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Trump deixa mercado mais arisco e tombo se estende por mais um dia; no radar, balanços, política

Postado por: TC Mover em 27/02/2020 às 9:24

O tombo nos ativos de risco estendeu-se nesta quinta-feira, e agora o risco é que as ações americanas busquem novas mínimas ou ajustes mais drásticos, à medida que o investidor não vê como governos e companhias vão conseguir evitar a disseminação do coronavírus ou uma pandemia. A aversão ao risco colocou o índice do medo, conhecido popularmente como VIX, perto dos 30 pontos e a maioria dos títulos do governo americano viu os rendimentos caírem para mínimas sem precedentes. Os ativos seguros, enfim, continuam sendo motivo da procura do investidor: o iene e o ouro se fortalecem, enquanto os ativos de mercados emergentes e o petróleo afundam ainda mais. A ação da AB InBev cai na Europa após projeções sombrias relacionadas ao coronavírus e a economia global; a Ambev deve refletir não somente isso, mas o fato de divulgar meta de queda no EBITDA de cerveja no Brasil de até 20% para o trimestre. Vinte por cento. Em relação ao mercado local, o ajuste do Carnaval chegou e foi menos ruim do que muitos esperavam – mas ninguém esperava que as quedas de hoje fossem tão pronunciadas.

 

Além do noticiário ligado ao surto, o investidor precisa ficar atento à divulgação da prévia do PIB americano, às 10h30. O IGP-M, a chamada inflação do aluguel, de fevereiro saiu em linha com o consenso. O Banco Central solta os dados de crédito às 09h30; o Tesouro Nacional solta o resultado primário do governo central de janeiro. A temporada de balanços voltou, com destaque para a Ambev – que disse que o EBITDA de cerveja no Brasil deve cair entre 17% e 20% neste trimestre. Os futuros dos índices acionários americanos caem acentuadamente hoje, como reflexo da coletiva de Trump de ontem, que fracassou na tentativa de tranquilizar o investidor quanto à resposta dos EUA a uma propagação rápida do vírus. Os futuros, que subiam de leve, viraram enquanto Trump falava e não convencia. Para piorar o quadro, o surgimento ontem de um novo caso de coronavírus sem uma origem similar aos outros – seja por viagem ou contato com um infectado, estremeceu ontem a Califórnia.

 

O impacto do coronavírus foi sentido primeiro pelas companhias que estão ligadas ao setor de turismo e viagens. Ontem, as aéreas Gol e a Azul lideraram as quedas percentuais do Ibovespa, com suas ações preferenciais caindo, respectivamente, 14,31% e 13,30%. A CVC Brasil ON veio logo atrás, caindo 11,89%. Muitos consumidores estão desmarcando suas viagens, e a Justiça brasileira vem agindo para limitar as taxas de cancelamento cobradas pelas companhias do setor, limitando-as, geralmente, entre 5% a 10% do preço total da passagem. Os laboratórios de diagnósticos e a CNSaúde veem a demanda por exames crescendo após o primeiro caso no Brasil. Os laboratórios até então realizam exames em hospitais parceiros, para evitar a criação de focos de transmissão. Gustavo Campana, diretor médico da Dasa, disse ao Valor Econômico que a estratégia até agora é “bloquear o vírus”, mas se houver uma epidemia o laboratório começará a ofertar o teste.

 

(Por: Guillermo Parra-Bernal, Bárbara Leite e Vitor Azevedo || Foto: Trump – Reuters)

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