a atuação do filho do presidente é questionável a partir de qualquer ponto de vista.

 

Os casos de indisciplina de Carlos, o caçula, são sintomáticos de uma crise freudiana na família presidencial, onde todos querem mandar, mas ninguém parece ser dono do lugar. Segundo a colunista Sonia Racy, dois militares próximos de Bolsonaro estão convencidos de que tem que se arrumar uma maneira de convencer o presidente quanto à necessidade de neutralizar as ações dos filhos. “Percalço: quem conhece Bolsonaro sabe que ele vai proteger os filhos sempre”, alerta Racy.

 

Mas os alertas também vieram da vizinhança do Planalto. Para o contribuidor TC, Leopoldo Vieira, cientista político da IdealPolitik, os comentários do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, quanto ao episódio de Carlos Bolsonaro foram “duríssimos”. Para Maia, muito próximo de Bebianno, Bolsonaro precisa comandar a solução para a crise política. “A impressão que dá é que o presidente está usando o filho para pedir para o Bebianno sair. E ele é presidente da República, não é? Não é mais um deputado, ele não é presidente da associação dos militares”, declarou Maia.

 

(Foto: Bolsonaro e seus filhos Eduardo, Flávio e Carlos – Yahoo! Notícias)

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