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Volatilidade à vista: próxima semana terá mais juros, PIB na UE e dados de China, Brasil

Postado por: TC News em 09/08/2019 às 17:32

O investidor de ativos de risco provavelmente terminou essa semana com um gosto um pouco amargo na boca. Afinal, não tem sido fácil navegar pelos mercados com a escalada da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e todo tipo de sinal que indica desaceleração global. Hoje, para ajudar, o presidente Donald Trump deu um empurrão nos ativos de risco ladeira abaixo ao dizer que não está pronto para assinar um acordo com a China e que os Estados Unidos não irão fazer negócios com a gigante chinesa de tecnologia Huawei.

 

Os índices, que já operavam no vermelho mundo afora pelo histórico dos últimos dias e por dados ruins da economia britânica e da China, divulgados hoje, chafurdaram ainda mais no terreno negativo. Por aqui, o Ibovespa virou e passou a cair logo após as declarações de Trump. Mais tarde, houve certa acomodação no exterior, com uma desaceleração das quedas, que se refletiu também por aqui.

 

Como sempre, o presidente americano usou seu estilo de comunicação que deixa tudo em aberto: “posso fazer, mas eventualmente posso não fazer”; “posso negociar, mas posso não querer negociar”. É essa atmosfera de incerteza que deve deixar os mercados no atual nível de angústia. China e Estados Unidos, vale lembrar, têm – ou tinham – uma reunião marcada para negociações em setembro, em Washington. Mas há quem ache que a estratégia de Trump tem prazo de validade, ou seja, vence assim que – e se – o Federal Reserve cortar os juros mais uma vez em setembro. Por isso, também há quem veja valor nas ações brasileiras, apesar do recuo no apetite por risco, tanto que estrategistas do banco suíço UBS mantiveram hoje o Brasil como compra.

 

O Ibovespa acabou fechando em queda de 0,11% a 103.996 pontos, com volume negociado de R$12,9 bilhões, acima das médias diárias do ano. Na semana, o índice avançou 1,29%. A Qualicorp registrou a maior alta percentual do índice, de 36,64%, após o grupo Rede D’Or São Luiz comprar mais de 10% das ações da empresa, que sairá da parte do atual presidente-executivo José Seripieri Junior. B2W também foi destaque entre as altas, após informar aumento na geração de caixa e nas vendas no segundo trimestre. Na ponta oposta, MRV foi a maior queda percentual do índice, a 6,14%, após divulgar receita líquida abaixo do consenso.

 

Os juros operaram mistos. A divulgação da pesquisa mensal de serviços de junho apontou uma pequena recessão no comércio, o que pesou. O DI para janeiro próximo, que tem rompido as mínimas históricas em três dos últimos sete pregões, operava em queda de 3 pontos-base a 5,445%. Os outros vencimentos, no entanto, subiam ou permaneciam estáveis. O dólar futuro avançava 0,55% na reta final do pregão, cotado a R$3,948.

 

Na semana que vem, a atenção dos investidores locais migra para o estado da economia doméstica. Na segunda-feira, teremos os dados do índice IBC-Br de junho. Os números já divulgados do período sugerem contração da atividade na base sequencial: a indústria caiu 0,7%, o comércio, 0,3% e os serviços, 0,6%. “Difícil não ter queda no PIB”, disse José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. “O pior vai ser ficarmos esperando os efeitos da Reforma da Previdência sobre as expectativas e sobre a demanda, portanto o emprego”.

No âmbito político, as atenções se voltam ao Senado com o início da tramitação da Reforma da Previdência – na quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça deve iniciar a votação dos requerimentos que serão apresentados pelos senadores.

 

A semana também trará dados de inflação medidos pelo IGP-M aqui no Brasil. No exterior, a China informará dados de produção industrial e varejo, os Estados Unidos, de inflação, e a União Europeia divulgará prévias de seu PIB. Também haverá decisões de juros no México e na Noruega.

 

Ainda hoje, depois do fechamento dos mercados, M Dias Branco e Alpargatasdivulgam resultados do segundo trimestre. Na próxima semana, mais de 25 companhias informarão seus balanços, entre elas Magazine Luiza, Eletrobras e Cosan.

 

(Foto: Donald Trump – Chen Mentong/China News Service)

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