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Treasuries emitem alerta de recessão nos EUA e bolsas globais desabam; aversão ao risco puxa dólar, juros

Postado por: TC News em 14/08/2019 às 15:20

Após a recuperação da última terça-feira, com a aparente trégua na disputa comercial entre a China e os Estados Unidos, as bolsas em Nova Iorque, Londres, Frankfurt e São Paulo não conseguiram resistir aos dados fracos de atividade na China, PIB da Zona do Euro e inflação no Reino Unido. Para o investidor, finalmente deve ter chegado a hora de comprar um seguro ante um evento temido desde o final do ano passado: recessão global. Na B3, o dólar futuro e os juros futuros avançam em bloco, pressionados pela instabilidade global, enquanto o índice VIX, que mede a volatilidade global dos mercados, sobe 18,55% no início desta tarde. Os juros dos Treasuries derreteram.

 

O temor de uma recessão global leva os investidores a buscarem proteção. Essa busca desencadeou um processo pouco comum, conhecido como inversão, na curva de rendimentos dos Treasuriesamericanos. Ela é um fenômeno pelo qual os juros de menor prazo operam acima dos de maior prazo. Por um lado, a inversão sinaliza para o investidor que o banco central está demorando demais em cortar a taxa-alvo básica de juros. Por outro, traz mais evidência de que uma recessão é inevitável. Hoje, a inversão, descrita como a diferença entre os Treasury yields de dois e dez anos, atingiu, na manhã de hoje, 3 pontos-base negativos – a pior em quase 14 anos.

 

A onda de protecionismo iniciada pelo presidente americano Donald Trump no começo do ano passado, o arrefecimento da demanda global e uma enxurrada de crises geopolíticas em todos os cantos do planeta têm agido juntas para impactar a mais longa expansão econômica mundial em décadas. A dos EUA, por exemplo, é a maior da sua história. Trump, no Twitter, instou o Federal a “agir logo” para evitar que o marasmo do crescimento global se alastre pelos Estados Unidos. Além de culpá-lo por ter acelerado o processo de normalização monetária no ano passado, Trump está desesperado porque outros bancos centrais estão reduzindo os juros rapidamente.

 

O pessimismo reinante com os dados e os fundamentos cada vez mais fracos em Ásia, Europa e as Américas leva as bolsas em Nova Iorque a cair fortemente. Os índices-referência em Wall Street, o Dow Jones Industrials e o S&P500, caem 2,26% e 2,27%, respectivamente, por volta das 13h00. Na Europa, o índice Stoxx600 opera em queda de 1,68%. O petróleo despenca. “O Brasil não está imune caso haja uma onda de venda nos mercados globais, mas nosso índice deve cair menos. A aprovação da Reforma da Previdência tira uma pressão enorme. O pânico nos mercados internacionais pode trazer ótimas oportunidades de compra“, diz o membro experiente do TC, Pedro Albuquerque.

 

No plano local, a Câmara dos Deputados aprovou ontem à noite, por 345 votos a favor e 76 contra, a Medida Provisória da Liberdade Econômica, que prevê a desburocratização de atividades econômicas. Hoje, a Casa vota os destaques do texto. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovouhoje os requerimentos de audiências públicas sobre a Reforma da Previdência, que devem ocorrer na próxima semana. Sob a pressão externa, o índice Bovespa cai 2,20% e perde os 101 mil pontos nesse horário. As ações de commodities e bancos puxam as quedas, lideradas pela Vale ON. O vencimento de opções sobre o índice, à tarde, também pesa. O dólar futuro opera nos R$4,02 e o DI para janeiro próximo sobe 1 ponto-base a 5,455%.

 

A Kroton ON registra a maior queda percentual no pregão, de 7,05%, após reportar resultados vistos como fracos pelo mercado, com retração na margem líquida e queda no lucro operacional. O investidor teme que a maior empresa de educação do mundo não cumpra as metas operacionais para o ano. A Embraer também está entre as maiores quedas percentuais, com recuo de 4,62%, após divulgar resultados que não surpreenderam os investidores, com dados dentro do esperado. Ainda hoje, mais de vinte companhias reportam balanços referentes ao segundo trimestre. Entre elas, Via Varejo, Oi, Marfrig e JBS. Entre os indicadores, o Banco Central divulga fluxo cambial da semana passada às 14h30.

 

(Foto: Wall Street – L-BBE/ Wikicommons)

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