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Articulação de Maia para reforma tenta acalmar mercado, mas trará diluição ao texto

Postado por: TC Mover em 17/04/2019 às 10:02

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, teve de assumir pessoalmente as negociações em torno da reforma da Previdência e é cada vez mais provável que ele oriente seus aliados a proporem mudanças no texto, em uma tentativa de mostrar aos investidores que apoia a medida, porém não sem custos associados ao desgaste na popularidade do Congresso.

 

Maia deve dirigir parlamentares do chamado Centrão e da oposição a propor mudanças em pontos que fariam o texto da reforma naufragar na comissão especial da Câmara, passo seguinte à apreciação do projeto na Comissão de Constituição e Justiça. Eles seria, especificamente, a desconstitucionalização das regras da Previdência, o abono e a aposentadoria rural, disseram analistas à TC News.

 

A intervenção de Maia na articulação da reforma, coisa que ele se recusou fazer desde a eclosão de uma disputa com o presidente Jair Bolsonaro em meados de março, permitiu que, após mais de 13 horas de reunião, a CCJ concluísse a discussão sobre a admissibilidade da reforma; a comissão se reúne hoje às 10h00 para votar o parecer do deputado Marcelo Freitas sobre a constitucionalidade da pauta.

 

Oposição deve tentar obstrução

Deputados da oposição devem obstruir a reunião da Comissão de Constituição e Justiça de hoje, que tem como objetivo votar o parecer de admissibilidade da matéria, para, assim, adiar a análise para semana que vem e piorar a crise de confiança no governo Jair Bolsonaro quanto à articulação política.

 

Caso haja votação e o parecer seja aprovado, a proposta segue para análise da comissão especial. A conturbada reunião de ontem, que teve bate boca e reclamações por parte do presidente da comissão, deputado Felipe Francischini, quanto à atuação omissa da base do governo com o projeto, sugere que as dificuldades de articulação política não melhoraram, apesar das reuniões de Bolsonaro com partidos políticos nas últimas semanas.

 

De acordo com o líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon, “o governo já não consegue aprovar a proposta da forma como ela veio”. De acordo com reportagem da agência Broadcast, “nos bastidores, nem mesmo a base governista avalia que será possível concluir a tramitação hoje na CCJ, apesar da ‘operação acelera’ para reduzir as falas dos deputados ontem.”

 

Em reunião ontem com as lideranças dos partidos PP, PRB, DEM, PR, Solidariedade, PSDB, MDB e PSD, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, considerou que seria uma sinalização muito ruim ao país e aos investidores deixar a votação do parecer da PEC somente para depois do feriado da Páscoa, disse o jornal O Globo. Para nosso analista político e contribuidor TC, Leopoldo Vieira, da IdealPolitik, a entrada de Maia no jogo foi para mostrar ao mercado que “apesar do governo, a reforma está avançando”.

 

(Foto: Rodrigo Maia/Agência Brasil)

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