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Trapalhadas políticas de Bolsonaro, tensão externa freiam bolsa, mantêm dólar pressionado 

Postado por: TC Mover em 16/05/2019 às 10:39

Os mercados de câmbio, juros e renda varável mostravam desempenho errático nesta quinta-feira, oscilando entre o vermelho e o azul na primeira hora de negócios, com a maior cautela entre os investidores, que tentam digerir as trapalhadas de comunicação do governo do presidente Jair Bolsonaro e a maior ansiedade global relacionada à disputa comercial entre os Estados Unidos e a China.

 

Para um gestor sediado em Nova Iorque, a falta de tato do presidente Bolsonaro e sua equipe está dando espaço para maior insatisfação dentro do Congresso, em meio a uma economia em claro processo de deterioração, perda de apoio popular e mobilizações nas ruas, como a de ontem contra o contingenciamento de verbas na área da educação. A fragilidade da situação de Bolsonaro “assombra, especialmente para um governo que começou há cinco meses,” disse, destacando que o recuo no fluxo estrangeiro na bolsa é um sintoma do medo que está tomando conta dos investidores.

 

No exterior, a informação de que o governo americano pode adiar por seis meses a imposição de sobretaxas a automóveis e autopeças importados trouxe tranquilidade às bolsas internacionais, que subiam hoje de manhã. Mas a prudência impera com o decreto americano que restringe as operações de empresas de telecomunicações chinesas no país, o que pode levar a mais uma rodada de retaliações por parte da China – e ao alastramento da guerra comercial pelo mundo inteiro.

 

BOLSAS: Por volta das 10h15, o Ibovespa operava em queda de 0,25%, com volume projetado baixo, de apenas R$1,8 bilhão – prenúncio de um pregão marcado pela precaução com os riscos no Brasil e mundo afora. Itaú Unibanco PN liderava as quedas hoje, em pontos, seguida de varejistas, companhias de consumo e estatais. Só duas das 66 ações do índice subiam nesse horário: CSN ON, com a disparada do minério na China, e Marfrig ON, que divulgou resultados abaixo do consenso na véspera, mas anunciou metas operacionais para 2019 que analistas acharam promissoras. Mais de R$3 bilhões de investimento estrangeiro na bolsa saíram no mês até o dia 13 de maio, de acordo com dados da B3.

 

CÂMBIO: O dólar futuro mostra pouco alívio, apesar da melhora do sentimento mundo afora. O câmbio se valoriza 0,11% ante o real brasileiro, cotado a R$4,01250 nesse horário, após fechar no maior valor desde 1 de outubro na véspera. A percepção da fraqueza de Bolsonaro reacende temores de uma diluição da proposta de reforma da Previdência no Congresso, disseram traders.

 

JUROS: O investidor monitora o delicado ambiente político, que ficou mais ressentido com as manifestações nos 27 estados contra o contingenciamento de verbas na educação. A curva opera instável, com os vencimentos mais curtos oscilando bastante, enquanto os mais longos embutem mais prêmio. O DI para janeiro de 2025 sobe 2 pontos-base para 8,67%.

 

(Foto: Bolsonaro/Divulgação)

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