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Trump sugere alívio e mercados viram; fique de olho em atuação do BC, Twitter de Trump e contas externas

Postado por: TC Mover em 26/08/2019 às 9:24

O pregão desta segunda-feira não está fácil para ninguém, nem para quem vende ativos de risco, nem para que os compra. A volatilidade morde hoje com força. Os futuros dos índices acionários americanos avançam, apesar das quedas na Ásia, com uma enxurrada de notícias contraditórias sobre a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. O presidente americano Donald Trump disse que a China teria ligado duas vezes pedindo para retomar as conversas. Pouco tempo depois, um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China disse que os telefonemas nunca aconteceram; mesmo assim, o mercado sentiu nas palavras do porta-voz uma postura conciliadora e disparou. Um tuíte do editor do jornal nacionalista chinês Global Times mais cético, no entanto, tentou botar água no chopp.

 

Assim vai ser ao longo do dia: um sobe e desce, dependendo do que Trump disser ou o que a matéria da vez, com fontes, diga sobre o sobre o governo chinês. A guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo tomou matizes mais dramáticos na sexta-feira, com ambos os países adotando mais sobretaxas sobre as exportações do outro. Trump anunciou um aumento de sobretaxas sobre US$550 bilhões em produtos chineses, horas depois de a China anunciar tarifas sobre US$75 bilhões em bens americanos. No Twitter, Trump disse que os chineses “querem calma” e rasgou elogios para o presidente da China, Xi Jinping, que chamou de “grande líder”. Três dias atrás, Xi era um inimigo. O índice VIX, que mede a volatilidade global no mercado de ações, subia quase 3%, a quase 21.

 

Na manhã de hoje, o sentimento de mercado melhorou após o vice premiê da China, Liu He, dizer que o país está disposto a resolver a disputa comercial com uma atitude calma por meio do diálogo. Que as manchetes não enganem você: a guerra comercial EUA-China não é mais do que um fator de piora do ciclo econômico, que pode acelerar ou retardar o inevitável – a desaceleração global. Os fundamentos da economia global estão fragilizados, como mostraram os indicadores de confiança na Alemanha de hoje – abaixo do consenso -, e o ambiente atual de incertezas somente deve piorar esse quadro. Prova disso é que a procura por ativos de proteção continua sólida: os rendimentos dos Treasuries de 10 anos operam perto da mínima desde julho de 2016.

 

Com muita volatilidade e pouca tendência mundo afora, o investidor precisa olhar para o ambiente local, que está longe de ser tão conturbado quanto na Europa ou nos EUA. As empresas americanas estão cada vez mais preocupadas com a ameaça de Trump de proibi-las de fazer negócios na China – o que pode impactar investimentos de longo prazo. Para o Brasil, o dia começa com a notícia de que a chanceler alemã, Angela Merkel, impediu que o G7 bloqueasse o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul por causa das queimadas na Amazônia, como pretendia a França. Quanto ao G7, Trump inesperadamente assumiu um tom mais conciliador – o que não tira as preocupações do horizonte, disseram membros experientes do TC.

 

No Brasil, uma ou duas manchetes de importância: a primeira, segundo o jornal Valor Econômico, a expectativa da área técnica do governo é de fazer um descontingenciamento orçamentário de R$10 bilhões a R$15 bilhões em setembro. O anúncio poderá acontecer no dia 22 de setembro, quando o governo apresentará ao Congresso o relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas primárias da União do quarto bimestre. A outra, que os membros do G-7 concordaram em ajudar os países afetados pelas queimadas na Amazônia o mais rápido possível, apesar da relutância inicial do Brasil por não ter voz na conferência. O risco mais grave, na opinião de empresários e analistas, era que a maior resistência do governo do presidente Jair Bolsonaro levasse a um boicote das exportações agropecuárias brasileiras pela UE – território conhecido por seu protecionismo ferrenho.

 

Entre os eventos do dia, o investidor deve ficar atento às reuniões do presidente Jair Bolsonaro ao longo do dia, que, entre outros, se encontra com o ministro da economia, Paulo Guedes, e com o secretário de desestatização, Salim Mattar. No âmbito dos indicadores, o Banco Central informa dados de transações correntes mensais de julho e investimento estrangeiro direto. À tarde, o ministério da Economia informa a balança comercial semanal. No exterior, além de manter a atenção no Twitter de Trump para possíveis comentários sobre a disputa com a China, alguns indicadores também serão divulgados. Os Estados Unidos informam o índice de atividade nacional do Fed de Chicago e dados de pedidos de bens duráveis. Na noite de hoje, ainda, a China divulga lucros industriais. O Reino Unido terá mercados fechados por um feriado.

 

(Foto: Trump e chanceler alemã Angela Merkel no G7 – Zero Hedge)

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