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Tuítes do Trump derrubam bolsas; semana que vem tem dados globais de PIB e mais tensão no comércio

Postado por: TC Mover em 23/08/2019 às 18:33

A batalha comercial de hoje entre americanos e chineses derrubou as bolsas, disparou a demanda por ativos seguros, bagunçou o cenário para os maiores bancos centrais e mostrou o poder de destruição da retórica protecionista nos mercados. O mercado fechou em Nova Iorque e São Paulo ainda à espera da ameaça do presidente americano Donald Trump, que respondeu hoje à decisão da China, divulgada mais cedo, de impor sobretaxas sobre US$75 bilhões em produtos americanos como soja, petróleo e veículos. Ele elevou as sobretaxas existentes, sobre US$250 bilhões em produtos chineses, de 25% para 30%; e nos restantes US$300 bilhões de produtos “made in China”, de 10% para 15%. O potencial para mais quedas nas bolsas na semana que vem é bastante grande.

 

A incerteza quanto ao futuro da disputa comercial EUA-China, que já se alastra por 16 meses e ameaça jogar a economia mundial em recessão, é grande porque o investidor teme que o irascível e imprevisível Trump escale ainda mais as querelas com os chineses. Hoje, após o anúncio da retaliação comercial chinesa, Trump reagiu furiosamente em suas redes sociais. No Twitter, ele instigou as empresas americanas a deixarem a China e pediu para as transportadoras, como a Fedex, vasculharem pacotes vindos da China com fentanil – o poderoso opiáceo causador de uma crise massiva de drogadicção e mortes nos EUA. “Podem mandar o fentanil que encontrarem de volta para a China”, desabafou.

 

O curioso é que o mercado tinha se preparado para lidar com outro risco: o discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, no simpósio de banqueiros centrais em Jackson Hole. Powell reiterou que o Fed agirá apropriadamente para sustentar a expansão americana e evitou se comprometer com um corte de juros no mês que vem. O discurso equilibrado e previsível provou que Powell não recua na defesa das suas posições, mesmo que ele não retruque, como Trump já reclamou nesta semana. Os mercados reagiram tranquilamente à fala de Powell: uma queda ali, uma alta lá. Mas, ninguém esperava que Trump tuitasse com tanto ódio contra a China e contra o xerife do Fed.

 

O cenário externo contagiou de novo o sentimento local, que já vinha contaminado desde ontem à noite com as trapalhadas do presidente Jair Bolsonaro quanto à crise das queimadas na Amazônia e o que ele vê como intervenção indesejada da França na política ambiental do país. Apesar de dados da Nasa mostrarem que as queimadas nesta época de seca estão perto da média dos últimos 15 anos, a situação chamou a atenção de líderes mundiais, que alertaram para a necessidade de proteger a floresta. Tanto o presidente da França, Emmanuel Macron, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, querem tratar do tema com seus pares no G7 amanhã, em Biarritz. Bolsonaro deve fazer um pronunciamento nacional sobre o tema às 20h30 de hoje.

 

Assim, com volume negociado acima das médias diárias e recuo generalizado nas ações mais líquidas, o índice Bovespa fechou hoje em queda de 2,34% – a pior em uma semana – a 97.667 pontos. O dólar futuro atingiu o maior patamar desde 21 de maio, e subiu 1,36% a R$4,1280. A valorização da divisa americana frente ao real, que hoje foi a pior entre as moedas emergentes, esteve atrelada ao acirramento da disputa EUA-China. Na máxima do pregão, a moeda chegou a ser negociada a R$ 4,1335. Os juros embutiram mais prêmio na curva da vencimentos e fecharam em alta. Nem o leilão de dólar à vista do Banco Central nem a perspectiva de uma inflação benigna aliviaram a pressão sobre câmbio e renda fixa.

 

Fique de olho em possíveis comentários que venham dos líderes membros do G7 sobre a situação na Amazônia. Já para a agenda da próxima semana, países como o Brasil, EUA, França e Itália divulgam dados do PIB, sendo os três primeiros na quinta-feira. No âmbito do Congresso Nacional, o relator da Reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Tasso Jereissati, deve entregar o parecer no final da semana que vem, após ter cancelado a data original, que seria hoje. Na segunda-feira, teremos dados da pesquisa Focus, que pode trazer estabilização das projeções de PIB e de inflação. Não deixe de ficar ligado no Twitter de Trump, especialmente se o PIB americano vier fraco.

 

(Foto: Trump/ AFP)

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