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Vale deve ser foco em dia de cautela; sentimento do investidor muda com temores sobre reforma, EUA

Postado por: TC Mover em 07/02/2019 às 8:43

Passamos do vinho para a água no mercado local em menos de uma semana. Além da volta da aversão ao risco nos mercados internacionais com a proximidade do prazo para encerrar as conversas comerciais entre a China e os Estados Unidos e da conclusão do Brexit, o mercado brasileiro também se tornou refém do calendário: o investidor está quase obcecado com uma aprovação da reforma da Previdência e pressionado com a expectativa de o índice Bovespa ultrapassar a marca psicológica dos 100 mil pontos pela primeira vez. O cenário se mostra, sim, volátil, mas é necessário compreender que os tempos da política e a diplomacia não são os mesmos do dinheiro. A ansiedade está tomando conta do ambiente, e isso não é bom.

 

Em relação à reforma, advertimos muitas vezes que o momento do mal-estar chegaria – e ele chegou com a eleição das mesas diretoras do Senado e da Câmara dos Deputados, que farão tudo o que estiver ao seu alcance para demorar a tramitação do projeto sob a ótica de que o governo precisa co-governar com os parlamentares. As palavras recentes do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e de vários líderes partidários estão costuradas para criar medo na arquibancada.

 

Dependerá do governo e da articulação inteligente da Casa Civil para que o objetivo, a aprovação do pacote fiscal e da reforma da Previdência, seja atingido no momento certo. Fique de olho no noticiário em relação ao calendário de discussões das propostas preliminares para o projeto no gabinete e a apresentação final para o presidente Jair Bolsonaro, que se recupera de uma cirurgia. O câmbio sentiu a pressão do imbróglio na Previdência por conta dos erros do líder do governo na Câmara, que denota dificuldade na articulação. Posições vendidas no dólar foram quase zeradas e esse estresse também impactou os juros. A decisão do Copom de manter a Selic inalterada também pode auspiciar algum ajuste: o comunicado tentou sepultar qualquer expectativa de corte nas próximas reuniões.

 

Hoje o noticiário corporativo ferve: a Vale pode sofrer com a marejada de notícias negativas que surgiram ao longo da tarde e noite de ontem, relacionadas com o controle da barragem que colapsou e deixou mais de 150 mortos. Segundo O Globo, a companhia espera mais prisões de executivos. O papel despencou 4,88% ontem e pode continuar ladeira abaixo sem um gatilho positivo. Já no caso da Petrobras e da Braskem, as manchetes prometem alguma mexida nos papéis. Veja nossas análises neste relatório.

 

Hoje teremos números de seguro-desemprego nos EUA, o que pode trazer mais volatilidade mundo afora, decisão de juros do Banco da Inglaterra, discursos de autoridades do Federal Reserve e leilão de swap cambial e de títulos do tesouro Nacional. Fique atento aos resultados trimestrais da Klabin, IRB Brasil – cuja acionista Caixa Econômica Federal cogita vender sua participação – e da Lojas Renner, maior varejista de roupas do país.

 

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Mercado hoje, segundo Contribuidores TC

 

A aversão ao risco que tomou conta dos mercados internacionais na véspera começa a se dissipar, dando lugar para a expectativa com a decisão de juros do Banco da Inglaterra e os discursos de alguns dirigentes do Federal Reserve, o banco central americano. Ontem, a confirmação de Mnuchin de que emissários dos dos EUA e a China irão se encontrar na próxima semana para chegar ao acordo comercial ajudou a mitigar a cautela com ativos considerados de risco, como visto ontem.

 

Na Europa, o Reino Unido entrega a última decisão de juros antes do prazo final para a saída do país da União Europeia, programado para o dia 29 de março. Fique de olho nos apontamentos do presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, que fala em coletiva de imprensa às 10h30; ele pode dar alguma sinalização sobre o que esperar de um Brexit com ou sem acordo.

 

Para as commodities, o dia é relativamente estável – o ouro voltou a cair em relação ao dólar americano, enquanto o petróleo recuava levemente. A maior parte dos mercados asiáticos continua fechada por conta do Ano Novo chinês. Ainda assim, fique de olho em possíveis falas dos governantes do gigante asiático sobre as prometidas reuniões da semana que vem. Hoje ainda veremos dados de emprego dos EUA, que podem colocar alguma pressão no câmbio mundo afora.

 

Principais notícias corporativas

 

Klabin: Klabin aprova distribuição de R$145 milhões em dividendos e R$125 milhões em juros sobre capital próprio, a serem pagos em fevereiro

 

Petrobras: Petrobras vê acordo com União na cessão onerosa perto do desfecho (Valor)

 

Vale: Agência promete fim de barragens como a de Brumadinho e aponta lobby (Folha)

 

Braskem: Odebrecht terá fatia menor na Lyondell (Valor)

 

Anhembi: Prefeitura de SP lança edital para vender Anhembi por R$ 1,7 bi (Valor)

 

Petrobras: “Não há ativos inegociáveis na Petrobras”, diz Castello Branco (Valor)

 

Lojas Renner: Na reta final de Galló, a Renner é tudo isso mesmo? (Exame)

 

BRF: BRF vende ativos na Tailândia e Europa por US$ 340 milhões (G1)

 

Agenda do dia

 

Indicadores nacionais

08h00 Índice IGP-DI mensal (janeiro) – FGV

 

Indicadores internacionais

N.D. UE – Divulgação de boletim econômico do BCE

05h00 Alemanha – Produção industrial mensal (dezembro); consenso 0,80%

05h00 Alemanha – Balança comercial (dezembro)

11h30 EUA – Pedidos seguro-desemprego semanal; consenso 227 mil

18h00 EUA – Crédito ao consumidor (dezembro); consenso US$17 bi

21h30 Japão – Gastos domésticos mensal (dezembro); consenso -0,20%

21h30 Japão – Gastos domésticos anual (dezembro); consenso 0,80%

22h00 Japão – Crescimento crédito anual (janeiro)

 

Resultados trimestrais

A.A. Klabin – resultados trimestrais; consenso R$1,2 bi

D.F. BR Properties – resultados trimestrais

D.F. IRB Brasil – resultados trimestrais

D.F. Lojas Renner – resultados trimestrais; consenso R$425 mi

 

DISCLAIMER: Este newsletter não tem o objetivo de promover a venda de títulos e valores mobiliários específicos, e sim, de informar correta e oportunamente a quem o recebe.

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