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Velhos medos voltam e bolsa cai, juros disparam com temores sobre reforma, possível soltura de Lula e exterior

Postado por: TC Mover em 25/06/2019 às 18:08

O investidor voltou a se resguardar no pregão volátil desta terça-feira, protegendo-se de riscos que achava serem coisa do passado. A bolsa quase perdeu os 100 mil pontos, na esteira de crescentes temores sobre o calendário da Reforma da Previdência e a intempestiva decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal de julgar o pedido de habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso há 14 meses por lavagem de dinheiro e corrupção passiva no âmbito da Operação Lava Jato. O investidor também se alarmou com o pedido de julgamento da suspeição do atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, em relação à sentença de Lula – lembremos que Moro é visto como o algoz de Lula e o maior inimigo do status quo.

 

O cenário local sentiu desde cedo a falta de articulação do governo no Congresso e a ação coordenada dos partidos de centro, que usam a Nova Previdência como instrumento de ataques ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Mesmo com as manifestações de que a reforma já tem votos suficientes para passar no plenário da Câmara e do Senado, o investidor está cada vez mais preocupado com o andamento do projeto: dias atrás dava como certa a votação da reforma antes do recesso parlamentar, que começa em 18 de julho. Hoje, já não está tão claro assim. O mercado, quando quer, foca no detalhe para realizar.

 

Também impactou no sentimento o ambiente turvo e volátil no exterior, após dois diretores do Federal Reserve sinalizarem que um eventual corte da taxa-alvo básica de juros nos Estados Unidos em julho não está definido. Com o avanço da desaceleração global, da incerteza sobre o rumo da guerra comercial entre os EUA e a China e da crescente tensão geopolítica no Oriente Médio, o exterior mostrou uma dinâmica pouco propícia para os ativos de risco: o petróleo recuou, as bolsas de Nova Iorque caíram e os rendimentos dos Treasuries de dez anos – um termômetro da aversão ao risco – derreteram e terminaram o dia abaixo da marca psicológica dos 2%.

 

O índice Bovespa fechou hoje em queda de 1,93%, a primeira em cinco pregões, a 100.092 pontos. O dólar futuro se valorizou 0,56% ante o real, cotado a R$3,846, também pressionado pela semana em que a disputa técnica pelo fechamento da taxa Ptax do mês de junho acontece. O mercado de juros futuros sofreu uma forte correção hoje: o DI para janeiro próximo disparou 7 pontos-base para 6,03%, enquanto o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2021 teve um aumento de 9 pontos, para fechar nos 5,96%. Para contribuidores TC, a ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária do Banco Central não trouxe uma sinalização robusta de corte da taxa Selic para o mês que vem, o que frustrou o mercado. Acrescente a isso a bagunça na política e a correção fica explicada.

 

Amanhã, o dia terá indicadores de inflação da Fipe e da FGV cedo, assim como dados do BC sobre o mercado de crédito – que pode mostrar se a demanda por crédito está arrefecendo. Nos EUA, teremos pedidos de hipotecas semanal, estoques de petróleo bruto e outros indicadores de atividade. No plano corporativo, amanhã os papéis ON da Petrobras podem reagir à precificação, hoje à noite, da oferta secundária de mais de 240 milhões de ações pela Caixa Econômica – e que pode se tornar a maior oferta subsequente do ano. A indústria de cartões também divulgará seu balanço do primeiro semestre, o que pode afetar os papéis da convalida Cielo. Fique de olho no noticiário do exterior sobre a reunião entre os presidentes dos EUA e a China na cúpula do G-20; e por aqui, logicamente, em relação à Previdência.

 

(Foto: B3/Reprodução)

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